O GRANDE AVIVAMENTO
É possível fazer diversas listas sobre os momentos mais importantes da historia do cristianismo, mas, dificilmente, em qualquer uma delas, faltariam os avivamentos do século 18, que renovaram o fervor espiritual na Europa e na America do Norte. Conhecido como o “Grande Despertamento”, esse tempo foi marcado pela pregação da palavra de Deus e pelo número acentuado de conversões em todas as classes sociais. Mais depois de muito tempo, o ensino das Escrituras deixaram os templos e catedrais, freqüentados pelas elites e por mais uns poucos, e foram anunciados a todo povo em grandes concentrações ao ar livre.
Por trás desse impressionante mover divino, dois homens mostraram na prática que para Deus não há impossíveis. Em 1739, foi à vez de George Whitefield, com apenas 24 anos e recém-ordenado ministro, após ter concluído seus estudos na Universidade de Oxford, ver as portas e o acesso aos púlpitos se fecharem para ele, devido à forte ênfase que dava para o “novo nascimento” e para santificação em suas pregações.
Entretanto, o chamado de Cristo foi mais forte que a oposição dos clérigos e ele decidiu levar o Evangelho para fora das igrejas. Inspirado em outro jovem pregador, o galês Howell Harris, um leigo que freqüentava feiras e competições esportivas e usava como plataforma, de mesas a lombos dos cavalos para pregar, Whitefield partiu para Kingswood para anunciar a Palavra para mineiros de carvão, que viviam em condições deploráveis e eram desprezados pela sociedade.
Mesmo com intenso frio, 200 pessoas compareceram a primeira reunião. Em meio à pregação, marcada por uma oratória dramática e por sua voz forte voz, ele começou a notar faixas brancas nas faces enegrecidas dos mineiros. Logo, todos estavam chorando e quebrantados. Com a fama, milhares passaram a freqüentar as reuniões seguintes, que alcançaram Bristol, Londres e se espalharam pelo país.
Também com as portas fechadas em igrejas, um ainda relutante John Wesley decidiu aceitar o convite de Whitefield para continuar a obra em Kingswood. Ainda muito apegado aos preceitos da Igreja da Inglaterra, considerava a pregação ao ar livre nos campos e a conversão fora dos templos quase como um pecado. Mas foi preciso apenas uma experiência, para Deus tirar aquele pensamento dele. “Quando vi que era assim que poderíamos alcançar multidões de homens e mulheres, podia até dizer como Arquimedes: dêem-me um ponto de apoio e eu moverei a terra”, disse a uma congregação em Bristol.
Esse ponto de apoio foi dado pelo próprio Deus e mesmo sem os dons teatrais e a voz de órgão de Whitefield, John Wesley se tornou outro expoente do avivamento, que alcançou os países vizinhos e chegou a America do Norte, transformando-se no metodismo. Mas o “Grande Despertamento” não parou por aí. Sua influencia ainda seria sentida nos avivamentos do século 19, no ressurgimento do pentecostalismo e passaria a ser um modelo para os reavivamentos dos tempos atuais
Marcos Stefano
(Revista Eclésia)
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