SANTO VIVO - ESTUDOS BÍBLICOS
Estudo do Livro do Apocalipse

ESTUDO DO LIVRO DO APOCALIPSE


O TERMO
Apokalupsis, no grego, tem sentido de "desvendar, manifestar, aparecer". Também denominado "Revelação". Recebeu esse nome por ser com ele que o livro começa e tem por fim descobrir as coisas que deviam acontecer, reveladas por Deus Pai a Jesus Cristo, e que este enviou por seu anjo a seu servo João.

AUTOR

O autor se identifica como João (1.1.4.9; 22,8). Era bem conhecido entre as igrejas da Ásia Menor (1.9). Já desde os tempos Justino Mártir, no século II d.C., existe a certeza que esse João era o apóstolo, o filho de Zebedeu (Mt 10.2). O próprio livro revela que o autor era judeu, versado nas Escrituras, líder eclesiástico e profundamente consagrado, com plena convicção de que a fé cristã não demoraria a triunfar sobre as forças demoníacas em atuação no mundo.

 

No século III, porém, um bispo africano de nome Dionísio comparou a linguagem, o estilo e o pensamento do Apocalipse aos demais escritos do apóstolo João, chegando a conclusão de que o livro não poderia ter sido escrito pelo apóstolo João. Apresentou a possibilidade de o autor ser certo João, o Presbítero, cujo nome aparece em outros escritos antigos. Embora alguns hoje sigam Dionísio quanto a autoria do livro, as provas extrínsecas parecem apoiar, de modo bem claro, a concepção tradicional, ou seja, o apóstolo João.

 

DATA

O livro foi escrito durante uma época de perseguição, provavelmente perto do final do reino do imperador Nero (54-68 d.C.) ou durante o reinado de Domiciano (81-96 d.C.). A maior parte dos estudiosos concorda com uma data em torno de 95 d.C.

 

ORIGEM, DESTINATÁRIOS

O primeiro capítulo contém a narrativa da visão que João teve de Cristo, quando se achava exilado na ilha de Patmos em razão do seu testemunho cristão. Essa ilha encontra-se ao sul da costa da Ásia Menor. A tradição da Igreja Primitiva diz que João mais tarde pôde deixar o exílio e passou em Éfeso os últimos anos de sua vida. Os capítulos 2 e 3 encerram sete mensagens ditadas a João pelo próprio Jesus, endereçadas a sete Igrejas da Ásia Menor: Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardes, Filadélfia, e de Laodicéia. Ásia menor refere-se à província romana que hoje é parte da Turquia. 

 

POR QUE FOI ESCRITO

Foi escrito a fim de mostrar que o Senhor não permitirá que o mal prevaleça para sempre. Um dia, a ira de Deus contra o pecado será plena e completamente liberada sobre a face da Terra, porém aqueles que não rejeitaram a Cristo escaparão do castigo de Deus sobre os ingratos e desobedientes.

 

OS SÍMBOLOS DO APOCALIPSE

Há nesse livro uns 300 símbolos, e cada um tem um significado definido. Os símbolos são maravilhosos e falam de grandes verdades.

 

O conteúdo deste livro parece indicar que a maior parte dos acontecimentos ainda está por se realizar. É a revelação de Jesus Cristo e não do apóstolo João. O livro trata da volta do Senhor a terra. Descreve o preparo ou falta de preparo da Igreja para esse grande acontecimento (3.20). Contém descrições de acontecimentos tremendos na terra e no céu logo antes de sua vinda, durante e depois dela.

 

O que quer dizer “o tempo está próximo” (1.3)? Já são quase dois mil anos desde que essas palavras foram pronunciadas, mas a idéia é de proximidade. Não importa quanto tempo possa se passar, nós devemos estar sempre prontos para esse acontecimento.

 

Então aqueles que o traspassaram o verão” (1.7). Embora essas palavras se refiram especialmente ao povo judeu, pode referir-se também a muitos que o traspassaram não aceitando a salvação por Ele oferecida.

