SANTO VIVO - ESTUDOS BÍBLICOS
Estudo do Livro de Rute

ESTUDO DO LIVRO DE RUTE

J. DIAS

O livro de Rute fazia parte da coleção dos livros sagrados que se liam publicamente por ocasião de certos aniversários; por se tratar de assunto relativo às colheitas, liam-se nos dias de Pentecostes, que era a festa das colheitas. O livro de Rute figura na lista dos livros canônicos logo depois do livro de Juízes, tanto na versão da LXX quanto na enumeração feita por Josefo.

A história de Rute se passa no tempo dos Juízes, num período de desobediência, idolatria e violência. Conta como uma mulher viúva, moabita, que mesmo sendo de uma nação proibida de entrar na congregação do Senhor, eternamente (Dt 23.3-4), decidiu seguir o povo de Deus, se tornou bisavó de Davi e ancestral do Messias.

Essa história desenrola-se entre o mandato dos juizes Gideão e Jefté. O livro reflete um período transitório de paz entre Israel e Moabe (Jz 3.12-30). Oferece uma série de vislumbres da vida de membros de uma família israelita. Apresenta também um relato ameno de como permanecera um pouco de fé e piedade genuína no período dos juízes, suavizando um retrato da época que se não fosse por isso, seria totalmente obscuro.

AUTOR

A autoria do livro é desconhecida. Devido a genealogia no capítulo 4 que vai até Davi, mas não até Salomão, alguns estudiosos entendem que este livro tenha sido escrito depois de Davi ser ungido rei, mas antes de assumir o trono, quando Samuel ainda era vivo, por isso uma tradição judaica atribui a autoria do livro de Rute ao profeta Samuel.

 

COMPOSIÇÃO E PROPÓSITO

Apesar de situado na Bíblia após o livro de juízes, a exemplo da Septuaginta e da Vulgata Latina, a ordem judaica coloca o livro na terceira divisão do cânon, entre os Escritos. Por isso não é considerado parte da história deuteronomista.

 

Essa comovente história tem provocado diferentes conclusões quanto ao seu propósito. Uma história como essa não precisa de moral para justificar sua popularidade, porém não há duvidas de que ela tem uma moral ou um propósito teológico. Os interpretes da Bíblia não tem dificuldade em encontrar um propósito; o desafio tem sido encontrar um tema central que perpasse todo o texto.

 

Propósito principal – mostrar como uma mulher gentia se converteu em um dos antepassados de Cristo.

 

O livro de Rute tem sido interpretado como celebração do seguinte:

1 - Que um convertido, mesmo sendo de Moabe, pode ser fiel ao Senhor e obter filiação plena em Israel.

2 – Que qualidades como lealdade e fidelidade as leis do Senhor demonstradas por um estrangeiro podem servir de modelo para o povo de Israel.

 

Boaz é o modelo para o parente que redime, ao passo que Rute reflete graciosamente o amor fiel de Deus a quem busca refúgio em suas asas.

 

Como o livro termina em Davi, muitos o consideram uma mensagem relativa ao rei. A questão é:

- O que o livro quer transmitir sobre ele?

- É uma tentativa de explicar e desculpar sua ascendência estrangeira?

- Pretende mostrar a providência divina em ação para preservar a linhagem da qual era herdeiro?

 

Outros consideram a ligação de Davi com o livro, secundária. Acreditam que o propósito é promover a conversão de povos estrangeiros ou desmotivar o casamento de israelitas com eles. Ambas as ideias são difíceis de apoiar por causa da mudança da situação descrita na obra e por causa do seu tom suave.

 

DIFICULDADES

Questões que tem fascinado estudiosos surgem diretamente de elementos estranhos da narrativa. Estes podem ser divididos em grupos:

1 – Questões relacionadas com as dificuldades de definir a data e origem do livro.

2 – Questões sobre costumes legais, especialmente as obrigações familiares de um parente próximo de uma pessoa falecida.

 

TEMA

Providência divina. Diante da tragédia que se abateu na família de Elimeleque, Deus recompensou amplamente a piedade de Noemi e a lealdade de Rute.

 

Como a vida de uma jovem moabita foi enriquecida:

1 – Por meio da constância de uma sábia escolha (1.16).

2 – Por meio de um trabalho humilde (2.2-3).

3 – Ao aceitar o conselho de uma amiga mais idosa e experiente (3.1-5).

4 – Por meio de uma aliança providencial (4.10-11).

5 – Por sua exaltação em uma família real (4.13-17).

