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Roma Imperial - História e Arqueologia

ROMA IMPERIAL - HISTÓRIA E ARQUEOLOGIA

*J. Dias


A CIDADE DE ROMA

A capital do Império Romano é uma das cidades mais famosas do mundo, foi fundada as margens do rio Tibre no ano de 753 a.C. Em breve espaço de tempo se estendeu até cobrir sete colinas: a Capitolina, a Palatina, a Aventina, a Celina, a Esquilina, a Viminal e a Quirinal. O Foro romano estava localizado entre a colina Palatina e a Capitolina, e era centro de interesse comercial, cívico e cultural dos romanos. Os melhores templos, palácios, circos, balneários, monumentos, anfiteatros e edifícios do governo estavam nos arredores do Foro. Toda a vida romana se centralizava ali, e todas as ruas saíam do marco dourado localizado no Foro. Paulo, Lucas, Pedro e outros grandes cristãos devem ter visitado o Foro com freqüência. É provável que tenha sido o local em que Paulo tenha sido sentenciado a morte. Mas as guerras, os terremotos, os incêndios e a passagem do tempo converteram em ruínas essas antigas estruturas, e o pó dos séculos as cobriu.


Em 600 a.C., Roma era sofisticada cidade-Estado governada por reis. Tinha produtos próprios, aristocracia rica, prédios monumentais e organizado sistema social. O rei dividia o governo com Senado e Assembleía. O Senado era o conselho de anciãos, formado por chefes de clãs. Tinha o poder de aprovar ou vetar indicações do rei. A Assembléia era constituída por todos os cidadãos masculinos de Roma; a cidadania era concedida apenas aos filhos de pais romanos. A principal função da Assembleía era outorgar poderes absolutos ao monarca, depois de os líderes das clãs aprovarem o candidato a rei.


Confluiam para Roma grandes rotas comerciais que ligavam a Europa a Ásia e ao norte da África. O comércio gerava não apenas riquezas, colocava a cidade em contato regular com várias culturas, como a grega, da qual Roma recebeu forte influência. Vizinhos etruscos (atual Toscana) também tiveram grande impacto sobre Roma, a ponto de em meados do século VI a.C., os monarcas romanos passaram a ser etruscos. Os etruscos deram aos romanos toga, artes, certas práticas religiosas, arquitetura de arco e pedra, sistema de esgotos e corrida de bigas. A influência grega muitas vezes transmitidas pelos etruscos, foi forte na arte da arquitetura, filosofia, ciência e tecnologia. Os etruscos também passaram para os romanos o alfabeto grego, que desenvolvido, tornou-se base de muitas linguas ocidentais.


Roma foi governada por sete reis até o último, Tarquínio, etrusco, ser derrubado, em 509 a.C., em um golpe dado por aristocratas romanos. Em vez de instalerem novo monarca, os romanos desfizeram a instituição e Roma tornou-se república.


A sociedade republicana romana era dividida em livres e não livres (escravos). Entre os livres, os mais importantes eram os cidadãos, que elegiam os cônsules. Os cidadãos subdividiam-se em patrícios (elite proprietários de terras) e plebeus (os demais). O Senado era formado por patrícios, e no início a República representou a transferência do poder do rei para a classe mais abastada de Roma.


SURGE O IMPÉRIO ROMANO

Em 27 a.C, Otaviano era de fato, o primeiro "imperador" de Roma, assumindo o título de Augusto. Nascido Otávio, era sobrinho-neto e filho adotivo de César. Após a morte de César, passa a se chamar Otaviano e assume o título de Augusto "o ser dos deuses", princeps "primeiro cidadão". Pôs fim à guerra cívil e parecia que iria restaurar os dias de glória da República, mas governou como autocrata. Manteve-se no poder por 41 anos de relativa paz, marcando o início do Império que duraria mais de 400 anos.


Os romanos não consideravam que a República havia sido extinta com a morte de César, e quando Augusto chegou ao poder não assumiu o manto de imperador todo-poderoso. Ao contrário, afirmava que havia restaurado a República e devolvido o poder ao Senado e ao povo. Augusto se apresentava como "o primeiro entre os iguais" aos senadores, apesar de na verdade, dispor de poder supremo.


O governador Augusto começou com pretensões republicanas, mas enquanto mantinha partes do sistema existente, enxertava nele a sua autocracia. O sistema de governo republicano, baseado na competição entre famílias aristocráticas, foi substituído pelo imperial, no qual apenas uma família aristocrata dominava.


Augusto fez reformas jurídicas, mantendo o princípio básico da leis romanas. Era sua a palavra final na aprovação das leis. Cidadãos acusados de crime normalmente tinham defensores, e magistrados romanos administravam o direito penal. As penas eram duras. Na primeira metade do século II d.C., cidadãos romanos contestavam decisões recorrendo ao tribunal superior baseado em Roma.