 

OS CONTRASTES COM GÊNESIS

Apocalipse é um modo maravilhoso de concluir a história que começou em Gênesis. Tudo que teve início no livro de Gênesis é consumado no Apocalipse.

 

GÊNESIS                                                    APOCALIPSE

Foram criados os céus e a terra           Novo céu e nova terra

Foram criados o sol e a lua                   Não há sol nem lua, Cristo é a luz

Há um Jardim                                          Há a cidade santa

Temos o casamento de Adão               As bodas de Cristo, o segundo Adão

O princípio do pecado                           O fim do pecado

O aparecimento de Satanás                 O seu fim

 

TEMA

O Apocalipse contém profecias mais extensas sobre o futuro que qualquer outra parte do Novo Testamento. Essas profecias lançam luz sobre o triunfo escatológico de Cristo diante das forças anticristãs desse mundo.

 

Este livro revela a completa identidade de Jesus Cristo e o plano de Deus para o fim do mundo. Além de enfocar Jesus em sua segunda vinda, sua vitória sobre o mal e o estabelecimento de seu reino. Aliás, o tema principal do Apocalipse é o reinado de Cristo sobre a história. Apocalipse é o livro da consumação final, onde todos os caminhos convergem para a pessoa de Jesus Cristo. Ele é apresentado como o Cordeiro de Deus que cumpre as profecias do Antigo Testamento e garante o triunfo final do grande plano de Deus para a salvação da humanidade. Somente Jesus é digno de desatar os selos do livro da ira de Deus. Portanto o Apocalipse é o cumprimento das profecias concernentes ao Dia do Senhor, trazendo tanto juízo quanto redenção.

 

Elementos detalhados nas visões expandem estas verdades e devem ser vistas como parte de uma visão mais ampla. Apocalipse é, assim, um livro de imagens, uma apresentação dramática para equipar os cristãos para que tenham uma visão da história centralizada em Deus.

 

Apocalipse apresenta um Cristo glorioso e reinando. Os Evangelhos apresentam-no como o Salvador, que veio para tomar sobre si a maldição do pecado de todos; mas nesse livro não vemos Jesus sofrendo nenhuma humilhação. Ele reina.

 

MÉTODOS DE INTERPRETAÇÃO

Os métodos de interpretação deste livro tem sido variados e com frequência imaginativos. Milhares de livros tem sido escritos tentando explicar o que está escrito no Apocalipse. Existem quatro linhas de interpretação:

 

Preterista – São aqueles que veem as profecias como já cumpridas, portanto no passado, onde o livro em sua grande parte se desenrolou com a destruição de Jerusalém, e nos eventos conflitantes dos primórdios da Igreja durante o primeiro século. Somente os capítulos de 20 ao 22 terão sua realização no futuro.

 

Histórica Contínua – Vê o livro como descrições simbólicas da história da Igreja, desde a época do Novo Testamento até o final dos tempos. O Apocalipse está num processo contínuo desde o tempo de João até o fim desta dispensação, onde os selos, as trombetas e as taças são apenas demonstrativos daquilo que sucederia durante a história do mundo. Apenas os capítulos 19 ao 20 são predições de acontecimentos que ocorreram após a vinda de Cristo, portanto no futuro.

 

Futurista – São aqueles que veem o livro por um prisma futurista e literal. Todos os capítulos a partir do capítulo 4 até o último capítulo são predições das coisas do futuro, onde esses acontecimentos se cumprirão no fim dos tempos em conexão com a volta de Cristo.

 

Simbólica ou Espiritual – São aqueles que veem no livro somente simbolismo, portanto de um prisma espiritual e não literal, evidenciando como o bem triunfa sobre o mal em um mundo de tantos conflitos.

 

Essa escola crê que há três classes de passagens no Apocalipse: as que são mui claras em seu ensino espiritual; as que são misteriosas, mas que contém elementos de verdade e são instrutivas; as que são tão ocultas que é inútil, com nosso conhecimento, dar-lhes interpretações finais.

