SANTO VIVO - ESTUDOS BÍBLICOS
Estudo de 1 Coríntios

ESTUDO DA PRIMEIRA EPÍSTOLA DE PAULO AOS CORINTIOS

Prof. Anísio Renato de Andrade


AS EPÍSTOLAS DE PAULO AOS CORÍNTIOS

A CIDADE DE CORINTO – GRÉCIA

Localização

As quatro cidades mais importantes do Império Romano eram: Roma, Corinto, Éfeso e Antioquia da Síria. Portanto, Corinto era célebre. A cidade localizava-se em um istmo, que é uma porção de terra que liga uma península ao continente. Possuía dois portos. Assim, além de ser a única passagem por terra entre o norte e o sul da Grécia, era também passagem entre a Ásia, a Palestina e a Itália. Os navegantes poderiam dar a volta pelo sul da península. Porém, o mar na região era muito tempestuoso. Corinto era então um corredor de mercadorias. Além disso, suas terras eram férteis. A cidade era rica e tinha localização estratégica no cenário mundial.

História

Corinto grega

No auge da civilização grega, Corinto já ocupava lugar de destaque. Em 146 a.C., a cidade foi destruída pelo cônsul romano Mummius.

Corinto romana

Devido à sua posição estratégica, a cidade foi reconstruída em 46 a.C. por Júlio César, tornando-se capital da Província Romana da Acaia. A nova Corinto possuía ruas amplas, praças, templos (Netuno, Apolo, etc), estádio (I Cor.9.24), teatros, estátuas, e o santuário de mármore branco e azul (Rostra), onde se pronunciavam discursos e sentenças.

A idolatria de Corinto

A idolatria fazia parte da cultura grega com seus inúmeros deuses mitológicos. Ao sul de Corinto havia uma colina chamada Acrocorinto, que se elevava a 152 metros acima da cidade. Ali estava o templo de Afrodite, também chamada Astarte, Vênus ou Vésper, – deusa do amor e da fertilidade.

A corrupção de Corinto

Os cultos a Afrodite incluíam ritos sexuais realizados por 1000 sacerdotisas, ou seja, prostitutas cultuais. O fato de ser cidade portuária, contribuía para que umas séries de problemas se estabelecessem. Muitos viajantes que por ali passavam se entregavam à prostituição e à prática de outros delitos. O fato de estarem de passagem criava uma sensação de impunidade, o que de fato se concretizava normalmente. Estes e outros fatores contribuíam para uma corrupção generalizada na cidade.

História recente

A cidade de Corinto foi destruída por um grande terremoto em 1858. Em seguida foi reconstruída a 6 km do local anterior. Escavações na cidade antiga permitiram diversas descobertas arqueológicas, tais como monumentos, imagens e ruínas de casas, templos e palácios.

A IGREJA EM CORINTO

A igreja em Corinto foi fundada pelo apóstolo Paulo durante sua 2a viagem missionária, entre os anos 50 e 52 d.C. Ali, Paulo permaneceu durante dezoito meses (At.18.1-8). A igreja era composta por judeus e gentios. Entre seus membros havia ricos e pobres, inclusive escravos.

AS EPÍSTOLAS AOS CORÍNTIOS

Em nossas bíblias, temos duas epístolas de Paulo aos Coríntios. Entretanto, sabemos que elas seriam pelo menos três. Em I Cor.5.9, Paulo se refere a uma carta anterior, a qual não chegou às nossas mãos. Em II Cor. 7.8 existe referência à outra carta que pode ser I Coríntios. Alguns comentaristas sugerem que a carta mencionada em II Cor.7.8, seja uma outra epístola. Nesse caso, teríamos quatro epístolas. Trabalhando ainda com hipóteses, sugere-se que essa epístola corresponda aos capítulos 10 a 13 de II Coríntios, os quais poderiam ter sido ali agrupados posteriormente.

Temos então o seguinte esquema:

1a carta - desaparecida - existência garantida por I Cor.5.9

2a carta - é a que chamamos I Coríntios.

3a carta - desaparecida – existência hipotética.