 

TEOLOGIA

Talvez pareça surpreendente que quem reflete o amor de Deus seja uma moabita, povo que foi amaldiçoado pelo próprio Deus, por terem agido como inimigos do povo de Israel durante a caminhada deles no deserto em direção a Canaã (Dt 23.3-4). No entanto, sua total lealdade à família israelita que à acolheu por casamento e sua devoção total à sogra Noemi, tornam essa mulher verdadeira filha de Israel, ancestral de Davi e por consequência de Jesus. É um exemplo claro que Deus não escolhe ninguém por causa da família, nação ou povo, mas sim por ajustar a sua vida a vontade de Deus. Rute ao ser incluída na linhagem de Jesus, significa que todos as nações serão aceitos e representados no reino de Deus.

 

CARACTERÍSTICAS LITERÁRIAS
A narrativa é característicamente histórica, e confirma a harmonia que se observa nas circunstâncias do tempo e das relações cordiais existentes entre Israel e Moabe (1 Sm 22.3-4). Os fatos são registrados sem comentário algum, o que vem provar que foram escritos antes do cativeiro. A linguagem é semelhante aos escritos daquela época, em paralelo com o livro de Juízes. O livro de Rute não recebeu a sua forma literária final, senão muito tempo depois dos acontecimentos que ele contém; o que vem explicar o costume de tirar o sapato do pé em sinal de testemunho na aquisição de propriedade, usado nos tempos primitivos.

Embora seja um documento de clara importância histórica sobre o período dos juízes, a narrativa do livro é desenvolvida com intensidade dramática. A história move-se rapidamente através de vários estágios, cada um sendo marcado por elementos de ironia e suspense, todos contribuindo para comprovar a fidelidade da providência divina. O Senhor inspira o retorno de Noemi para Israel, a fidelidade de Rute, a aliança e o apego correto de Boaz no cumprimento da lei. O livro fecha com uma genealogia do rei Davi, o descendente de Boaz, o israelita e de Rute a moabita, uma jovem viúva que se refugiou sobre as asas do Senhor Deus de Israel (2.12).

 

Rute e Boaz fazem parte de uma genealogia mais extensa onde a graça de Deus é combinada com a fraqueza humana.

 

O QUE ERA O RESGATADOR?

O sistema do levirato é explicado na literatura israelita em Deuteronômio 25.5-10. De acordo com essa lei, se um homem morresse sem deixar filhos, o irmão era obrigado a gerar um filho com a viúva. Posteriormente, esse filho seria considerado herdeiro do irmão falecido. Assim as famílias não teriam fim.

 

A interpretação do costume do levirato é condizente com direitos de resgate de terras e introduz o contexto legal do livro de Rute. O termo “Resgatador”, é tirado da lei de resgate de terras (Lv 25.25-31, 47-55). Segundo essa lei, a terra vendida podia ser comprada de volta por um parente para manter a terra na família. Tanto a lei da terra quanto o levirato tinham o propósito de preservar família e terra, questões essenciais na aliança. Eram provisões sociais pelas quais as promessas divinas continuariam a se realizar mesmo para famílias em crise.

 

QUEM ERAM OS MOABITAS?

Os moabitas são descendentes de Ló com sua filha primogênita. Estabeleceram-se na Transjordânia, território entre o mar Morto e o deserto da Arábia, anteriormente ocupada pelos emins, conhecidos também como refains ou enaquins (Deuteronômio 21.10-11). Muitas vezes faziam incursões predatórias em Israel; “em bandos costumavam invadir a terra, à entrada do ano” (2 Reis 13.20). Combatidos por juízes e por Saul, foram definitivamente vencidos por Davi. Tinham religião politeísta e um regime monárquico. Seus deuses principais eram Quemos, Atar e Baal-Peor. Inscrições encontradas coincidem com os da Bíblia e mostram que Quemos era o deus de Moabe.

 

ESBOÇO DE RUTE
ANÁLISE HISTÓRICA

Sobre Noemi:

1-    Sua permanência em Moabe (1.1-5).

2-    Seu triste regresso à Belém (1.6-22).

 

Sobre Rute:

1-    Respiga nos campos de Boaz (cap. 2).

2-    Seu casamento com Boaz (4.13)

3-    O nascimento de seu filho Obede, avô de Davi (4.13-16).

4-    Na genealogia de Davi (4.18-22).

 


 

FONTES:

Panorama Bíblico Avançado – Editora Quadrangular

Panorama do Antigo Testamento – Editora Vida

Bíblia de Estudo NVI – Editora Vida

Bíblia de Estudo de Genebra – SBB

Bíblia Thompson – Editora Vida
Novo Dicionário da Bíblia John Davis - Editora Hagnos

 

www.santovivo.net

 



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