SANTO VIVO - ESTUDOS BÍBLICOS
Constantino, Imperador Cristão

CONSTANTINO, IMPERADOR CRISTÃO

*J. Dias


O PRIMEIRO IMPERADOR CRISTÃO

O primeiro imperador cristão, Flavius Valerius Constantinus, nasceu em 275, em Drepanum localidade romana da Bitínia, atual Turquia. Filho de Constâncio Cloro (250-306) imperador romano do Ocidente nos anos de 305 e 306, com uma jovem de nome Júlia Helena. Anos mais tarde ela seria canonizada pela Igreja Católica, como Santa Helena. Constantino teve uma boa educação, principalmente por ser filho de uma mulher de língua grega e haver vivido no Oriente Grego.


No ano de 305, quando Diocleciano abdicou do trono imperial, a religião cristã era terminantemente proibida e aqueles que a professassem eram castigados com torturas e morte. Contra o cristianismo estavam todos os poderes do Estado.


A BATALHA DA PONTE MÍLVIA
A Batalha da Ponte Mílvia aconteceu em 28 de Outubro de 312, entre os imperadores romanos Constantino e Maxêncio. Com a vitória de Constantino, o rumo da história da Europa e, por extensão, do Ocidente, seria alterado radicalmente.

A causa subjacente da batalha era a disputa que já durava 5 anos entre Constantino e Maxêncio sobre o controle da metade ocidental do império. Apesar de Constantino ser o filho do imperador Constâncio Cloro, o sistema de poder em vigor na altura, a tetrarquia, não providenciava necessariamente uma sucessão hereditária. Quando Constâncio Cloro faleceu a 25 de Julho de 306, as tropas de seu pai proclamaram Constantino como o Augusto, mas em Roma, o favorito era Maxêncio, o filho do predecessor de Constâncio Cloro, Maximiano. Ambos os homens continuaram a clamar o título desde então, apesar de uma conferência que deveria resolver a disputa ter resultado na nomeação de Maxêncio como imperador sénior, juntamente com Galerius. A Constantino foi dado o direito de manter as províncias da Britânia e na Gália, mas era oficialmente apenas um "César", ou imperador júnior.

Em 312, os dois homens estavam de novo em conflito, apesar de serem cunhados. Muito disto era por obra do pai de Maxêncio, Maximiniano, que tinha sido retirado à força do cargo de imperador em 305 por pressão de Diocleciano. Maximiniano maquinou e enganou o próprio filho como também a Constantino, tentando reaver o poder. Acabou por ser executado por Constantino em 310. Quando Galerius morreu, em 312, a luta pelo poder estava aberta. No verão de 312, Constantino reuniu as suas forças e decidiu resolver a contenda pela força.

Apesar de ter capturado bastiões de Maxêncio enquanto cruzava a Itália naquele verão, Constantino deve ter tido algum pressentimento ao rumar de volta para o sul da Gália (França). Seu exército era muito menor do que o de Maxêncio, e sua força baseada na cavalaria, que tinha melhor desempenho em espaço aberto. Entretanto, antes da batalha, teria experimentado uma conversão religiosa que colocou o Deus cristão do seu lado. Contam que teve uma visão de uma cruz flamejante nos céus e ordenou que colocassem símbolos cristãos nos escudos do seu exército.

Ao iniciar a batalha, Maxêncio, lutando em nome de Marte, o deus romano da guerra, surgiu em espaço aberto, oferecendo vantagem a Constantino. tendo destruído a ponte Mílvia para conter o rival, Maxêncio foi obrigado a cruzar com seu exército o rio Tibre em travessia feita sobre barcas. Na batalha, a cavalaria de Constantino rompeu as linhas inimigas com cargas precisas. Cercadas, as tropas de Maxêncio recuaram para o rio, onde muitos soldados inclusive Maxêncio se afogaram. No dia seguinte, em triunfante desfile, Constantino marchou pelas ruas de Roma com a cabeça de Maxêncio espetada em uma lança.


