SANTO VIVO - ESTUDOS BÍBLICOS
Pentatêuco - Os Cinco Livros de Moisés

O PENTATEUCO - OS CINCO LIVROS DE MOISÉS


J. DIAS E GRAÇA VERÍSSIMO DIAS

Com o termo Pentateuco designa-se o conjunto dos cinco primeiros livros da Bíblia: Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deusteronômio. Em sua forma atual, o Pentateuco apresenta-se como um andaime, formado por narrações históricas e leis.

Os judeus chamam o Pentateuco de Torá, um termo hebraico que normalmente é traduzido por "lei", mas significa bem mais, pode também ser traduzido por "ensinamento" ou "instrução".

GÊNESIS

Gênesis pode ser descrito com exatidão como o livro dos inícios. Pode ser dividido em duas porções principais.

 

A primeira parte diz respeito à história da humanidade primitiva (caps. 1-11).

 

A segunda parte trata da história do povo específico que Deus escolheu como Seu, próprio, para si (caps.12-50). O autor apresenta o material de forma extremamente simples. Oferece dez "histórias que podem ser prontamente percebidas segundo o esboço do livro. Algumas dessas histórias são breves e muito condensadas, mas, não obstante, ajudam a completar o conteúdo. É bem possível que o autor do livro tenha empregado fontes informativas, orais e escritas, pois seus relatos remontam à história mais primitiva da raça humana. Embora muito se tenha escrito sobre o assunto das possíveis fontes literárias do livro de Gênesis, há muitas objeções válidas que nos impedem de aceitar os resultados da análise destas "fontes". O livro de Gênesis salienta, por todas as suas páginas, a desmerecida graça de Deus.

 

Por ocasião da criação do munto, a graça se exibe na maravilhosa provisão preparada por Deus para as Suas Criaturas. Na criação do homem, a graça de Deus se manifesta no fato que ao homem foi concedida até mesmo a semelhança com Deus. A Graça de Deus se evidencia até mesmo no dilúvio. Abraão foi escolhido, não por merecimento, mas antes, devido ao fato de Deus ser cheio de graça. Em todos os seus contatos com os patriarcas Deus exibe grande misericórdia: sempre recebem muito mais favor do que qualquer deles poderia ter merecido.

 

Há uma outra importante característica do livro de Gênesis que não se pode esquecer, a saber, o modo eminentemente satisfatório pelo qual responde nossas perguntas sobre as origens. O homem sempre haverá de querer saber como o mundo veio à existência. Além disso, sente bem dolorosamente o fato de que alguma grande desordem caiu sobre o mundo, e gostaria de saber qual a sua natureza; em suma, preocupa-se em saber como o pecado e todas as suas tremendas consequências sobrevieram. E, finalmente, o homem precisa saber se existe alguma esperança básica e certa de redenção para este mundo e seus habitantes de que consiste essa esperança, e como veio a ser posse do homem.

ÊXODO

Assim como Gênesis é o livro dos começos, Êxodo é o livro da redenção. O livramento dos israelitas oprimidos do Egito é tipo de toda a redenção (I Coríntios 10:11). A severidade da escravidão no Egito (tipo do mundo) e Faraó (um tipo de Satanás), exigiam por assim dizer, a preparação do libertador Moisés (2:1-4:31), um tipo de Cristo. A luta com o opressor (5:1-11:10) culmina com a partida (grego, êxodo ou saída) dos hebreus do Egito.

 

São remidos pelo sangue do cordeiro pascoal (12:1-28) e pelo poder de Deus manifestado na travessia do mar Vermelho (13:1-14:31). A experiência da redenção, festejada mediante o cântico triunfal dos redimidos (15:1-21), é seguida pela prova que têm de enfrentar no deserto (15:22-18:27). No monte Sinai a nação redimida aceita a lei (19:1-31:18). O não depender da graça conduz a infração e à condenação (32:1-34:35). Contudo, triunfa a graça de Deus ao ser dado ao povo o tabernáculo, o sacerdócio e os sacrifícios, mediante os quais o povo redimido podia adorar o Redentor e ter comunhão com Ele (36:1-40:38).

 

LEVÍTICO

Conforme diz o nome, Lévitico, o terceiro livro de Moisés ressalta a função dos sacerdotes de Israel, membros da tribo de Levi aos quais Deus escolheu para prestar serviços em seu santuário (Deuteronômio 10:8).

