SANTO VIVO - ESTUDOS BÍBLICOS
Negociata com Deus

NEGOCIATA COM DEUS


Desde o Éden, o homem tenta negociar com Deus um projeto de vida boa, em vez de simplesmente viver para sua glória e alegria – objetivos para os quais foi criado. E isso não é diferente hoje, especialmente pelos “profissionais” da religião que são detentores dos saberes e mistérios sagrados e imaginam possuir a legitimidade de intermediários de Deus.

As realidades espirituais e materiais da vida acabam se tornando bens simbólicos, mercadoria, objetos de troca. O ministro religioso tradicional usa o seu senso profético para intimidar o fiel que não contribui para a igreja e até se dá ao luxo de chamá-lo de ladrão, mas também mostra um sinal de esperança admoestando-o de que se der o dízimo ou a contribuição, Deus retribuíra em dobro e ele receberá chuvas de benesses celestiais. Ao final você paga os 10%, fica com 90% e, por tabela acaba ainda recebendo uma premiação. Um excelente negócio com Deus. Se der ganha; se não der será castigado.


O Ministro religioso não-tradicional, que utiliza à lógica e a racionalidade do mercado é mais marqueteiro, pois só fala de benefício. Quem ainda não acreditou na sua mensagem é um “cliente” em potencial e precisa ser tratado com cortesia. O ministro não-tradicional é como um despachante de Deus aqui na terra. A técnica de fidelização segue um roteiro: primeiro, mostra-se ao fiel em potencial que ele tem um problema grave, um “encosto” ou algo semelhante, e que a vida dele poderá ser muito melhor caso filie-se aquela comunidade – e logicamente pague a “taxa de adesão”. Será “benção pura, sem mistura”.


Os testemunhos duram cerca de 10 minutos (para cansar o “freguês”) e são divididos em duas partes - como os anúncios de clínicas de emagrecimento, “antes e depois”. Benção garantida ou fé de volta. Não dá para devolver o dinheiro, pois já entrou na “caixa de Deus” e com Ele ninguém pode brincar. A fé é devolvida, pois se não funcionou é porque o fiel não a teve no tamanho (isto é no valor) suficiente. Então precisa dar mais.


A revelação progressiva das Escrituras indica no Novo Testamento que, em vez dos míseros 10%, Deus quer os 100% de nossa vida, e não apenas de nosso dinheiro (Lucas 9.23).


Assim a contribuição ao seu Reino e a igreja não deve ser objeto de ameaça ou de negociata com o Senhor, mas fruto de alegria, conforme 2Coríntios 9.7, resultado de um coração cujo senso de realização advém de uma vida inteiramente depositada no altar. A contribuição é produto de uma vida consagrada e não um meio de produzir a vida consagrada.


Se o foco for nos 100%, a vida toda está incluída; assim, por que também não dedicar o “dízimo” da profissão atendendo pessoas carentes, por exemplo?


Para sermos alegres basta termos alimento e abrigo (roupa moradia), em vez de ficarmos querendo mais e mais de Deus – I Timóteo 6.8.



Lourenço Stelio Rega

Teólogo, educador e escritor

www.etica.pro.br

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