A CONVERSÃO DE CONSTANTINO

Constantino era favorável aos cristãos, apesar de ainda não se confessar como tal. Ele afirma ter visto no céu uma cruz luminosa com a seguinte inscrição: “Por este sinal vencerás”, e mais tarde adotou essa inscrição como insígnia do seu exército.


Ele tinha certeza que o labarum, representação monogramática de Cristo desenhado nos escudos dos soldados, assegurou sua vitória sobre Maxêncio. A batalha da Ponte Mílvia, em 28 de outubro de 312, resultou na ascensão de Constantino ao título de Augusto Ocidental ou soberano da totalidade da metade ocidental do Império Romano. A partir daí, de vitória em vitória, foi creditando todo o seu êxito ao Deus dos cristãos.


Ainda em 312, partiu para a conquista de Roma. No dia seguinte à vitória e domínio sobre Roma, ele pediu ao senado da cidade que fosse inscrito o monograma de Cristo no estandarte da imagem dedicada ao imperador. A inscrição triunfal proclamava que era por esse sinal, “insígnia da verdadeira Potência”, que ele havia conquistado a vitória.


A partir de então, Constantino se tornou servidor de Cristo. Ele se proclamou cristão pelas leis que promulgou, pelos monumentos arquitetônicos com que adornou primeiro Roma e depois Constantinopla, pelas numerosas basílicas e igrejas construídas e dedicadas a mártires cristãos. Sua preocupação em não perder os favores do Deus da vitória beirava a obsessão.


O Edito de Milão, conhecido também como Edito de Tolerância, foi decretado em 313, a fim de acabar com a perseguição aos cristãos e a outras religiões. Ele convenceu Licínio (tetrarca Oriental do Império Romano) a conceder liberdade de culto também em seus territórios, e a restituição dos locais de culto das comunidades, sem pagamento ou exigência de qualquer indenização; as compensações seriam provenientes dos cofres do Estado. O próprio Constantino apressou-se em restituir às igrejas locais os edifícios que haviam sido confiscados durante o período de perseguição.


Preocupado em não perder o favor de Deus, Constantino cuidava para que em todo o Império, um suntuoso culto lhe fosse prestado. A fim de que os clérigos fossem inteiramente livres para servir a seu Deus da maneira mais conveniente, o imperador os isentou de todos os encargos públicos. Os militares se fossem cristãos, deveriam comparecer ao ofício dominical; caso fossem pagãos, eles se reuniriam no exterior da cidade da guarnição, em local descoberto e recitariam em conjunto uma prece ao Deus dos cristãos, na qual deveriam pedir prosperidade para o império e, para o imperador: salvação, vitória e um reinado feliz.

Constantino fez confeccionar 50 conjuntos de textos bíblicos destinados ao culto nas igrejas que não dispunham dos livros litúrgicos requeridos. Ele próprio era assíduo nas cerimônias religiosas e nas orações em seu palácio. Para dar um brilho particular ao culto celebrado nos lugares “santos”, os locais marcados pela passagem de Cristo (Belém, o Gólgota, o Santo Sepulcro, o Monte das Oliveiras) e os lugares onde os mártires cristãos morreram, Constantino construiu obras suntuosas, que modificaram o urbanismo das cidades da Palestina e, sobretudo de Roma.


Se Constantino não foi um grande cristão, foi sem dúvida um grande político, pois teve a idéia de se unir ao movimento que dominaria o futuro do seu império, o cristianismo. Da repentina mudança de relações entre o império e a Igreja, surgiram resultados de alcance mundial. Alguns úteis e outros danosos, tanto para a Igreja como para o Estado. É fácil verificar em que sentido a nova aliança de governo beneficiou a causa do cristianismo.


Como já foi dito, cessaram todas as perseguições. Durante duzentos anos antes de Constantino, em nenhum momento os cristãos estiveram livres de perigos, acusações e morte. Entretanto, desde a publicação do Edito do imperador, no ano de 313, até o término do Império, a espada não foi somente embainhada, foi enterrada.