 

OUTRAS LINHAS DE INTERPRETAÇÃO

Evidentemente que temos de ressaltar que existem outras linhas de interpretação do Apocalipse. Existem as interpretações do catolicismo romano, a interpretação exclusiva das Testemunhas de Jeová, a dos Adventistas do Sétimo Dia, e de algumas outras religiões e seitas que utilizam partes isoladas do texto para justificarem seus entendimentos.

 

AS DIVISÕES

Podemos dividir o livro do Apocalipse em sete partes:

 

1 – As sete epístolas, às sete Igrejas, 1 a 3;


2 – Os sete selos, 4.1-8.1;


3 – As sete trombetas, 8.2 a 11;


4 – As sete figuras místicas: a mulher vestida de sol; o dragão vermelho; o filho da mulher; a primeira besta que emerge do mar; a segunda besta que se levanta da terra; o Cordeiro no monte Sião; o Filho do Homem sobre a nuvem, 12 a 14.


5 – O derramamento das sete taças, 15 e 16;


6 – A aniquilação dos inimigos da Igreja, 17 a 20;


7 – As glórias do Nova Jerusalém, 21 e 22.

 

ESTILO APOCALIPTICO

Apocalipse exibe uma linguagem altamente simbólica na descrição de suas visões. Essas visões retratam o final da história, quando o mal houver atingido seu limite máximo e Deus tiver feito intervenção para dar início a seu reino, submetendo os ímpios ao julgamento e recompensando os justos. Tudo isso é exposto não para satisfazer uma mera curiosidade quanto ao futuro, mas para encorajar o povo de Deus a perseverar até o fim, diante de um mundo dominado pelo pecado. Muitas vezes João se utiliza da fraseologia típica do Antigo Testamento, especialmente dos livros de Daniel, Ezequiel e Isaías.

 

As extravagantes figuras de linguagem usadas em todo o livro poderão parecer estranhas ao ouvido moderno, mas transmitem aos leitores as proporções cósmicas dos fatos descritos de maneira muito mais eficaz do que se fossem representados em linguagem prosaica. Usando imagens visuais, além de promessas e advertências verbais, entrelaça em uma tapeçaria poética temas de toda a Bíblia. A sua profundidade é demonstrada em todas as suas múltiplas alusões. Ainda assim, como revelação ou desvendamento, ele se destina a nutrir a todos os que são servos de Cristo (1.1).

 

João inicia esse livro explicando como recebeu a revelação da parte de Deus (1.1-20). Em seguida registra as mensagens específicas de Jesus às sete Igrejas da Ásia (2.1 – 3.22). De repente o cenário se transforma, e imagens dramáticas e majestosas irrompem perante os olhos de João. Essa série de visões retrata o futuro ressurgimento do mal culminando com a manifestação do Anticristo (4.1 – 18.24). Em seguida João faz a narração detalhada do triunfo final do Rei dos Reis (16.19), das bodas do Cordeiro (19.17), do Juízo Final e da chegada da Nova Jerusalém vinda do céu (21.2), findando com a promessa da volta de Cristo (22.6-21).

 

O NÚMERO SETE

O número sete é dominante nesse livro: Sete Castiçais, Sete Igrejas, Sete Selos, Sete Anjos, Sete Trombetas, Sete Tronos, Sete Taças, Sete Espíritos de Deus, Sete Estrelas, Sete Lâmpadas de fogo, Sete Pontas, Sete Olhos, Sete Trovões, Sete Diademas, Sete Cabeças, Sete Pragas, Sete Montes, Sete Reis, Sete Chifres e Sete Cidades, e ainda contém sete bem-aventuranças.

 

O número "7" tem um significado todo especial no Apocalipse, apontando sempre para a perfeição de Deus e com o que Ele faz.

