SANTO VIVO - ESTUDOS BÍBLICOS
Estudo de João

ESTUDO DO EVANGELHO SEGUNDO JOÃO

 J. DIAS


AUTOR

João, filho de Zebedeu, “O discípulo a quem Jesus amava”. Pescador com boa situação, já que era dono do barco. Era irmão de Tiago. Sua mãe era Salomé, seguidora de Jesus (Mc 15.40; Jo 19.25).  João devia ter uns 25 anos quando Jesus o chamou. Tinha sido seguidor de João Batista. No governo de Domiciano, João foi exilado na ilha de Patmos, onde recebeu a revelação do Apocalipse. Depois voltou a Éfeso e se tornou pastor daquela igreja. Foi durante esse período em Éfeso que ele escreveu este evangelho. Ele também é autor das três cartas de João e do Livro de Apocalipse.

 

Ele era um dos apóstolos de grande destaque na Igreja Primitiva, mas não é mencionado por nome nesse evangelho. O autor conhece bem a vida judaica, como se vê nas suas referências às especulações do povo acerca do Messias (1.20,21; 7.40-42), à hostilidade que havia entre judeus e samaritanos (4.9) e aos costumes judaicos, como o dever de circuncidar o filho ao oitavo dia ter precedência sobre a proibição do trabalho no sábado (7.22). Conhecia bem a geografia da Palestina, localizando Betânia a cerca de 15 estádios (quase 4 km) de distancia de Jerusalém (11.18) e citando Caná, aldeia da Galiléia não mencionada em nenhum escrito anterior que se tenha conhecimento (2.1; 21.2). O autor afirma ter sido testemunha ocular do ministério de Jesus (1.14; 19.35; 21.24-25).

 

Somente uma testemunha ocular dentre o circulo mais intimo dos seguidores de Jesus como João, poderia fornecer tantos detalhes particulares como os que são citados nesse livro. Relatos especiais e algumas vezes indiretos da presença ou participação de João são argumentos que comprovam sua autoria (1.37-40; 19.26; 20.2,4,8; 21.20,24). Os pais da Igreja, como Irineu e Tertuliano, declaram que João escreveu esse evangelho. O fragmento de uma antiga cópia (datada do II século), indica que o original é bem mais antigo e pertence seguramente ao período em que João estava vivo.

 

Clemente de Roma, um dos pais da Igreja escreveu sobre João em sua obra intitulada: Que Rico Se Salva?: “Depois que morreu o tirano, João foi da Ilha de Patmos para Éfeso. Lá, ao ser convidado, às regiões vizinhas dos gentios, ora para estabelecer bispos, ora para organizar Igrejas inteiras, ora para escolher como clérigo um dos designados pelo Espírito”.

 

DATA

De modo geral, defendem-se duas opiniões da datação desse evangelho. O conceito mais tradicional situa-o próximo ao fim do século I, por volta de 85 d.C. ou posteriormente. Mais recentemente, alguns estudiosos tem apresentado como possibilidade uma data anterior, talvez na década de 50 e não depois de 70 d.C.

 

O primeiro conceito baseia-se numa declaração de Clemente de Alexandria de que João teria escrito para suplementar relatos dos demais evangelhos. Essa informação encontra-se na História Eclesiástica, de Eusébio de Cesaréia. Também se afirma que a teologia aparentemente mais desenvolvida do quarto evangelho revela sua origem posterior.

 

O segundo conceito encontra apoio porque mais recentemente se tem acreditado que João escreveu de modo independente dos demais evangelhos. Isso não contradiz a declaração de Clemente, acima referida. Além disso os que sustentam esse conceito ressaltam que uma teologia mais elaborada não é necessariamente um argumento a favor de uma origem em data posterior. A declaração em 5.2, de que há um tanque perto da “Porta das Ovelhas” talvez mostre a possibilidade de uma data anterior a 70, data da destruição de Jerusalém. Outros estudiosos, no entanto entendem que João em outros textos, às vezes empregava o tempo presente ao se referir ao passado.

 

EVANGELHO SOB SUSPEITA

Esse evangelho foi por vezes considerado suspeito pelos lugares que menciona e que não puderam ser identificados. Para alguns estudiosos, se o evangelista não foi capaz de relatar com exatidão detalhes tão básicos, talvez também não tenha estado presente aos acontecimentos mais íntimos da vida de Jesus. Essa conclusão, entretanto, passou por uma reviravolta em anos recentes.