De início a adoração pagã ainda era tolerada, porém haviam cessado os sacrifícios oficiais. Mas, em muitos lugares os templos pagãos foram dedicados ao culto cristão. Em todo império os templos dos deuses pagãos que eram mantidos pelo tesouro publico, perderam esse direito. Agora com a mudança que se operara esses donativos passaram a ser concedidos às igrejas e ao clero cristão. O dinheiro público foi enriquecendo as igrejas, e os ministros do culto cristão passaram a ser pagos pelo Estado. Era uma dádiva bem recebida pela Igreja, porém de benefício duvidoso.


Ao clero foram concedidos muitos privilégios nem sempre dados pela lei do Império. Por exemplo: os deveres cívicos, obrigatórios para todos os cidadãos, não se exigia dos clérigos; estavam isentos de pagamentos impostos, as causas em que estivessem envolvidos os clérigos, eram julgadas por cortes eclesiásticas e não civis, como deveria ser. Os ministros da Igreja formavam uma classe privilegiada acima das leis do país.


O imperador proclamou o primeiro dia da semana, domingo, como o dia de descanso e adoração. No ano de 321 foi proibido o funcionamento de cortes e tribunais aos domingos, exceto em se tratando de processo para dar liberdade a escravos. Os soldados estavam isentos de exercícios militares aos domingos.


Ao adotar o cristianismo como religião oficial, surgiram bons resultados tanto para o povo quanto para a Igreja. A crucificação foi abolida. A crucificação era um castigo comum para os criminosos, exceto para os cidadãos romanos, os únicos que tinham direito de serem decapitados, se fossem condenados a morte. A cruz, emblema do exército de Constantino, foi proibida como instrumento de morte. O infanticídio foi reprimido. Na história de Roma e suas províncias era comum que qualquer criança que não fosse do agrado do pai, podia ser asfixiada, ou abandonada nas florestas para que morresse. Existiam pessoas que viviam de recolher crianças abandonadas para criar e depois vendê-las como escravas.


Antes de o cristianismo ser considerada religião oficial do Império, mais da metade da população de Roma era escrava sem nenhum direito ou proteção legal. Qualquer senhor podia matar seus escravos se assim desejasse. Agora os escravos possuíam direitos legais. De acordo com a lei o escravo podia até acusar seu amo de tratamento cruel quando castigado fisicamente, podendo o proprietário ser castigado com a emancipação do escravo. Dessa forma a escravidão foi gradativamente abolida. As lutas de gladiadores foram proibidas.


Todos queriam participar da Igreja e quase todos eram aceitos sem a devida conversão. Tanto os bons como os maus, os que buscavam verdadeiramente a Deus e os hipócritas que só queriam a igreja para ter direito as benesses do Estado. O nível moral do cristianismo no poder era bem abaixo do que distinguia os cristãos de outras religiões nos tempos da perseguição. Na verdade a perseguição havia “purificado” a Igreja, já que só se convertia quem tinha o desejo sincero de servir a Cristo, sabendo que corria risco de perder todos seus bens e até a vida. Agora todos queriam fazer parte da Igreja para obter poder político


Constantino devotou um culto fervoroso ao “signo” que lhe deu a vitória da ponte Mílvia. Verdadeiro talismã. A partir de 312, esse signo se tornou a “Potência” divina presente ao lado do imperador e substituiu assim as estátuas pagãs.


Até 324, Constantino consolidou sua superioridade militar em relação ao Oriente, enfraquecendo a tetrarquia, o que tornou inevitável o embate com Licínio. Com a derrota de seu ex-parceiro, Constantino unificou o Império e reforçou a defesa de suas fronteiras. Como soldado, jamais perdeu uma só batalha.


Apesar da adesão ao cristianismo, a conversão real só aconteceu às vésperas de sua morte, ocorrida em 12 de maio de 337, quando finalmente recebeu o batismo cristão. Ele retardou o ato de seu batismo até as vésperas de sua morte, porque cria que a ato do batismo lavava todos os pecados cometidos anteriormente, idéia que prevalecia entre a maioria dos cristãos daquela época.


*Editor do Site


FONTES:

Revista História Viva – Editora Duetto

História da Igreja Cristã – Jesse Lyman Hulbart – Editora Vida

Enciclopédia Ilustrada da História - Editora Duetto


www.santovivo.net







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