 

OS SETE ESPÍRITOS

Os sete espíritos de Deus, mencionados por João (1.4), provavelmente não são sete espíritos diversos, mas o único Espírito Santo. Esta expressão é repetida nos capítulos 3.1 e 4.5. Ela está associada aos "sete olhos do Senhor, que discorrem por toda a terra" (Zc 4.10). Podemos observar em Isaías 11.2 a multiforme operação do Espírito Santo, pois os "sete espíritos de Deus" são as diferentes operações do Espírito Santo nessa perfeição que necessariamente lhes pertence. O Novo Testamento fala de outras passagens da pluralidade de funções do Espírito Santo (Co 12.11; Hb 2.4).

 

JESUS CRISTO
João em sua descrição de Jesus não está fazendo algo literal, que nesse caso seria uma descrição grotesca (1.13-16). As figuras de linguagem devem antes ser traduzidas nas várias características e funções de Cristo. Suas vestes representam o sacerdócio real; seus cabelos alvos simbolizam a eternidade, seus olhos chamejantes, significam a visão penetrante da onisciência; seus pés semelhantes ao bronze simbolizam a atividade julgadora que a tudo subjuga; sua voz trovejante significa a autoridade divina; a espada de dois fios significa a sua Palavra; e seu rosto resplandecente, a glória de sua divindade.

 

AS SETE IGREJAS

As Igrejas às quais foram destinadas as sete mensagens existiam como assembleias locais na Ásia Menor no primeiro século de nossa era. Mas também podem representar tipos de igrejas que tem existido por toda a história, inclusive atualmente. Tem sido apresentado como hipótese que as características dominantes das sete igrejas, na ordem que são mencionadas, simbolizam os traços e desenvolvimentos históricos específicos dentro da cristandade, durante as sucessivas eras da história eclesiástica, a saber:

 

·        Éfeso, a igreja apostólica que trabalhou arduamente;

·        Esmirna, a igreja pós-apostólica que foi duramente perseguida;

·        Pérgamo, a igreja cada vez mais mundana depois que o imperador Constantino fez do cristianismo a religião oficial de Roma;

·        Tiatira, a igreja corrupta da Idade Média;

·        Sardes, a igreja da Reforma, com sua reputação de ortodoxia, mas ausência de vitalidade espiritual;

·        Filadélfia, a igreja dos reavivamentos modernos e dos empreendimentos missionários globais;

·        Laodicéia, a igreja contemporânea que tem ficado morna por causa da apostasia e da abastança.

 

No entanto, essa interpretação ressente-se da crítica de que Tiatira recebe maior pontuação do que em geral seria atribuída à Igreja da Idade Média; “Eu conheço as tuas obras, e o teu amor, e o teu serviço, e a tua fé, e a tua paciência, e que as tuas últimas obras são mais do que as primeiras” (2.19). Também a Igreja da Reforma dificilmente merece uma mensagem de quase total repreensão, com a que foi dirigida a Sardes; e a porta aberta, mencionada na carta à Igreja de Filadélfia, mais provavelmente faz referência à entrada do crente no reino messiânico, e não ao empreendimento missionário; também o prolongamento da história eclesiástica vai exigindo reiterados ajustes na associação das sete igrejas com fases históricas da Igreja Cristã.

OS 144 MIL SELADOS

Os 144 mil podem ser tomados ao pé da letra e de forma coerente. São 12 mil de cada uma das doze tribos de Israel.

 

No capítulo 7, os judeus selados são numerados, e as tribos são cuidadosamente separadas. Em números precisos, há 144 mil judeus selados. Estes judeus são salvos no início da Grande Tribulação e são selados a fim de passarem por ela. É o remanescente judaico preservado do martírio. Observando com atenção o texto e contexto, não há dúvida de quem são os 144 mil. O Espírito de Deus diz que são: “... e eram cento e quarenta e quatro mil assinalados, de todas as tribos dos filhos de Israel” (7.4). A palavra “Israel” nunca é usada em relação à igreja, exceto em Gálatas 6.16; mesmo assim há divergências sobre a exegese deste texto.