 

Várias descobertas mostraram que João é bastante preciso em seu relato. Por exemplo, João 5.1-15 narra a cura de um inválido por Jesus no tanque de Betesda. João diz que o tanque tinha cinco pórticos. Durante muito tempo, as pessoas usaram essa passagem como prova da falta de precisão do evangelista, já que o lugar nunca fora encontrado. Há poucos anos foram feitas escavações no Tanque de Betesda, que está cerca de 12 metros abaixo da terra, e foram encontrados cinco pórticos, ou seja, cinco pavilhões com colunas, exatamente como descrito por João. E há outras descobertas: o tanque de Siloé, citado em João 9.7, o poço de Jacó, de João 4.12, a provável localização do pavimento de pedra perto do portão de Jafa, onde Jesus esteve diante de Pilatos conforme João 19.13, e a própria identidade de Pilatos, tudo isso deu ao evangelho de João credibilidade histórica. Isso coloca em xeque a alegação de que o evangelho de João foi escrito muito tempo depois de Jesus e, por isso seria inexato.

 

A arqueologia já confirmou repetidas vezes a exatidão do Novo Testamento, corroborando sobremaneira sua confiabilidade.

 

RELAÇÃO COM OS EVANGELHOS SINÓTICOS

João suplementa os evangelhos sinóticos e possivelmente os relaciona em uma séria de pontos, embora muitos pensem que ele não os tenha conhecido. Os sinóticos destacam o ministério de Jesus na Galiléia, suas parábolas e o tema Reino de Deus. João destaca o ministério de Jesus na Judéia, omite as parábolas e pouco fala sobre o Reino, substituindo tudo isso por longos discursos e pelo tema da vida eterna. João também suplementa os evangelhos sinóticos ao esclarecer que o ministério público de Jesus durou consideravelmente mais tempo que seria de supor simplesmente pela leitura isolada dos evangelhos sinóticos. Os evangelistas sinóticos mencionam somente a última Páscoa, quando Jesus morreu. Mas João identifica três Páscoas, e talvez até quatro, durante o ministério de Jesus, de modo que seu ministério durou pelo menos mais de dois anos e talvez até três anos e meio.

 

O ESTILO DO EVANGELHO DE JOÃO

Ao longo de todo quarto evangelho, muitos temas teológicos importantes aparecem e reaparecem em diferentes combinações. João expõe esses temas mediante uma habilidosa alternância entre narrativas e discursos, de tal maneira que as palavras de Jesus explicitam o sentido mais interior de suas obras. Grande proporção das ações constantes nesse evangelho, portanto reveste-se de papel simbólico. Por exemplo, o ato de lavar os pés dos discípulos, por parte de Jesus significa purificação de pecados. João também apresenta um Jesus às vezes irônico, como na pergunta feita aos judeus: “Respondeu-lhes Jesus: Tenho-vos mostrado muitas obras boas procedentes de meu Pai; por qual destas obras me apedrejais?” (10.32).

 

TEMAS

Os ensinamentos de Jesus registrados em João tendem a ser longas considerações de um simples tema, em contraste com os ditos piedosos, no estilo de provérbios encontrados nos outros evangelhos. O material de ensino é frequentemente embutido de conversações, na medida em que Jesus interage em debates com pessoas ou grupos. Quase não há parábolas nesse evangelho.

 

O evangelho de João faz uso de contrastes bem definidos:

- Luz e trevas (1.4.9)

- Amor e ódio (15.17,18)

- Do Céu e da Terra (8.23)

- Vida e Morte (6.57,58)

- Verdade e falsidade (8,32-47)

 

João usa constantemente para Jesus o termo “EU SOU”.

 

João destaca de vários modos a realidade do pecado, mas especialmente pela ênfase da nossa total dependência de Deus para a salvação.

 

O PRÓLOGO

Uma das características mais marcantes do Evangelho de João é o prólogo (1.1-18) que apresenta Jesus como a "Palavra", aquele que revela o Pai porque compartilha da divindade do Pai. O Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus”, Ele é a segunda pessoa da Trindade. É chamado de “o Verbo”. A seguir vem a maravilhosa declaração que não deixa dúvidas sobre a divindade de Jesus: “Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez. Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens” (1.3-4). Confirmando: “O Verbo se fez carne a habitou entre nós” (1.14). Essas são afirmações completas de que Cristo é o Deus Verdadeiro, a Luz do mundo, o que revela o Pai, o Batizador com o Espírito Santo. Cristo expressa, manifesta e mostra Deus. Jesus disse a Felipe: “Se vós me conhecêsseis a mim, também conheceríeis a meu Pai; e já desde agora o conheceis, e o tendes visto” (14.7). 

 

Jesus não teve princípio; Ele é o próprio princípio, Ele é eterno. Cristo era antes de todas as coisas; por conseguinte Ele não é parte da criação, é o Criador (Cl 1.16; Hb 1.2). 

 

PROPÓSITO

Para alguns intérpretes o propósito de João era propor uma versão da mensagem cristã que fosse atraente aos pensadores gregos. Outros detectam o desejo de combater alguma forma de heresia contra a divindade de Jesus. Mas o próprio autor declara seu propósito principal: “Estes, porém, foram escritos para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome” (20.31). É possível que tivesse em mente, sobretudo aos leitores gregos, alguns dos quais estavam em contato com influências heréticas, mas sua intenção primordial era evangelística.