4a carta – é a que chamamos II Coríntios.

A PRIMEIRA EPÍSTOLA DE PAULO AOS CORÍNTIOS

Autor: Paulo (1.1)

Escritor: Sóstenes (1.1)

Data: 56 d.C.

Local: Éfeso (16.8)

Texto chave: 5.7

Tema: o comportamento do cristão.

Classificação: eclesiologia (Estudos referentes à igreja).

Principais motivos da carta

Nessa epístola, Paulo não expõe os fundamentos do evangelho, como fez na carta aos Romanos. Afinal, ele já estivera doutrinando os coríntios pessoalmente durante um ano e meio. Paulo escreveu àquela igreja depois de receber uma carta com perguntas dos coríntios (I Cor. 7.1; 8.1-13) e a visita de pessoas que vieram trazendo más notícias (1.11; 16.17). Os problemas dos coríntios eram muitos. Em destaque estavam a divisão e a imoralidade.

Divisão na igreja

Logo que Paulo saiu de Corinto, após ter fundado a igreja, Apolo chegou e deu prosseguimento ao trabalho (At.18.24-28). Como disse o apóstolo: "Eu plantei, Apolo regou.." (I Cor.3.6). Sua obra foi importante e digna de reconhecimento. Ele era homem eloqüente e conseguiu conquistar a simpatia de muitos coríntios. Ao que parece, os irmãos ficaram impressionados com a pessoa de Apolo e começaram a fazer comparações com Paulo, que talvez não falasse tão bem. (I Cor.2.1-5; II Cor. 10.10). Muitos chegaram a desprezar o apóstolo Paulo, questionando sua autoridade e seu ministério. (I Cor.1.11-14). Formaram-se então partidos dentro da igreja: os de Paulo, os de Apolo, os de Cefas (Pedro em Aramaico) e os de Cristo (I Cor.1.12). Não sabemos se Pedro esteve pessoalmente em Corinto. Pode ser que sim. De qualquer forma, é mais provável que o nome de Pedro tenha sido levado por judeus cristãos que vieram de Jerusalém. Talvez esse grupo corresponda aos judaizantes que tantos problemas criaram para Paulo.

O fato de alguns se intitularem "de Cristo" pode ter sentido positivo ou negativo. Isso poderia significar uma consagração maior, uma rejeição ao partidarismo, mas pode também indicar independência, rejeição a todo tipo de liderança e uma manifestação "orgulho espiritual". Conquanto não possamos tirar conclusões sobre isso na primeira epístola, o texto de II Cor. 10.7 parece mostrar que aqueles que se diziam "de Cristo" eram os mais problemáticos.

Influências da cidade

Como vimos, a cidade de Corinto estava dominada pela idolatria, pela imoralidade e pela corrupção generalizada. Tais fatores estavam "batendo à porta da igreja". Esta situação não é diferente nos nossos dias, quando o "modernismo" e o "mundanismo" estão querendo entrar no nosso meio. Não podemos simplesmente nos fechar para tudo o que nos rodeia. Nesse caso, teríamos que "sair do mundo". Contudo, precisamos discernir o que é aceitável e o que não é. Muitas influências podem até ser positivas. O que não se pode admitir é a entrada do pecado na igreja. Por exemplo, se usamos instrumentos musicais que foram inventados por ímpios, isso não é problema, mas se trouxermos a sensualidade mundana para a igreja estaremos recebendo o lixo do mundo. Em Corinto, as influências da cidade estavam fazendo apodrecer a igreja. Os costumes pagãos estavam influenciando até mesmo a desorganização dos cultos.

A carnalidade dos cristãos coríntios

A influência externa só produz resultado quando encontra receptividade interna. A carnalidade daqueles cristãos era a porta aberta para os males externos. Assim, surgiam diversos problemas na vida da igreja. No capítulo 2, Paulo fala sobre o "homem natural" (v.14) e o "homem espiritual" (v.15). O homem natural é o ímpio. O espiritual é o cristão controlado pelo Espírito Santo. No capítulo 3, verso 1, o autor se refere ao "homem carnal". Carnalidade é o modo de vida de acordo com os desejos descontrolados da natureza pecaminosa. O homem carnal é o crente sem o controle do Espírito Santo. Sua vida se torna semelhante à do homem natural, onde o domínio do pecado é visto com naturalidade.