 

É evidente que, mesmo havendo textos bíblicos que colocam Abraão na condição de “pai de todos os que creem” (Rm 4.11); mesmo assim os cristãos gentios não pertencem as doze tribos de Israel. Os 144.000, são sem dúvida israelitas; estes constituem o remanescente do povo terrestre de Deus, são eles sem dúvidas, os pregadores do Evangelho do Reino durante a Grande Tribulação. Alguns teólogos procuram ver neste texto e nos que se seguem apenas um número simbólico e não literal, dizendo que esse número seria derivação do conceito dos “setenta”; que simbolizaria a totalidade de Israel (Gn 46.27); ou se derivaria da Igreja, representada por seus líderes (Lc 10.1). Nós aceitamos a interpretação literal oferecida pelo texto sagrado; os 144.000 são israelitas, e consequentemente 12 mil da cada tribo.

 

Podemos observar que a tribo de Dã foi excluída desta lista. O entendimento normal dos judeus era o de que as doze tribos herdariam a terra juntas (Ez 48). Todavia, contando José e Manassés ( a tribo de José era normalmente subdividida em duas, representada por seus filhos Manassés e Efraim) sem excluir Levi, o Apocalipse tem de excluir uma das tribos, e omite Dã, o primeiro na lista de Ezequiel (Ez 48.1), a fim de manter o número doze. Comentaristas judeus já no segundo século  associavam o nome de Dã com idolatria, mas nenhuma ênfase nessa associação em especial pode ser documentada antes disso.

 

Na presente lista dos assinalados os nomes de Levi e José são postos no lugar de Dã e Efraim. Durante o Milênio a tribo de Dã encabeçará as tribos do Senhor no novo governo de Cristo (Ez 48.1). Ficará ao norte da cidade de Damasco, bem ao norte da Síria. Efraim é excluído também dessa lista e substituído por José. O profeta Oséias escreve sobre o desaparecimento dessa tribo durante um período de apostasia, dizendo: “Efraim está entregue aos ídolos; deixa-o” (Os 4.17). Continua: “Efraim com os povos se mistura” (Os 7.8); “Efraim, a sua glória como ave voará” (Os 9.11); “Efraim foi ferido, secou-se a sua raiz” (Os 9.16); “Quando Efraim falava, tremia-se; foi exaltado em Israel; mas ele se fez culpado em Baal, e morreu” (Os 13.1). Durante o Reino Milenar de Cristo essa tribo voltará a existir novamente (Ez 48.5-6).


AS DUAS TESTEMUNHAS

As duas testemunhas da primeira parte do capítulo 11 provavelmente ministrarão nos últimos três anos e meio da Tribulação, uma vez que durante o tempo em que estiverem profetizando, os gentios “calcarão os pés na cidade santa” (11.2). Os futuristas geralmente identificam as duas testemunhas como Moisés e Elias, os quais reaparecerão no palco da história terrestre como representantes da Lei e dos Profetas. O retorno de Elias para ministrar a Israel foi predito pelo profeta Malaquias (Ml 4.5), tendo sido confirmado por Jesus (Mt 17.11). Moisés e Elias apareceram juntos no Monte da Transfiguração durante o primeiro advento de Jesus; e os milagres operados pelas duas testemunhas, em Apocalipse 11.6 correspondem aos milagres registrados no Antigo Testamento a respeito de Moisés (transformação da água em sangue e invocações de pragas sobre a terra, Êx 7 a 12), e de Elias que fez Israel ficar sem chuva por três anos (I Re 17.1).

 

Outros estudiosos identificam as testemunhas como Enoque e Elias, as únicas personagens bíblicas que não experimentaram a morte física (foram arrebatados ao céu), e por esse motivo, seriam enviados a terra durante a Tribulação para testemunharem até que sejam mortos. Entretanto os crentes que estiverem vivos no tempo do arrebatamento da Igreja não irão experimentar a morte física, razão pela qual nos dá a compreensão de que Enoque e Elias não precisam morrer fisicamente para viver eternamente com Deus.