AS CONQUISTAS ROMANAS

Roma começou a se destacar mais ou menos na mesma época em que a cidade-estado de Atenas assumiu a hegemonia da Grécia, ou seja, no século V a.C. Naquela época Roma foi reforçando seu exército e dominando áreas cada vez maiores. Depois de submeter seus vizinhos mais próximos, derrotou os etruscos. Mais tarde expulsou as tribos do povo gaulês, que atacavam pelo norte da península. Em pouco tempo, quase toda a Itália pagava tributos a Roma.


Depois de derrotar os catargineses, Roma passou a atacar outros povos. Os objetivos dos romanos nessas guerras continuavam as mesmas: dominar territórios, cobrar impostos dos povos dominados e escravizar prisioneiros de guerra. Depois da Grécia os romanos conquistaram a Ásia Menor. Foi assim que em 63 a.C. os judeus perderam sua independência quando Pompeu, mais uma vez os submeteu ao "jugo dos pagãos". Desde então os judeus estiveram debaixo do domínio de Roma, embora Hircano (que era da família de Judas Macabeu) conservasse uma soberania nominal.


Após dominar toda a península itálica, os romanos partiram para as conquistas de outros territórios. Com um exército bem preparado e muitos recursos, venceram os cartagineses nas Guerras Púnicas (século III a.C.). Esta vitória foi muito importante, pois garantiu a supremácia romana no mar Mediterrâneo. Os romanos passaram a chamar o Mediterrâneo de Mare Nostrum. Após dominar Cartago, Roma ampliou suas conquistas, dominando a Grécia, o Egito, a Macedônia, a Gália, a Germânia, A Trácia, a Síria e a Palestina.


No final do século I d.C., época do imperador Trajano (98-117), Roma dominava rico império que se estendia por todo o Mediterrâneo, Oriente Médio e grande parte da Europa central e do norte. Nos dois primeiros séculos de regime imperial estimava-se que havia 50 milhões de pessoas vivendo em terras romanas. A maior parte das terras foi conquistada durante a República. O império consolidou o domínio sobre as regiões e acrescentou algumas províncias, que foram mais tarde as primeiras a serem perdidas. Britânia, Dácia (atual Romênia), Assíria e Mesopotâmia (Iraque) foram ganhos efêmeros, comparados a outros territórios. Os soberanos romanos não hesitavam em eliminar qualquer rebelião ou ameaça, muitas vezes brutalmente. Uma das razões pela qual o Império foi relativamente estável no período. A expansão que existiu foi ajudada pelo trabalho de imperadores como Trajano e Claúdio. Importante fator para manutenção de terras foi também o lendária força militar romana. O Imperio ao contrário da República, teve na maior parte da existência exército forte e permanente. O exército era uma máquina profissional altamente organizado, capaz e leal ao imperador.


Com as conquistas, a vida e a estrutura de Roma passaram por significativas mudanças. O Império Romano passou a ser muito mais comercial do que agrário. Povos conquistados foram escravizados ou passaram a pagar impostos para o Império. As províncias (regiões controladas por Roma) renderam grandes recursos para Roma. A capital do Império Romano enriqueceu, e a vida dos romanos mudou.


IMPERADORES ROMANOS

Os imperadores romanos a seguir estão vinculados em vários momentos da história do Novo Testamento. A lista abaixo não perfaz, no entanto, a totalidade dos imperadores do primeiro século.

 

AUGUSTO (27 a.C a 14 d.C.). Sob seu governo ocorreram o nascimento de Jesus, o recenseamento ligado a seu nascimento e os primórdios do culto ao imperador.

 

TIBÉRIO (14-37 d.C.). Sob seu governo Jesus efetuou seu ministério público e foi morto.

 

CALÍGULA (37-41 d.C.). Exigiu que lhe prestassem culto e ordenou que sua estátua fosse colocada no templo de Jerusalém, mas veio a falecer antes que sua ordem fosse cumprida.

 

CLÁUDIO (41-54 d.C.). Expulsou de Roma os residentes judeus, dentre os quais Áquila e Priscila (At 18.2), alegando distúrbios civis.

 

NERO (54-68 d.C.). Perseguiu os cristãos, provavelmente em Roma apenas. Sob seu governo Pedro e Paulo foram martirizados.

 

VESPASIANO (69-79 d.C.). Quando ainda general romano, começou a esmagar uma revolta dos judeus, retornou para Roma para se tornar imperador e deixou o restante da tarefa ao encargo de seu filho Tito, cujo exército destruiu Jerusalém e seu templo em 70 d.C.

 

TITO (79-81 d.C.). Deve ter sido o imperador no período em que o livro de Apocalipse foi escrito.

 

DOMICUANO (81-96 d.C.). Acredita-se que tenha perseguido a igreja e, portanto, serviu de base para o livro de Apocalipse.