Especificando as influências

Na seqüência, procuraremos expor o "pano de fundo" dos problemas da igreja de Corinto. Vários elementos estavam contribuindo para aquela situação de caos. A epístola apresenta o esforço de Paulo para colocar as coisas em seus devidos lugares. Muitas delas deveriam ser colocadas para fora da igreja.

Religião e imoralidade (I Cor.5.1; 6.15-18; 7.2)

A cultura de Corinto misturava religião e imoralidade. Além disso, a vida passada (6.9-11) de muitos daqueles irmãos constituía um ponto fraco, motivo pelo qual alguns (ou muitos?) se deixaram levar pelos pecados sexuais. Paulo deixa bem claro que essa mistura não poderia existir dentro da igreja. O padrão de religiosidade da cidade não servia para os cristãos. O caso mais grave está relatado no capítulo 5: um homem da igreja havia cometido incesto com a sua madrasta. O apóstolo aconselhou que o mesmo fosse expulso da igreja. Em casos assim, muitos poderiam apelar para a tolerância, o amor, etc. Contudo, a impunidade seria um forte incentivo para que outros se deixassem levar por pecados semelhantes. A exclusão precisava ser feita. Posteriormente, o irmão poderia ser re-admitido na congregação, como parece ter ocorrido (II Cor.2).

A imoralidade de Corinto acabava por desvalorizar o casamento. Por isso, Paulo lhes dá diversas orientações no sentido de que o casamento fosse visto como uma instituição divina. Embora o apóstolo afirme que é melhor estar solteiro para servir a Deus, ele também deixa claro seu conselho no sentido de que os casados não se separem. O casamento é colocado como um importante antídoto contra a imoralidade.

O problema sexual deturpava também o conceito de amor. Afrodite era considerada a deusa do amor e este possuía uma conotação principalmente sexual. Desse contexto grego vem à palavra "erotismo", que é derivada do nome "Eros", um deus da mitologia. Paulo parece estar preocupado com essa questão quando dedica o capítulo 13 ao amor. Ele quer formar um conceito correto a respeito do amor, mostrando o que ele é e o que ele não é.

Religião e ordem no culto (I Cor.14.23,26-35)

A desordem pagã e a ordem cristã.

Sabendo que o culto a Afrodite era uma orgia, deduzimos que ali não se encontravam ideais de reverência, ordem, decência e organização. Os cultos da igreja, embora não incluíssem práticas sexuais, estavam bastante tumultuados. Paulo escreveu então, procurando estabelecer princípios que pudessem regulamentar as reuniões da igreja. Por isso ele diz para que se evite o falar em línguas sem interpretação. E quando houver, que não se manifestem mais do que três profetas. Aconselha que as mulheres fiquem caladas durante o culto e que guardem as perguntas para seus maridos em casa. Entendemos que Paulo não pretendia criar uma "camisa de força" para nós, como se estivesse ditando um conjunto de "leis eclesiásticas". Tais orientações foram assim radicais pois a situação dos coríntios era grave. De tudo isso, precisamos guardar os princípios de ordem, decência, reverência e que só se faça no culto aquilo que puder promover a edificação da igreja.