 

Muitos crentes pensam que o Levítico é uma espécie de manual técnico que orientava os antigos sacerdotes nos pormenores das cerimônias que o povo de Deus já deixou de observar, e por isso mesmo, o Levítico é hoje o menos prezado dos livros do Pentateuco. Contudo, devemos afirmar que sua mensagem estava dirigida originariamente a todos os crentes (Levítico 1:2), e suas verdades continuam sendo de principal significado para o povo de Deus, visto que o Levítico constitui a primeira revelação pormenorizada do tema vivo do Grande Livro em geral, isto é, a revelação da forma mediante a qual Deus restaura o homem perdido.

 

Tanto a atividade redentora de Deus como a conduta do homem que se apropria de tal redenção se acham resumiddas no versículo-chave, que diz: "Ser-me-eis santos, porque Eu, o Senhor, Sou Santo, e separei-vos dos povos, para serdes meus "(20:26).

 

A fim de realizar a salvação e restaurar o homem ao seio de seu Criador, é preciso prover um meio de acesso a Deus. A primeira metade de Levítico (capítulos 1 a 16) apresenta-nos, assim, uma série de medidas de caráter religioso que representam a forma mediante a qual Deus redime os perdidos, separando-os de seus pecados e suas consequências. Os diversos sacrifícios (capítulos 1 a 7) eram figuras, por assim dizer, da morte de Cristo no Calvário, onde aquele que não tinha pecados sofria a ira de Deus em nosso lugar, para que pudéssemos ser salvos de nossa culpa (II Coríntios 5:21; Marcos 10:45).

 

Os sacerdotes levíticos (capítulos 8 a 10), prefiguravam o serviço fiel de Cristo ao efetuar a reconciliação pelos pecados do povo (Hebreus 2:17). As leis da limpeza e purificação (capítulos 11-15) deviam constituir-se em lembranças perpétuas do arrependimento e da separação da impureza, que deve caracterizar os redimidos (Lucas 13:5), enquanto o dia culminante do culto de expiação (capítulo 16) proclamava o perdão de Deus para os que se humilhassem mediante uma entrega fiel a Cristo, o qual proporcionaria acesso ao próprio céu (Hebreus 9:24).

 

Mas a salvação não é apenas separação do mal: abrange uma união positiva ao que é bom e justo. De modo que a segunda metade do Levítico (capítulos 17-27) apresenta uma série de padrões práticos do que o homem deve aceitar a fim de viver uma vida santa. Esta conduta prática inclui expressões de devoção em assuntos cerimoniais (capítulo 17), na adoração (capítulos 23 a 25), mas giram em torno de assuntos de conduta diária do amor sincero a Deus.

 

Em sua forma, Levítico existe principalmente como legislação expressa por Deus: "Chamou o Senhor a Moisés e... disse: Fala aos filhos de Israel, e dize-lhes..."(1:1-2).

 

As duas narrativas históricas (capítulos 8 a 10 e 24:10-22) servem-nos de pano de fundo para assuntos de caráter legislativo: e a única variante em sua forma, do sermão final de exortação de Moisés (capítulo 26), é seguido de um apêndice de leis que regulam matérias que em si mesmas não são obrigatórias (capítulo 27).

NÚMEROS

O livro de Números deriva seu nome em nossas Bíblias em português, como nas versões latina e grego, dos dois censos nele narrados. Em realidade, o livro forma uma divisão de um conjunto maior, o Pentaceuco. Entre os escribas judeus ele era conhecido principalmente pelo nome de "no deserto", que em hebraico é uma só palavra, "bemidbar", título tomado do primeiro versículo. É um título apropriado, de vez que o tema do livro gira em torno das vicissitudes e vitórias do povo de Israel desde o dia em que deixou a zona zul do Sinai até chegar às fronteiras da Terra Prometida.

 

O livro de Números parece, às vezes, constituir uma coleção não muito estruturada de informações, narrativas e rituais ou lei civil. Contudo, estas informações são sempre pertinentes à história, ao passo que os pronunciamentos legais surgem, com frequência, das exigências da situação na vida, tal como a autorização para celebrar uma páscoa especial (9:1-14) em circunstâncias que impediam a observância da páscoa regular; ou o pedido das filhas de Zelofeade (27:1-11) cujo resultado foi que Deus estabeleceu medidas para a herança das filhas quando não houver filho sobrevivente.