A CIVILIZAÇÃO URBANA

A civilização romana era bastante urbanizada, com vasta rede de cidades prósperas, repletas de belos prédios que copiavam os de Roma, com templos e Fórum público. Os extensos territórios do Império eram divididos em províncias administradas por governadores chamados pró-cônsules ou pretores, que exerciam o cargo em nome do imperador. No século III d.C., diferentes líderes resolviam questões militares. Nas províncias, as cidades se assemelhavam às romanas, governadas do acordo com sistema jurídico de estilo romano. Aspecto-chave do Império no século II foi o crescente status das províncias e suas cidades, por exemplo: Éfeso, na àsia Menor e Leptis Magna, no norte da África.


Os centros urbanos da Roma Imperial eram interligados por impressionantes redes de transportes e comunicações, possíveis pelo talento único dos romanos para a engenharia. Estradas, pontes, viadutos, portos e aquedutos foram construídos por todo o Império.


O Império era interligado por milhares de quilômetros de estradas bem construídas, normalmente feitas de lajes de pedra assentadas sobre o cascalho. Vitais por permitirem o rápido deslocamento dos soldados, ajudaram no controle de grandes territórios. No geral a rede viária se concentrava em destinos à Roma, daí o provérbio "todos os caminhos levam a Roma". Muitas dessas estradas existem até os dias atuais, como a Via Ápia, que ligava Roma ao sudeste da Itália.


Nas muitas cidade províncias do Império, os romanos tornaram realidade alguns grandes projetos de engenharia e arte romana antiga. Prédios e monumentos da era Imperial levaram ao extremo o amor dos romanos pela grandiosidade, proclamando ao mundo riqueza e poder.

Augusto acompanhou a transformação dizendo ter "encontrado uma cidade de tijolos e entregado ao povo uma cidade de mármore".


O FIM DO IMPÉRIO ROMANO

Historicamente o Império Romano chegou ao fim em 476 d.C., ano em que Rômulo Augusto foi deposto.


O colapso não ocorreria imediatamente, e é importante destacar que, enquanto o Império Ocidental definhava, florescia o Império Romano do Oriente, estabelecido no início do século IV de nossa era pelo imperador Constantino. A cultura grego-romana que inicialmente havia prosperado evoluiu para a cultura bizantina cristã, que perdurou por quase mil anos.
Essa época pode ser vista sob ótica positiva, como de certa continuidade, mais do que a desoladora visão do fim da civilização refinada que mergulhou a Europa no caos.


No século IV e V, diferentes povos conquistaram territórios antes dominados pelos romanos na Europa e Oriente Médio. Reinos e tribos germânicas se espalharam por vastas regiões nesses séculos. Os visigodos em áreas da França, Espanha, Grécia e Itália; os francos na França; os vândalos no norte da África (reino fundado em 429); e os suevos na Espanha. Em 410, os romanos se retiraram oficialmente da Britânia, onde os celtas prevaleceram antes de chegarem os anglos e saxões.

ARQUEOLOGIA DE ROMA
No ano de 357 d.C. Ammianus descreveu de maneira gráfica o então intacto resplendor de Roma, e afortunadamente esta descrição foi preservada para a posteridade. Já no século 16 foram efetuadas escavações em Roma, e durante os séculos 17 e 18, mais escavações foram realizadas. Biondi começou seus trabalhos em 1817 e De Rossi em 1853. A Comissão Pontificial de Arqueologia Sagrada tomou para si a tarefa e a tem continuado até o presente. Quem visita Roma hoje em dia pode apenas ter uma pálida idéia de seus principais edifícios, de seus monumentos e dos demais lugares importantes, encontram-se à vista e são fáceis de estudar.

O FORO, com toda sua tradição histórica, foi testemunha do julgamento e da morte de Júlio César e do discurso de Marco Antonio. O COLISEU, que cobre uma extensão de 2,5 hectares, é a estrutura onde 50.000 a 60.000 espectadores viam os cristãos serem lançados as feras. Na colina do Palatino estavam os palácios dos imperadores e o ruinoso templo de Júpiter. Podem-se observar os contornos do Circo Máximo, onde 250.000 pessoas observavam as corridas. O Arco de Tito exibe a vívida escultura em relevo do General Tito e seus soldados transportando as vasilhas sagradas quando regressavam de Jerusalém. O Arco de Constantino relata o grande acontecimento que ocorreu em 313 d.C., quando Constantino proclamou o cristianismo como a religião oficial do Império. Muitos outros lugares são hoje de sumo interesse, entre eles o antigo relógio de água utilizado para marcar as horas e os dias quando Paulo estava em Roma.

Em 1941, durante as escavações de Óstia, o porto de Roma na desembocadura do Tibre, foi encontrada uma inscrição indicando que, no princípio do reinado de Tibério, no ano de 14 d.C, Roma contava com uma população de 4.100.000 habitantes.

Fontes de pesquisa:

Módulo I de Teologia da Faculdade Teológica Betesda -  Ed Betesda

Bíblia Thompson - Editora Vida

Enciclopédia Ilustrada de História - Duetto Editora
Panorama do Novo Testamento - Editora Vida Nova

www.santovivo.net



 




                                                                        FORÚM DE ROMA







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