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Flávio Josefo e o Novo Testamento

FLÁVIO JOSEFO E O NOVO TESTAMENTO


Neste artigo nosso objetivo é mostrar a relevância histórica de Flávio Josefo, como testemunha de acontecimentos importantes do século I e, por conseqüência sua obra, que irá contribuir para a pesquisa histórica do Novo Testamento. Historiador judeu nascido em 37/38 d.C. e, falecido no início do segundo século, assim diz Josefo em sua Autobiografia:

Minha família não é destituída de glória, oriunda como é de sacerdotes. Os diversos povos têm, cada um deles, sua maneira própria de fundamentar a nobreza; entre nós, são as afinidades com o sacerdócio que atestam o cunho ilustre de uma família. Ora, no meu caso, não somente minha família é de raça sacerdotal, mas ainda pertence à primeira das vinte e quatro classes- distinção muito apreciável- e é mais importante do que a mais ilustre de suas tribos. Eu mesmo sou, por parte de minha mãe de raça real, porque os descendentes de Asmon, seus antepassados, foram durante um período bem longo sumos sacerdotes e reis de nosso povo... Eu nasci de Matias, no primeiro ano do reinado de Caio César (cognominado Calígula). Tenho três filhos: o mais velho, Hircano, nasceu no quarto ano do reinado de Vespasiano César, Justo, no sétimo ano, Agripa, no nono ano.”

EDUCAÇÃO E FORMAÇÃO

Fui educado junto com o meu irmão Matias, irmão por parte de pai e mãe.

Meus grandes progressos nos estudos conquistavam-me a fama de ter memória e inteligência superiores. Mal saíra eu da infância e atingira os quatorze anos, todos já me felicitavam pelo meu amor ao estudo, pois constantemente os sumo-sacerdotes e as pessoas importantes da cidade vinham-me ao encontro para aprender comigo este ou aquele ponto mais particular de nossas leis. Por volta dos meus dezesseis anos, eu quis experimentar diversas seitas de nossa nação. Existem três: a primeira, a dos fariseus, a segunda, a dos saduceus, a terceira, a dos essênios,(....)

Segundo meu pensamento, aprender assim a conhecê-las a fundo me haveria de permitir escolher a melhor delas. A custo de aplicação austera e de trabalho considerável, passei por todas três.

Não me prendi a tal experiência, mas tendo ouvido falar de um Bano, que vivia no deserto, que se contentava para se vestir com o que as árvores lhe forneciam e para se alimentar com o que a terra produzia espontaneamente, usando freqüentes abluções de água fria de dia e de noite, por preocupação com a pureza, tornei-me seu êmulo.

Depois de três anos passados junto com ele, tendo feito o que eu desejava, voltei para a minha cidade. Com dezenove anos então, eu já começava a orientar minha conduta de acordo com os princípios da seita dos fariseus, a qual apresenta semelhanças com a que os gregos chamam de escola do Pórtico. (“Autobiografia” 1-2,4-5, 7-12).

Em 64 d.C. Josefo foi enviado a Roma para solicitar ao Imperador Nero a libertação de sacerdotes judeus prisioneiros. Quando retorna encontra a nação começando uma revolta contra os Romanos. Em 66 d.C. as autoridades de Jerusalém, apoiaram uma insurreição, organizaram a revolta e prepararam a resistência. Flávio Josefo ficou encarregado da defesa da Galiléia. Procurou a pacificação, e organizou a região. Percebendo a impossibilidade de vitória, queria que o conflito fosse evitado. Em 67 tropas romanas com sessenta mil homens, lideradas pelo General Vespasiano entram na Galiléia. Josefo se refugia em Jotapata, uma cidadela fortificada, que a defende. Sucumbida à cidade, Josefo com mais quarenta soldados se escondem em uma caverna. Escapando com outro soldado do suicídio coletivo, entrega-se. Tendo previsto que Vespasiano e seu filho Tito seriam imperadores, foi salvo. Em 69 Vespasiano se torna imperador, e Josefo é solto. Serviu de intermediário quando Tito vai a Jerusalém. Depois da queda de Jerusalém segue para Roma. Torna-se cidadão romano, adotando o nome gentílico de Flavios. Foi beneficiado com uma pensão imperial. Morreu provavelmente no início do século II. De acordo com Eusébio de Cesaréia, foi erguida uma estátua de Flávio Josefo, e suas obras colocadas na biblioteca pública. Por outro lado, Flávio Josefo foi considerado como traidor pelo seu povo.

OBRAS DE FLÁVIO JOSEFO

Guerra dos Judeus: Escrita primeiramente em aramaico, língua materna de Flávio Josefo . Depois em grego, com assistentes. Publicada poucos anos antes do fim da guerra em 78. Começa com a intervenção de Antíoco Epífanes (175 a.C.) indo até Massada em 74 d.C).

Antiguidades Judaicas: É uma coleção de vinte livros, contendo a história de Israel desde a criação até o governo do procurador Géssio Floro em 64 d.C..

Autobiografia: Esta obra está como apêndice a Segunda edição das Antiguidades. Encontram-se breves resumos de sua juventude, anos passados em Roma.

Contra Apião: Trata-se de uma apologia do judaísmo e responde às críticas levantadas pela publicação de Antiguidades. Apião é o representante dos inimigos de Israel. Nesta obra quer mostrar a Antigüidade dos judeus.

Nas cruzadas, as obras de Josefo serviram de guia de viagem. As obras de Flávio Josefo servem como apoio à pesquisa do período intertestamentário. Encontramos em suas obras nomes de pessoas conhecidas no Novo Testamento como por exemplo, membros da família de Herodes, nomes de sumo-sacerdortes. Às vezes comentário direto sobre referências do Novo Testamento como Judas da Galiléia (Atos 5:37).

Assim a obra de Flávio Josefo serve praticamente como uma testemunha do período apostólico, daí sua relevância.

FONTE:

www.bitstudio.com.br

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