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O Cânon do Novo Testamento

O CÂNON DO NOVO TESTAMENTO


Fica muito fácil traçar a canonização dos vinte e sete livros do Novo Testamento do que a dos livros do Antigo Testamento. A evidencia disponível é bem maior. Os livros do Novo Testamento foram escritos durante a última metade do primeiro século depois de Cristo. A recém-formada Igreja Cristã usava as Escrituras do Antigo Testamento como base para a sua fé, além disso, era dada grande importância às palavras de Jesus e os ensinos dos apóstolos. Dessa forma não passaram muito tempo para que os Evangelhos passassem a ser usados juntamente com o Antigo Testamento. A autoridade dos apóstolos é plenamente confirmada. João declara: “o que temos visto e ouvido anunciamos também a vós outros” (1 Jo 1.3); Pedro diz que foram “testemunhas oculares de sua majestade” (2 Pe 1.16); e lemos a respeito dos primeiros crentes: “E perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão” (At 2.42).

O cânon, lista dos volumes pertencentes a um livro autorizado, surgiu como um reforço à garantia da unidade centralizada, sem que haja distorções ou contradições entre os livros. As pessoas supõem, equivocadamente, que o cânon foi estabelecido pelos concílios eclesiásticos. Não foi assim, pois os vários concílios que se pronunciaram sobre o problema do cânon do Novo Testamento apenas os tornavam públicos, porque, já tinham sidos aceitos amplamente pela consciência da Igreja. O desenvolvimento do cânon foi um processo demorado, basicamente encerrado em 175 d.C., exceto por uns poucos livros cuja autoria era ainda discutida.


Algumas razões de ordem pratica tornaram necessário que a Igreja desenvolvesse a relação de livros que deviam compor o Novo Testamento. Hereges como Marcião estavam formando seu próprio cânon das Escrituras e levando o povo ao erro. Os cristãos perseguidos não estavam dispostos a arriscar sua vida por um livro se não estivessem certos de que ele integrava as Escrituras Sagradas. Como os apóstolos estavam saindo de cena, havia necessidade de alguns registros que seriam reconhecidos como autorizados e dignos de uso na adoração.


OS TESTES USADOS PARA DETERMINAR A CANONICIDADE

Os seguintes princípios foram usados para determinar a posição de um livro no cânon do Novo Testamento:


1– Apostolicidade. O livro foi escrito por um dos apóstolos, ou por alguém próximo dos apóstolos. Esta questão tinha especial importância com respeito aos Evangelhos de Marcos e Lucas e os livros de Atos e Hebreus, já que Marcos e Lucas não se encontravam entre os doze e a autoria de Hebreus era desconhecida.


2– Conteúdo espiritual. O livro estava sendo lido nas igrejas e seu conteúdo era um meio de edificação espiritual? Este era um teste muito prático.


3– Exatidão doutrinária. Verificar se o conteúdo do livro era doutrinariamente correto? Qualquer livro contendo heresia, ou contrário aos livros canônicos já aceitos eram rejeitados.


4– Uso do livro. O livro fora universalmente reconhecido nas igrejas, sendo amplamente aceito e citado pelos Pais da Igreja?


5– Inspiração divina. O livro tinha verdadeira evidencia de inspiração divina? Este era o teste básico, e tudo teria que convergir para este ponto.


AS EPÍSTOLA PAULINAS

Em vista de as epístolas de Paulo terem sido escritas para satisfazer a uma necessidade específica de uma igreja local ou de um indivíduo, eram preservados pelo seu valor espiritual e lidas nas Igrejas. Em várias ocasiões Paulo deus instruções definidas para que suas cartas fossem lidas nas igrejas. Ele escreveu a igreja de Tessalônica: “Conjuro-vos, pelo Senhor, que esta epístola seja lida a todos os irmãos” (1 Ts 5.27). À igreja de Colossos ele advertiu: “E, quando esta epístola tiver sido lida entre vós, fazei que também o seja na igreja dos laodicenses, e a que veio de Laodicéia lede-a vós também” (Cl 4.16). A fim de que isso pudesse acontecer, é provável que uma cópia das cartas para Colossos e Laodicéia tivesse de ser feita. À medida que esta prática se ampliou, é fácil ver que dentro de poucos anos, coleções de cartas de Paulo poderiam ser obtidas.


Evidentemente as epístolas de Paulo foram primeiro reunidas pelos líderes da Igreja de Éfeso. Essa coleção foi seguida pela coletânea dos Evangelhos, já no começo segundo do século.


A DEMORA EM CANONIZAR ALGUNS LIVROS

O Cânon Muratóriano, descoberto por Ludovico A. Muratori (172-1750) na Biblioteca Ambrosiana de Milão, foi datado de 180. Nele consideram-se canônicos vinte e dois livros do Novo Testamento. Por volta de 324, Eusébio de Cesaréia considerava que pelo menos vinte livros do Novo Testamento eram aceitos no mesmo nível que os do Antigo Testamento. Tiago, Segundo Pedro, Segundo e Terceiro João, Judas, Hebreus e Apocalipse estavam entre os livros cujo lugar no cânon ainda era discutido. A demora na inclusão desses livros deveu-se, sobretudo, à incerteza de sua autoria. Atanásio, porém, em sua carta de Páscoa às igrejas sob sua jurisdição como bispo de Alexandria, escrita em 367, relacionou os mesmos 27 do Novo testamento atual. Concílios posteriores, como o de Cartago, em 397, apenas aprovaram e deram uma expressão uniforme àquilo que já era fato geralmente aceito pela Igreja durante um bom período. A demora da Igreja em aceitar Hebreus e Apocalipse como canônicos indica o cuidado e atenção que ela dispensou a esse problema.


MANUSCRITOS COMPROVAM A INTEGRIDADE DOS LIVROS

Cerca de 5.500 manuscritos atestam a integridade do texto bíblico. O texto de Isaías encontrado em Qumran é o mais antigo e o mais extenso desse livro. Mais de 3.100 manuscritos contém quase todo o texto bíblico ou partes dele, e cerca de 2.300 lecionários contem parte deles. A maioria dos textos antigos que são considerados autênticos, como De Bello Gallico, de Júlio César, tem menos de 10 cópias escritas.


OS APÓCRIFOS

Os apócrifos passaram a fazer parte da Bíblia Católica Romana em 1546, no Concílio de Trento. Eles contêm grande quantidade de literatura histórica e de sabedoria. Jerônimo os inclui em sua tradução bíblica, a Vulgata Latina.


 

Fontes:

Cristianismo Através dos Séculos, Earle E. Cairns – Editora Vida Nova

Fundamentos da Teologia Pentecostal - Editora Quadrangular

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