Religião e comportamento feminino

Por quê será que Paulo foi tão rigoroso em relação às mulheres cristãs? Lembremo-nos de que as mulheres ocupavam lugar de proeminência na religião pagã de Corinto. A principal divindade era uma deusa. As mulheres oficiavam os cultos a Afrodite. Eram 1000 sacerdotisas que se prostituíam no templo. Além disso, as prostitutas proliferavam-se pela cidade. Comentaristas nos informam que, quando uma mulher usava o véu, isso significava que ela estava submissa a um homem, quer seja seu marido, seu pai ou um parente responsável. Quando se via uma mulher sem véu e com o cabelo tosquiado ou mesmo raspado, já se deduzia que a mesma estava totalmente disponível. Essa era a maneira como as prostitutas eram identificadas. Sendo assim, as mulheres cristãs precisavam agir com modéstia, precisavam usar o véu e manter seus cabelos compridos. Nos cultos não lhes seria dado lugar de destaque ou liderança. Não se poderia deixar que o estilo pagão de culto influenciasse a igreja. O uso do véu era importante naquele contexto cultural. Deixar de usá-lo naqueles dias seria motivo de mal testemunho ou escândalo. Então, era prudente que as mulheres cristãs usassem o véu. Podemos comparar isto ao uso da aliança hoje como sinal de compromisso matrimonial. Se o homem casado ou a mulher casada deixam de usar aliança, não estarão desobedecendo a um mandamento bíblico específico mas estarão levantando suspeitas e maus juízos, o que não é edificante para o cristão nem para o evangelho. Reforça-se então a necessidade que temos de extrair os princípios que tais passagens nos trazem e não sua aplicação literal. Paulo está ensinando o uso do bom senso em relação aos costumes culturais e também está orientando sobre a autoridade do homem sobre a esposa.

Religião e alimentação (I Cor.8.10; 10.27).

Assim como ocorria no judaísmo, os sacrifícios de animais eram comuns em diversas religiões. Parte do animal era queimado sobre o altar. Outra parte era servida aos ofertantes, sacerdotes e convidados. Eram, portanto, freqüentes as refeições nos templos pagãos. Desta influência surgiram dois problemas para a igreja:

1 – Os cristãos realizavam refeições na igreja em ambiente tumultuado e chamavam isso de ceia do Senhor. Os ricos levavam grande quantidade de comida e bebida para a igreja. Chegavam até a ficar embriagados (I Cor.11.20-22). Enquanto isso, os irmãos pobres muitas vezes não tinham o que levar. Isso se tornava então uma situação constrangedora e humilhante. Por isso, Paulo perguntou: "Não tendes, porventura, casas onde comer e beber?" As reuniões da igreja não podiam reproduzir as refeições dos templos pagãos. Então, o apóstolo orienta como deve ser a ceia do Senhor: com reverência, ordem e santidade (I Cor.11.23-34).

2 – Outro problema é que as refeições nos templos pagãos eram acontecimentos sociais e, eventualmente, os cristãos poderiam ser convidados para participar. Estariam então diante de um alimento sacrificado aos ídolos. Paulo diz que, já que o ídolo é nada, é uma ilusão, então a carne sacrificada é como outra carne qualquer. Ali não existe nenhuma maldição nem contaminação. Porém, se um cristão, que antes adorava naquele templo pagão, vê um irmão comendo ali a carne do sacrifício, ele pode se sentir tentado a voltar à sua prática antiga. Cria-se então uma situação de tropeço e confusão. Se a participação em tais refeições pode se tornar motivo de escândalo, então é melhor evitá-las (I Cor. 8). Ele diz também que o cristão não pode participar da mesa do Senhor (ceia) e da mesa dos demônios (refeições pagãs). Muitas vezes, a carne desses animais sacrificados ia parar até nos mercados. Sobre isso, Paulo diz que o cristão deveria comprar sem preocupação (10.25). Não deveria nem perguntar sobre a origem da carne. Da mesma forma, se o cristão fosse almoçar na casa de um ímpio, deveria comer de tudo sem perguntar (10.27). Entretanto, se o anfitrião dissesse que aquela carne era de um sacrifício aos ídolos, o cristão deveria recusá-la, não por causa do ídolo ou por causa do animal, mas porque o comer poderia ser interpretado como participação na idolatria ou, no mínimo, aprovação (10.28).

Religião e Filosofia

Se, naquele tempo, a filosofia grega era influente em todo o mundo, quanto mais em Corinto, que estava na Grécia. A filosofia clássica se caracteriza pela interpretação humana da realidade. Tal pensamento formou e ainda forma muitos conceitos que são geralmente aceitos como verdade. As palavras de Paulo nos fazem entender que os coríntios possuíam conceitos distorcidos sobre o amor, a liberdade e a sabedoria. Muitas vezes, a filosofia é utilizada para montar justificativas para o pecado.