 

Interpretado de modo ainda diferente de tudo isso por um grande número de comentaristas, as duas testemunhas representariam o testemunho coletivo de todo o povo de Deus sobre a terra durante o período da Tribulação.

 

AS BODAS DO CORDEIRO E A CEIA DAS BODAS

É revelada nas Escrituras como algo que ocorre entre o arrebatamento da Igreja e a segunda vinda de Cristo. A Igreja aguarda ansiosa essa união. Conforme Apocalipse 19.7, as bodas já terão ocorrido por ocasião da segunda vinda, pois a declaração é: “são chegadas as bodas do Cordeiro”.  Esse casamento parece seguir os acontecimentos do Tribunal de Cristo, visto que Igreja aparece adornada com “os atos de justiça dos santos” (19.8), que só podem referir-se às coisas que foram aceitas no tribunal de Cristo. Desse modo as bodas devem ocorrer entre o Tribunal de Cristo e a segunda vinda.

 

As Bodas acontecerão no céu. Visto que quando Cristo retornar a Igreja virá com Ele nos ares (19.14).

 

As bodas do Cordeiro constituem um acontecimento que evidentemente incluem Cristo e a Igreja. Com base em Daniel 12.1-3 e Isaías 26.19-21, entendemos que a ressurreição de Israel e a dos santos do Antigo Testamento, não ocorrerá até a segunda vinda de Cristo. Apocalipse 20.4-6 esclarece que os santos que morreram durante a Tribulação também não ressuscitarão até aquele dia. Tudo isso deixa claro que essas pessoas não estarão presentes nas Bodas do Cordeiro.

 

A declaração em 19.9 “Bem-aventurados aqueles que são chamados à ceia das bodas do Cordeiro”, deixa claro que haverá distinção entre as bodas que ocorrem no céu e são celebradas antes da segunda vinda de Cristo, e a ceia das bodas, que ocorre na terra depois do retorno. São duas celebrações, uma no céu, antes da segunda vinda e a outra após a segunda vinda, na terra.

 

A SEGUNDA VINDA, E O MILÊNIO

Quando regressar, Jesus destruirá os exércitos concentrados das nações ímpias. A besta e o falso profeta serão lançados vivos no Lago de Fogo. Satanás será confinado à prisão pelo espaço de mil anos. Os mortos justos que foram martirizados durante a Tribulação haverão de ressuscitar e compartilharão do reinado milenar de Cristo sobre a terra. João põe em evidencia os mártires, mencionando-os de maneira especial para encorajar a boa disposição do povo de Deus diante do martírio.

 

Satanás, liberado após mil anos de prisão convocará uma revolta contra o governo de Cristo, juntando os muitos seres humanos que estiverem sob o domínio político de Jesus, mas nunca o receberam em seu coração. A revolta é esmagada, os ímpios que morreram ressuscitam e dá-se o Juízo Final (19 – 20).

 

A MULHER O DRAGÃO E AS BESTAS

Uma nova divisão do Apocalipse começa no capítulo 12. São vários personagens que entram em cena nos capítulos 12 e 13.

 

1 - A mulher. Quase todos os teólogos seguem a mesma linha de interpretação, a saber: essa mulher representa a nação israelita (Jr 4.31). O seu significado:


- Vestida de sol. Estar vestida do sol equivale a estar revestida de luz. Bem perto de Deus, pois, Deus é sol (Sl 84.11).

- Tendo a lua sob seus pés. O simbolismo do sol, lua e estrelas sugere um resumo da história de Israel, como se pode compreender em Gênesis 37.9. Assim como a lua está subordinada ao sol e recebe dele sua luz, toda a glória de Israel e sua influência provêm do Senhor.