 

No aspecto histórico, o livro de Números começa onde termina o Êxodo, dando lugar necessariamente às seções de narrativas dispersas de Levítico. Abrange um período de aproximadamente 40 anos na história da caminhada de Israel para a Palestina. Conquanto estes anos descrevam, em geral, a peregrinação, é evidente que o povo residiu ao sul de Canaã, principalmente na zona conhecida como o Neguebe, não muito distante de Cades-Barnéia, durante 37 anos. No decorrer desse período, o tabernáculo foi o ponto central tanto da vida civil como da religiosa, visto como era aqui onde Moisés exercia suas funções administrativas.

 

Presume-se que o povo seguia os costumes dos povos nômades, vivendo em tendas e apascentando os rebanhos nas estepes semi-áridas. Nestas circunstâncias, o povo necessitava da provisão especial divina de alimentos e água.

 

No livro de Números, Deus é apresentado como um soberano que exige absoluta obediência à sua santa vontade, mas que também demonstra misericórdia ao penitente e obediente. Assim como o pai educa e castiga os filhos, Deus dirige a Israel, seu povo amado. Escolhe entender-se com o homem servindo-se de mediadores. Destes, Moisés é único, embora outros talvez estejam dotados de dons proféticos e até mesmo um pagão, Balaão, pode ser usado, visto como Deus é o Deus dos espíritos e de toda a carne.

 

No Novo Testamento se encontram diversas referências ao livro de Números, em que o livramento do Egito é considerado como modelo terreno da redenção eterna. Afirma-se que as experiências no deserto estão registradas para nossa admoestação (I Coríntios 10:11). Nosso Senhor Jesus Cristo referiu-se ao incidente da serpente de bronze como ilustração da forma em que Ele próprio será levantado a fim de que os que crêem nele não pereçam mas tenham a vida eterna.

 

DEUTERONÔMIO

 

O nome do livro de Deuteronômio, ou "segunda lei", sugere sua natureza e propósito. Figura, segundo consta em nossas Bíblias, como o último dos cinco livros de Moisés, fazendo um resumo e pondo em relevo a mensagem que os quatro livros precedentes contém. Não significa isto que se trata de mera repetição do que ficou dito anteriormente. Sem dúvida, Deuteronômio faz parte dos acontecimentos históricos que se deram previamente, em particular no Êxodo e em Números. Contudo vai além destes relatos visto que os interpreta e os adapta.

 

Através deste livro, os acontecimentos estão repletos de significado. Moisés proporciona-nos bastante história; mas em quase todos os casos relaciona os acontecimentos com a lição espiritual que sublinham. Toma a legislação que Deus dera a Israel havia quase 40 anos, e adapta-se às condições de vida da coletividade na terra para a qual Israel se mudaria em breve.

 

Quando este livro foi escrito, a nação de Israel se encontrava na terra de Moabe, ao leste do rio Jordão e do mar Morto. Numa oportunidade anterior, Israel havia falhado, por falta de fé, ao não entrar na Palestina. Agora, 38 anos depois, Moisés reúne o povo escolhido e procura infundir-lhe fé que capacitará a avançar em obediência. Diante deles está a herança. Os perigos, visíveis e invisíveis, jazem além. Acompanha-os Deus, a quem chegaram a conhecer melhor durante suas experiências na penísula do Sinai, penísula deserta e escarpada. Moisés compreende, corretamente, que os maiores perigos que os assediam estão na esfera da vida espiritual; sendo assim, sua mensagem acentua o aspecto espiritual. O Senhor Deus deles, é o único Senhor; foi ele quem os libertou da escravidão. Deu-lhes a lei. Selou uma aliança com eles. São o seu povo. O Senhor exige devoção e adoração exclusivas. Seus caminhos são conhecidos do povo.