Os gregos eram orgulhosos por seu conhecimento filosófico. O apóstolo se esmera por mostrar que o entendimento humano é loucura. Ele procura mostrar o verdadeiro sentido do amor, da liberdade, da sabedoria, etc.. No texto que vai de 1.18 a 2.16, Paulo confronta a sabedoria humana com a sabedoria divina. Estava em alta o pensamento gnóstico, o qual supervalorizava o conhecimento, associando-o à salvação humana. A ciência tomava ares de virtude espiritual. Além de enfatizar a sabedoria divina contra a sabedoria humana, Paulo também afirma: "A ciência incha, mas o amor edifica" (I Cor.8.1). A matéria era vista pelos gnósticos como maligna. Daí surgem várias heresias:

·         Se a matéria é má, o casamento também. Paulo combate essa idéia em I Cor. 7.5.

  • A ressurreição do corpo era vista como "materialista". Por isso Paulo expõe e defende a doutrina da ressurreição no capítulo 15.
  • Enquanto que alguns gnósticos, diante da suposta malignidade da matéria, optavam pelo ascetismo, ou seja, pela negação dos desejos sexuais e a total abstinência, outros, combinando gnosticismo e cristianismo, julgavam-se protegidos contra todos os males e, assim, podiam, supostamente, se entregar aos desejos sem restrições.

Conhecimento, liberdade e amor eram elementos mal interpretados, mal colocados e mal valorizados em Corinto. Isso veio a causar uma série de problemas na igreja. Alguns julgavam que a liberdade cristã lhes dava direito de fazer tudo, quer seja a participação nas refeições dos templos pagãos ou mesmo a união carnal com as meretrizes.

Paulo se posiciona contra todas essas variações da influência filosófica e da falsa interpretação do cristianismo. Assim, ele condena a libertinagem sexual, ao mesmo tempo em que defende a legitimidade do sexo dentro do matrimônio (I Cor. 6.15-16 e I Cor.7). A liberdade cristã é, de fato, ampla. Contudo, o amor é o seu parâmetro maior. Assim, se, no uso da nossa liberdade, ultrapassamos os limites do amor a Deus e ao próximo, saímos da liberdade cristã e entramos nos domínios do pecado. Por isso, Paulo diz: "Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas me convêm." (I Cor.10.23). "Não sabeis vós que os vossos corpos são membros de Cristo? Tomarei, pois, os membros de Cristo e fá-los-ei membros de meretriz? Não, por certo" (I Cor.6.15). Ao usar a expressão "não sabeis", fica evidente a questão do conhecimento. Os coríntios sabiam muita coisa, mas era urgente que soubessem sob o ponto de vista de Deus, conforme Paulo estava procurando expor.

Com relação aos alimentos sacrificados aos ídolos, Paulo deixa claro que a liberdade cristã, em princípio, nos permitiria participar deles, uma vez que o ídolo é uma ilusão. Entretanto, vêm novamente à tona as questões do amor. Se tal exercício extremo da liberdade for causar escândalo ao próximo, ou ao irmão, então o amor não estaria operando. "Ninguém busque o proveito próprio, antes cada um o que é de outrem." (I Cor.10.24).

A solução

Paulo lembra aos coríntios que Jesus é o fundamento de suas vidas. Entretanto, sobre esse fundamento, estava sendo utilizado material estranho para a construção. Entra aí a questão da responsabilidade dos líderes eclesiásticos. Não sabemos quem liderava a igreja em Corinto. Ao que tudo indica, faltava ali uma liderança forte que conseguisse conduzir a igreja. Vemos que a mesma estava dividida em grupos. Certamente, havia líderes, mas estes não estavam conseguindo uma coesão entre si e entre os membros da igreja. Paulo precisou enviar Timóteo (I Cor.4.17; 16.10). Ele insistiu para que Apolo fosse até lá, mas isso não foi possível (I Cor.16.12).