- Coroa de doze estrelas. Em razão da Igreja não estar em foco na   presente época (a da Tribulação), as doze estrelas representam os doze patriarcas, que formam a nação israelita.

 

- Estava Grávida, com dores de parto e gritava com ânsias de dar à luz. Essa mulher é um sacrifício vivo, que sofre qualquer coisa para trazer o Messias ao mundo. A agonia da nação israelita, que espera ansiosa a vinda do Messias. Esse simbolismo é usado acerca de Israel em vários textos do Antigo Testamento (Is 9.6; 66. 7-8; 5.2-4).

2 – O dragão com sete cabeças e dez chifres (12.3) refere-se a Satanás. Deve ser comparado à quarta besta mencionada em Daniel 7.7,24 que mostra o seu poder e arrogância como quem pretende sublevar e tomar pela força a autoridade do Senhor que unicamente tem direito e domínio absoluto sobre a criação.

 

3 – O filho da mulher (12.5) não pode ser outro senão Jesus que regerá as nações com um cetro de ferro (Sl 2.9). A fuga da mulher para o deserto onde ela recebe sustento durante 1.250 dias mostra o cuidado de Deus pelos seus escolhidos. Após a derrota na luta contra o arcanjo Miguel, Satanás será expulso do céu (12.7-8).

 

4 – A besta de dez chifres e sete cabeças que emerge do mar (13.1). Esta figura simboliza o Anticristo. Como o Messias de Deus foi encarnado para revelar o Pai e salvar os homens, a besta revela Satanás. Assim o diabo, apoderando-se de tal forma dum homem sugere uma encarnação do próprio Satanás. Este homem imbuído de poder satânico será golpeado numa das sete cabeças. “Porém a ferida foi curada” (13.3). Seu poder durará apenas por 42 meses (13.5). A besta lutará contra os santos, e os vencerá. Apoderar-se-á do poder político sobre todas as nações e povos (13.7). Quem não aceitar o sinal da besta em sua testa ou mão direita não poderá comprar ou vender nada. Os que a adoram são justamente os que não têm seus nomes escritos no livro da vida.

 

5 – A segunda besta sai da terra (13.11). Por ser aliada da primeira besta e do dragão (12.3), nos deparamos com uma trindade infernal. Pode ser uma possível tentativa por parte do diabo de imitar a Trindade Santa. O dragão entrega sua autoridade ao Anticristo (14.4), assim esta primeira besta reparte seu poder com o falso profeta (outro nome da besta surgida da terra) (16.13).

 

A atividade desta última besta tem como alvo de levar os homens a adorarem o Anticristo. Recebe poder sobrenatural para operar milagres e enganar a nação pagã do mundo (16.13-14).

 

A FALSA TRINDADE

Satanás tenta falsificar Deus Pai. Envolve-se numa falsa criação, em que ele traz à tona a sua imagem, do caos das águas (13.1; paralelo a Gênesis 1.2). Semelhantemente, o falso profeta, ou a besta da terra (13.11-18), falsifica a obra do Espírito Santo. Deseja que o povo adore não a ele, mas à besta, da mesma maneira que o Espírito Santo glorifica a Cristo (Jo 16.14). Opera falsos milagres (13.13-14), falsificando os milagres do Espírito Santo. Força a sua marca sobre os seus súditos (13.16), da mesma forma que os cristãos são selados (marcados) pelo Espírito Santo (Ef 1.13).

 

Juntos, Satanás, a besta e o falso profeta formam um trio de impiedade (16.13), falsificando a Trindade Divina. Satanás, como enganador, está sempre tentado fazer os seus caminhos parecerem atraentes (2Co 11.14-15). Quando a revelação divina abre os nossos olhos, há um mundo de diferença entre seus horrores e as maravilhas de Deus. Satanás é um imitador, e não um criador, e as suas produções são sempre bestiais e degeneradas, como ele próprio o é. As bestas devem se retirar diante da presença de Cristo, o Rei (19.11-21).