 

Mediante longa experiência, Israel aprendeu que o Senhor honra a obediência e castiga a transgressão. Agora, em um novo sentido, Israel age por sua própria conta, sob a direção do Senhor e em sua própria casa. O livro abrange toda uma gama de perguntas que surgem desta nova fase da vida de Israel. Sua atitude para com o Senhor é, naturalmente, o principal problema. Moisés, com toda a diligência de que é capaz, convida Israel a confiar de todo o coração no Senhor, e a fazer das leis divinas a força diretriz de suas vidas. Esta lei, se obedecida, infundirá vida e fará que os israelitas sejam povo destacado entre todas as nações. Receberão bênçãos, e as nações reconhecerão que seu Deus é Senhor. Porém, se Israel imitar a conduta das nações vizinhas, esquecendo-se de seu Deus, então sobrevirá a aflição, e finalmente será espalhada entre os povos.

 

Através do livro todo acentua-se a fé somada a obediência. Em um sentido verdadeiro, esta é a chave do livro.

PRIMEIRA COLEÇÃO DIVINAMENTE INSPIRADA

O Pentateuco foi à primeira coleção literária divinamente inspirada reconhecida como Escritura pela comunidade judaica. Como tal, é a parte mais importante do cânon hebraico. Sua posição superior no cânon do Antigo Testamento em respeito à autoridade e santidade é evidenciada por sua posição e separação dos outros livros na Septuaginta. Todas as traduções completas das Sagradas Escrituras principiaram com o Pentateuco.

 

AUTORIA DE MOISÉS

Para afirmar que estes cinco livros foram escritos por Moisés, existem vários argumentos:

1 - Tradição:

Uma antiga tradição hebraica atribui a coleção a Moisés. A convicção do povo judeu evitou a discussão sobre questões literárias e de traduções sobre o Pentateuco. Por todo o Antigo Testamento permeia a tradição mosaica (Js 8.31,34; 23.6; 1Re 2.3; 2Re 18.12; Ne 7.8).

 

2 - Referência feita pelos profetas:

Os outros livros do Antigo Testamento, especialmente os profetas, estão cheios de referências, mais ou menos explícitas aos Cinco Livros, sempre citando Moisés como autor.

 

3 - Jesus Cristo e seus discípulos:

Concordam nas referências que fazem à origem mosaica do Pentateuco. É impossível ler passagens como as de João 1.17; 5.45-47 e 7.19-23 sem reconhecer a real autoridade de Moisés nos escritos da Lei. Ainda no Evangelho de João, temos uma citação de Jesus “Moisés escreveu a meu respeito” (Jo 5.46), e Ele explicou a seus discípulos no caminho de Emaús o que as Escrituras diziam dele, “começando por Moisés” (Lc 24.27).

 

4 - O testemunho de alguns intelectuais:

Estes intelectuais dos séculos após Cristo, seguem naturalmente as tradições judaicas, aceitas sem contestação por Tácito, Juvenal, Strabo e também por Longino, Porfírio e o Imperador Juliano.

 

Obs.:

Existem outras teorias que contestam a autoria do Pentateuco, porém este estudo é para pessoas que acreditam na inspiração divina das Escrituras Sagradas. Portanto não é necessário citar as teorias contestatórias.

 

COMPOSIÇÃO E UNIDADE

O Pentateuco é um documento de livros individuais, mas também uma narrativa ininterrupta de uma história completa que vai da criação até a morte de Moisés.

 

Em primeiro lugar, cada um dos livros tem seu próprio interesse e unidade.

 

Gênesis revela sua estrutura literária repetindo dez vezes “esta é a história” ou “são estas as gerações”.

 

Êxodo revela sua unidade de diversas maneiras. Por exemplo, a lei nos capítulos 19 – 40 baseia-se na narrativa do êxodo de Israel do Egito. Sem narrativa, a Lei não tem fundamento histórico.

 

Levítico é um manual de liturgia para os sacerdotes.

 

Números relata a marcha de Israel no deserto desde o Sinai até Canaã.

 

Deuteronômio registra a exposição de Moisés da lei que ele recebera no monte Sinai.

 

Assim como o Êxodo lembrado no memorial da Páscoa prefigura a salvação do “novo Israel” através do sacrifício de Cristo, a história de Números dramatiza a marcha espiritual de todos os filhos de Deus através do deserto em seu caminho para a Terra Prometida, advertindo-os a não perder a fé.

 

Os cinco livros do Pentateuco estão ligados entre si através da narrativa contínua.