 

Desde o prólogo do livro, com a afirmação do autor: “vimos a sua Glória” (1.14), até a confissão de Tomé: “Meu Senhor e meu Deus” (20.28), o leitor é constantemente motivado a render-se incondicionalmente em adoração sincera e absoluta a Deus. O Senhor Jesus Cristo surge como mais do que um simples homem sábio e poderoso, um profeta, como querem alguns, mas sim como Deus na terra, que se fez carne e habitou entre os homens.

 

Com tudo isso os judeus ainda necessitavam de uma prova indiscutível de que esse Jesus era o Messias prometido nos profetas. E João preocupado que a ninguém faltasse essa convicção e a mensagem principal do evangelho, apresenta essa provas em muitos momentos do livro. Os milagres, ensinos e pregações selecionadas durante o ministério público de Jesus são publicadas com o objetivo de comprovar a posição de Jesus como o inconteste Filho de Deus. Vários de seus milagres realizados revelam não somente o seu poder divino, mas igualmente assim atestam sua glória como o “EU SOU” (nome de Deus em hebraico).

 

DECLARAÇÕES DE JESUS QUE SURPREENDERAM

1 - Afirmou ser igual a Deus: chama Deus “meu Pai” (5.7). Os judeus sabiam o que Ele queria dizer. “Está se fazendo igual a Deus”, disseram. Sabiam que considerava Deus como seu Pai num sentido em que não era Pai de nenhum outro homem.


2 – Afirmou ser a luz do mundo: “Eu Sou a luz do mundo; quem me segue não andará em trevas; mas terá a luz da vida” (8.12).


3- Afirmou ser eterno como Deus: “Em verdade, em verdade vos digo: Antes que Abraão existisse, EU SOU” (8.55). Essa afirmação de ser eterno como Deus era inconfundível. Ou Ele era filho de Deus ou um enganador. Por isso os judeus pegaram em pedras para apedrejá-lo.

 

CONCLUSÃO

João encerra seu evangelho com uma declaração de testemunha ocular de tudo que Jesus fez em seus três anos de ministério: “Este é o discípulo que testifica destas coisas e as escreveu; e sabemos que o seu testemunho é verdadeiro. Há, porém, ainda muitas outras coisas que Jesus fez; e se cada uma das quais fosse escrita, cuido que nem ainda o mundo todo poderia conter os livros que se escrevessem. Amém”. (21.24-25)

 

ESBOÇO DO EVANGELHO DE JOÃO

Prólogo 1.1-8


I. O ministério público de Jesus 1.19-12.50

Preparação 1.19-51

As bodas em Caná 2.1-12

Ministério em Jerusalém 2.13-3.36

Jesus e a mulher de Samaria 4.1-42

A cura do filho de um oficial do rei 4.43-54

A cura de um paralítico em Betesda 5.1-15

Honrando o Pai e o Filho 5.16-29

Testemunhas do Filho 5.30-47

Ministério na Galiléia 6.1-71

Conflito em Jerusalém 7.1-9.41

Jesus, o bom Pastor 10.1-42

Ministério em Betânia 11.1-12.11

Entrada triunfal em Jerusalém 12.12-19

Rejeição final: descrença 12.20-50

 

II. O ministério de Jesus aos discípulos 13.1-17.26

Servir— um modelo 13.1-20

Pronunciamento de traição e negação 13.21-38

Preparação para a partida de Jesus 14.1-31

Produtividade por submissão 15.1-17

Lidando com rejeição 15.18-16.4

Compreendendo a partida de Jesus 16.5-33

A oração de Jesus por seus discípulos 17.1-26

 

III. Paixão e ressurreição de Jesus 18.1-21.23

A prisão de Jesus 18.1-14

Julgamento perante o sumo sacerdote 18.15-27

Julgamento perante Pilatos 18.28-19.16

Crucificação e sepultamento 19.17-42

Ressurreição e aparições 20.1-21.23

 

Epílogo 21.24-25

 


www.sntovivo.net

 

FONTES:

História Eclesiástica – Eusébio de Cesaréia – Ed. Paulos

Novo Testamento King James – Soc. Bíblica Ibero-Americana

Estudo Panorâmico da Bíblia – Ed. Vida

Bíblia de Estudo NVI – Ed, Vida

Bíblia de Estudo de Genebra – Ed. Soc. Bíblica do Brasil

Dicionário Bíblico – Ed. Didática Paulista

Panorama do Novo Testamento – Ed. Vida Nova

Em Defesa de Cristo - Lee Strobel - Editora Vida


 FALE CONOSCO/PERGUNTA BÍBLICA