O apóstolo chama a atenção da igreja para o seu fundamento: Cristo (I Cor.3.11). Ele é também a solução para todas aquelas questões e problemas. A edificação precisa ser coerente com o alicerce. O nosso desenvolvimento na fé precisa utilizar doutrinas e conceitos coerentes com a pessoa e o ensino de Cristo. Ele apresenta Jesus como a sabedoria de Deus, justiça, santificação e redenção (1.30). Esses elementos precisam estar combinados na vida do cristão: sabedoria, justiça, santificação e redenção. A sabedoria humana não produz a justiça divina na vida do homem. O conhecimento humano não se vincula à santificação e, muitas vezes, abona o pecado. O resultado de tudo isso jamais será redenção, mas sim perdição. A filosofia como material de edificação da igreja não lhe daria firmeza. Pelo contrário, causaria sua queda e ruína.

Paulo apela para a lembrança da história de Israel no capítulo 10.1-13. Seu objetivo era mostrar que, embora aquele povo tenha saído do Egito sob a poderosa manifestação do poder de Deus, pereceu depois no deserto pelo fato de ter se deixado levar por tentações diversas. Fica então traçado um paralelo dessa narrativa com a experiência dos coríntios, aos quais o apóstolo adverte contra os riscos de fracasso na fé (10.12).

Macro divisão da carta

- Purificação da igreja (1.1 a 11.34);

- Orientação doutrinária (12.1 a 16.24).

ESBOÇO (I COR.)

  • I – Saudação – 1.1-9
  •  
  • II – Necessidade de purificação da igreja – 1.10-31.
  • o    Divisões.
  • o    Culto ao homem.
  • o    Glória pela sabedoria humana.
  •  
  • III – Exemplo de Paulo – 2.1-16.
  • o    Sabedoria humana x sabedoria divina.
  •  
  • IV – Divisão: imaturidade e carnalidade – 3.1-4.
  •  
  • V – Os ministros na igreja – 3.5 a 4.21.
  • o    Quem são? 3.5
  • o    Como agricultores – 3.6-8.
  • o    Colaboradores – 3.10.
  • o    Edificadores – 3.10.
  • o    Despenseiros – 4.1.
  • o    Ministros (servos) – 4.1.
  • o    Sofredores! – 4.9-13 (Paulo se refere aos ministros como: últimos, condenados, espetáculo, loucos, fracos, desprezíveis. Esta seria a visão do mundo a respeito deles).
  • o    Exemplo para a igreja – 4.16.
  •  
  • VI – O dever de purificar a igreja – 5.1 a 6.20.
  • o    Da imoralidade – 5.1-13; 6.9-20.
  • o    Dos litígios entre irmãos – 6.1-8.
  •  
  • VII – O casamento e a vida cristã – 7.1-40.
  •  
  • VIII – A liberdade e o amor (liberdade com responsabilidade) – 8.1-13.
  •  
  • IX – O exemplo de renúncia de Paulo – 9.1-27.
  •  
  • X – Exemplos da história de Israel. Riscos para a igreja. 10.1-15.
  •  
  • XI – A mesa do Senhor e a mesa dos demônios. 10.16-21.
  • o    A idolatria e as relações sociais.
  •  
  • XII – A liberdade e o amor – 10.23-33.
  • o    Os alimentos sacrificados aos ídolos.
  •  
  • XIII – Observação dos costumes sociais – 11.1-16.
  • o    O risco dos escândalos (obs.: 10.32).
  •  
  • XIV – A ceia do Senhor – 11.17-34.
  •  
  • XV – Os dons espirituais e o corpo de Cristo – 12.1-31.
  •  
  • XVI – A supremacia do amor – 13.1-13.
  •  
  • XVII – O dom de línguas, as profecias e a ordem no culto – 14.1-40.
  •  
  • XVIII – A doutrina da ressurreição – 15.1-58.
  •  
  • XIX – Instruções finais. As ofertas para Jerusalém. Saudações. – 16.1-24.
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Em caso de utilização do presente material, favor mencionar o nome do autor:
Anísio Renato de Andrade – Bacharel em Teologia.

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