 

Êxodo continua a história começada em Gênesis sobre os israelitas que foram para o Egito (Gn 46.26-27; Ex 1.1). Moisés cumpre o juramento de José, feito em seu leito de morte, de que levassem seus ossos embora do Egito (Gn 50.25; Ex 13.19).

 

Levítico nos capítulos de 1 – 9 explica os rituais do Tabernáculo, com uma espécie de suplemento das instruções para sua construção em Êxodo de 25 – 40.

 

Levítico também mostra como foi realizado o rito para a ordenação de sacerdotes, delineado em Ex 29.

 

O Livro de Números compartilha muitas conexões com Êxodo e Levítico. Extensas porções dos três livros ocorrem no deserto do Sinai e compartilham preocupações e regulamentos cerimoniais semelhantes.

 

Em seu primeiro discurso em Deuteronômio, Moisés resume a história de Israel desde o Sinai até a terra de Moabe, conforme registrado em Números. Em seu segundo discurso, ele faz alusões freqüentes ao Êxodo, repetindo com pequenas modificações os Dez Mandamentos e o modo de Israel corresponder a eles (Ex 20; Dt 5).

 

A divisão do Pentateuco em cinco livros é na verdade uma divisão secundária do que fora elaborado para uma unidade literária. Por isso, a melhor maneira de entender o Pentateuco, é vendo nele um livro dividido em cinco volumes.

 

ESTRUTURA LITERÉRIA

A estrutura literária do Pentateuco é mera expansão da promessa feita a Abrão, conforme podemos descrever:


Gênesis 1 – 11: Criação, queda e julgamento.

Gênesis 12 – 50: Aliança, eleição de Abraão e conservação providencial de sua família.


Êxodo: Livramento milagroso do povo de Israel da escravidão no Egito. No Sinai é outorgada a Lei como constituição teocrática para Israel.

 

Levítico: Expansão da Lei com o propósito de santidade para o povo.

Números: Provação e purificação do povo da aliança na peregrinação pelo deserto do Sinai.


Deuteronômio: Renovação da aliança e segunda entrega da Lei, como preparativo para a entrada na terra prometida pela segunda geração do povo de Deus.

 

O Pentateuco é uma rica coleção de gêneros ou tipos literários. Essa diversidade de tipos realça a natureza artística da obra e os temas teológicos principais e unificadores da antologia. Justamente por isso, essas formas literárias múltiplas e complexas foram diretamente responsáveis pelo debate contínuo sobre a composição e a data do Pentateuco.

 

A maior parte da literatura da lei é prosa narrativa. Ela é simples, mas direta e expressiva. O texto é quase todo um relato histórico registrado na terceira pessoa. Os exemplos da beleza de narrativa direta do Pentateuco podem ser lidos nos seguintes textos: a intercessão de Abraão pelos moradores de Sodoma, em Gênesis 18.23-33. No discurso de Deus a Moisés, em Êxodo 3.7-12.

 

As narrativas combinam habilmente relatos históricos e interpretação teológica. Isso faz do Pentateuco mais que um mero registro dos acontecimentos em ordem cronológica. Também não pode ser chamado de propaganda religiosa intencional para explicar ou justificar ações, fatos, instituições ou doutrinas. O melhor exemplo dessa combinação deve ser a interpretação providencial do sofrimento de José em benefício da família de Jacó narrada em Gênesis 50.15-21.

 

A linguagem do Pentateuco é simples e bela, usando a linguagem antropomórfica (atribuição de características humanas a Deus) e referencias freqüentes à teofania (manifestação visível e audível de Deus ao ser humano).  As caracterizações detalhadas e as tramas repetidas nas histórias levaram alguns estudiosos a usar palavras como “mito” ou “saga”, “folclore” e “lenda” para descrever partes das narrativas do Pentateuco, em especial do Gênesis. Tradicionalmente os estudiosos evangélicos evitaram empregar esses rótulos para as narrativas da Lei para que os relatos não fossem considerados ficção. A incapacidade dos estudiosos atuais de definir esses gêneros literários também contribui para a relutância em usarem tais palavras. Mais uma vez a crença na historicidade do Antigo Testamento impede alguns estudiosos de incluírem Gênesis nessas categorias mal definidas.  