 

Resta ainda um farsante que é a Babilônia, a prostituta, a falsificação da noiva de Cristo (17.1 – 19.10). A sua corrupção é contrastada com a pureza da noiva do Cordeiro (19.7-9). A Babilônia resume em si toda a adoração do mundo pagão. Em contraste, a noiva, que é a Igreja, representa a adoração ao verdadeiro Deus. Satanás ataca os santos de duas maneiras principais, a besta ataca com poder e perseguição, procurando destruir o testemunho dos santos e forçando-os a adorar a besta. Babilônia ataca com sedução, buscando destruir a pureza dos santos.

 

CONCLUSÃO

No livro de Apocalipse, João registra visões que ele recebeu como exilado na ilha de Patmos. As visões contém mensagens a igrejas locais em sete cidades da província da Ásia e informações concernentes ao que vai acontecer durante a Tribulação e na Segunda Vinda de Cristo e depois dela. As visões se alternam entre o céu e a terra como também saltam cronologicamente para frente e para trás. Em geral se concorda que a linguagem utilizada é com frequência simbólica. Persistem no entanto, as discordâncias acerca do significado dos símbolos e de questões maiores de interpretação. Não obstante está claro que a ênfase recai sobre a necessidade de os cristãos resistirem à fascinação e às tentações do mundo, de sofrerem voluntariamente pela causa de Cristo e assim ganharem a recompensa da vitória final, em contraposição aos juízos temporais e eternos de Deus aos quais os ímpios serão submetidos.

 

ESBOÇO DO LIVRO DE APOCALIPSE

Prólogo 1.1
I. As cartas às sete igrejas 1.9-3.22

O cenário: semelhante ao Filho do Homem 1.9-20
As cartas 2.1-3.22

II. Os sete selos 4.1-5.14

O cenário 4.1-5.14
Os selos 6.1-8.1

III. As sete trombetas 8.2-11.18

O cenário: O altar dourado 8.2-6
As trombetas 8.7-11.18

IV. Os sete sinais 11.19-15.4

O cenário: A arca do concerto 11.19
Os sinais 12.1-15.4

V. As sete taças 15.5-16.21

O cenário: O templo do testemunho 15.5-16.1
As sete taças 16.2-21

VI. Os sete espetáculos 17.1-20.3

O cenário: Um deserto 17.1-3
Os espetáculos 17.3-20.3

VII. As sete visões da consumação 20.4 –22.5

O Cenário: 20.4-10
As cenas 20.11-22.5

Epílogo 22.6-21

Sete testemunhas de confirmação 22.6-17
Advertências final e garantia 22.18-20
Bênção 22.21

 

 


J. DIAS

www.santovivo.net

 

FONTES:

Panorama do Novo Testamento – Robert H. Gundry – Editora Vida Nova.

O Plano de Deus e o Arrebatamento – Enéas Tognini - Editora Candeia.

Módulo de Teologia FTB – Editora Betesda.

Módulo de Teologia do ITQ – Editora Quadrangular.

Bíblia de Estudo de Genebra – Editora Cultura Cristã.

Estudo Panorâmico da Bíblia – Editora Vida.

Dicionário Bíblico – Editora Didática Paulista.

Bíblia de Estudos NVI – Editora Vida.

Novo Testamento King James – Sociedade ìbero-Americana.

Bíblia Thompson – Editora Vida.

Pequena Enciclopédia Bíblica – Orlando Boyer – Editora CPAD.

Escatologia do Novo Testamento – Russel Shedd – Editora Vida Nova.

Manual de Escatologia – J Dwight Pentecost – Editora Vida.
Apocalipse, Versículo Por Versículo _ Severino Pedro da Silva - Editora CPAD
Comentário Bíblico Atos - Novo Testamento - Craig S. Keener - Editora Atos
Novo Dicionário da Bíblia John Davis - Editora Hagnos 

 

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