 

O Pentateuco contém alguns dos exemplos mais antigos de poesia hebraica de todo o Antigo Testamento. A análise cuidadosa da ortografia, do significado das palavras e da organização das frases indicou o aspecto antigo de vários trechos poéticos, dos quais destacam-se o cântico do mar, composto por Moisés (Ex 15), os oráculos de Balaão (Nm 23 e 24), a benção de Jacó (Gn 49) e o cântico e a benção de Moisés (Dt 32 e 33).

 

O propósito da lei hebraica também teve implicações na forma literária da legislação do Antigo Testamento. Sua lei era uma aliança; era lei contratual que envolvia duas partes distintas. A lei garantia proteção divina em caso de obediência e os deixava sem a proteção de Deus, quando estivessem em desobediência ao Senhor.

 

CRONOLOGIA E CONTEXTO HISTÓRICO

Os cinco livros da Lei narram o período iniciado na criação até a morte de Moisés no monte Nebo, em Moabe, pouco antes da conquista israelita de Canaã. Obviamente, é impossível determinar a data da origem deste planeta e do sistema solar. Embora estimativas variem de dezenas de milhares a bilhões de anos, parece melhor considerar a criação como um “mistério sem data”.

 

As narrativas do Pentateuco, desde o chamado de Abraão (Gn 12) até a morte de Moisés (Dt 34), podem ser atribuídas às Idades do Bronze Médio e Tardio da história do Antigo Oriente Médio. Em uma séria cronológica elementar, isso significa que o Período Patriarcal se estendeu de 2000 a 1600 a.C. aproximadamente, enquanto Moisés e o Êxodo datam de 1500 a 1200 a.C. (dadas as opções de data mais antiga, século 15 a.C. e recente século 12 a.C. para o Êxodo israelita do Egito).

 

Embora os cinco livros tratem em sua essência da história de Israel, os egípcios foram o povo que mais se destacaram na formação do contexto histórico do Pentateuco. O contato esporádico de Abraão com o Egito resultou na migração e instalação de todo clã de Jacó na região do delta do Nilo. Em decorrência disso os hebreus residiram no país durante vários séculos, multiplicando-se e formando uma grande nação, ao mesmo tempo que se aculturam completamente à civilização egípcia. Alguns fatos indicam o mal que causou essa influencia: pouco depois do Êxodo, os hebreus recaíram na adoração de uma divindade provavelmente egípcia, o bezerro de ouro (Ex 32.1-10); durante a peregrinação, o povo desejou voltar ao Egito (Nm 11.4-6).

 

Embora a maior parte da história do Pentateuco seja atribuída às Idades do Bronze Médio e Tardio do Antigo Oriente Médio, ainda não se chegou a uma cronologia exata para os patriarcas hebreus. Antigos teólogos colocam as personagens em uma estrutura cronológica fixa, determinando o ano exato de cada acontecimento. Por exemplo o nascimento de Abraão data de 2166 a.C., o início da viagem de Abraão a Canaã foi em 2091, o sacrifício no monte Moriá de 2056, e a morte do patriarca de 1991 a.C. Outros encaixam os patriarcas em uma série cronológica relativa, distribuindo-os nos quatro séculos entre 2000 e 1600 a.C.

 

CONCLUSÃO

Os princípios teológicos fundamentais da lei permanecem intactos com exceção da anulação funcional de aspectos da lei civil e cerimonial, e nos ensinamentos do Novo Testamento. Como revelação inspirada por Deus, as Escrituras do Pentateuco são plenas de autoridade em si mesmas, no ensinamento explícito ou no conceito teológico implícito. Embora Jesus Cristo seja o Cordeiro da Páscoa, tornando todos os sacrifícios de animais obsoletos e desnecessários (1Co 5.7), o Novo Testamento ainda exorta todo cristão a apresentar-se como “sacrifício vivo” (Rm 12.1,2). Da mesma forma, todos os cristãos são exortados a serem santos como Deus é santo (1Pe 1.16), pois constituem sacerdócio real em Cristo Jesus (1Pe 2.9).



Leia mais sobre o assunto acessando: 


Estudo do Livro de Gênesis

Estudo do Livro de Êxodo


www.santovivo.net

 

FONTES:

Panorama do Antigo Testamento - Editora Vida

Bíblia de estudo de Genebra - Editora SBB

Dicionário Bíblico - Editora Betânia
O Pentateuco - Félix Garcia López - Editora Paulinas

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