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Os Dons do Espírito Santo

OS DONS DO ESPÍRITO SANTO


QUE SÃO DONS ESPIRITUAIS?

São dons especiais concedidos por Deus às pessoas com o propósito de manifestá-lo em sua graça e poder e para edificar a Igreja.

 

Três capítulos do Novo Testamento, assim como parte de outros dois, são exclusivamente dedicados ao assunto. Existem aproximadamente cem referencias no Novo Testamento sobre a questão dos dons espirituais, ou sobre o exercício de um ou outro dom citado em 1 Coríntios 12. Apesar da manifestação frequente do Espírito Santo na Igreja do Novo Testamento, a maioria dos livros sobre doutrina e teologia ignora os dons espirituais ou dedica um ou dois parágrafos ao assunto, geralmente de forma negativa, com a conclusão de que os dons cessaram com o fim da era apostólica. Não há nenhuma inferência no Novo Testamento de que qualquer concessão do Espírito Santo cessaria antes de vermos “face a face” e antes que venha “o que é perfeito” (1 Co 13.10-12).

 

CLASSIFICAÇÃO

Há várias listas de dons espirituais no Novo Testamento: Romanos 12.6-8; 1 Coríntios 12.8-10; 12.28-29; Efésios 4.11-13. O apóstolo Paulo afirma que os melhores dons são aqueles que suprem as necessidades ministeriais da Igreja, mas o maior de todos os dons é o amor (1 Co 13).

 

Vamos trabalhar com os dons descritos em 1 Coríntios 12.8-10. Paulo enumera nove dons que podem ser classificados da seguinte maneira:

 

A)  Dons de ensino e pregação: palavra de sabedoria e palavra de conhecimento.

B)  Dons de Poder: cura, operação de milagres (maravilhas), fé, profecia e discernimento de espíritos.

C)  Dons de adoração: variedade de línguas e interpretação de línguas.

 

DONS DE ENSINO E PREGAÇÃO

Palavra de sabedoria. Porque a um pelo Espírito é dada a palavra da sabedoria” (1 Co 12.8).

 

Sabedoria é o meio pelo qual podemos, de maneira eficaz usar o conhecimento, tanto para defender o evangelho (ser apologista) quanto para poder esclarecer questões controvertidas. Não se trata de sabedoria comum, para o viver diário, que se obtém com estudo e meditação. Esse dom diz respeito mais especificamente a um fragmento da sabedoria de Deus que nos é concedida por meios sobrenaturais, ou seja, pelo Espírito de Deus. É um dom essencial para o governo da Igreja. No pastor ou outro líder da Igreja que recebe o chamado de Deus para o cargo, esse dom é facilmente notado por quem necessita de seus conselhos.

 

Palavra de conhecimento. E a outro, pelo mesmo Espírito, a palavra de conhecimento” (1 Co 12.8).

 

Esse dom tem sido definido como a revelação sobrenatural de algum fato que apenas Deus tinha conhecimento, e que o homem com suas limitações jamais poderia conhecer.

 

Este dom de palavra de conhecimento pode estar na declaração de Paulo em 1 Coríntios 1.5: “...porque em tudo fostes enriquecidos nele, em toda palavra e em todo o conhecimento...

 

Qual a diferença entre dom de Sabedoria e dom de Conhecimento? Segundo um erudito, “Conhecimento” é o entendimento profundo ou a compreensão das coisas divinas, e “Sabedoria” é o conhecimento prático ou habilidade que ordena ou regula a vida de acordo com seus principais fundamentos.

 

DONS DE PODER

Cura.E a outro, no mesmo Espírito, dons de curar” (1Co 12.9).

 

Este dom é concedido a qualquer cristão para a restauração da saúde do corpo, da alma e do espírito, tanto do crente quanto do descrente. No original grego, o dom “curar”, como seu efeito está no plural, o que dá a entender que existe uma variedade de modos de operação desse dom. As pessoas que tem esse dom são usado por Deus de forma sobrenatural para por meio da oração, dar saúde aos enfermos.

 

Não se deve entender que quem possui esse dom, tenha poder de curar a todos os enfermos; deve ser dado lugar a vontade soberana de Deus e à atitude e condição espiritual do enfermo. O próprio Cristo foi limitado em sua capacidade de curar por causa da incredulidade do povo (Mt 13.58).

 

Do que temos certeza é que Deus fez provisão para que a cura física fosse um ministério da sua igreja e que os dons de cura iriam operar juntamente com a fé. A cura é tão comum no ministério de Jesus e no dos apóstolos que uma igreja sem o dom de curas pareceria bastante afastada do padrão bíblico. Mas é bom sempre lembrar que João Batista, que foi segundo Jesus o maior profeta entre os nascidos de mulher, no entanto no seu ministério não consta nenhuma cura.

 

A pessoa enferma não depende inteiramente de quem possui o dom de cura. Todos os crentes, de modo geral, e os presbíteros da Igreja, em particular, estão dotados de poder para orar pelos enfermos (Mc16.17-18; Tg 5.14).

 

Em certas ocasiões os doentes eram curados através da fé possuída pelo indivíduo que fazia a oração, mas a fé por parte da pessoa aflita é importante e algumas vezes essencial: “Este ouviu falar Paulo, que, fixando nele os olhos, e vendo que tinha fé para ser curado, disse em voz alta: Levanta-te direito sobre teus pés. E ele saltou e andou” (At 14.9-10). Paulo estava exercendo o dom de cura, não obstante sua ordem para que o coxo levantasse tivesse sido dada depois de perceber que ele tinha fé para ser curado. Essa fato ocorrido com o apóstolo Paulo em Listra, nos ensina que a pregação da Palavra de Deus é uma forma de incutir fé nas pessoas que nos ouvem: “De sorte que a fé vem pelo ouvir, e ouvir a Palavra de Deus” (Rm 10.17).

 

Operação de milagres. “A outro operação de milagres” (1Co 12.10).

 

A operação de milagres é a tradução do grego energemata dunameon, que é literalmente interpretado como “operação de poderes sobrenaturais”. Como acontece com os “dons de curas”, ambos os termos são plurais. Ao que parece, de acordo com a pluralidade das expressões, cada milagre ou manifestação sobrenatural de poder é operado através de alguém com o dom da fé (Mt 17.20; 21.20-22).  No Novo Testamento, os eventos de origem sobrenatural são chamados “milagres, prodígios e sinais” (At 2.22; 2.43; 6.8; 8.13; Hb 2.4). É interessante notar que o termo “prodígio” jamais é empregado sozinho, mas está sempre associado ao termo “sinal”.

 

Alguns exemplos desse milagres no Novo Testamento são: a cegueira de Elimas, o mágico (At 13.8-12); a ressurreição de Dorcas (At 9.36-42), e de Êutico (At 20.9-12); e o fato de Paulo ter removido do braço uma víbora sem ser envenenado (At 28.3-5).

 

Fé.A outro, no mesmo Espírito, a fé” (1Co 12.9).

 

Esse tipo de fé não é a fé salvadora comum (Ef 2.8). É mais do que isso. Trata-se de uma fé sobrenatural, especial, comunicada pelo Espírito Santo, que capacita o crente para a realização de coisas extraordinárias e milagrosas. É a fé que move montanhas (Mc 11.22-24) e que, frequentemente, opera em conjunto com outras manifestações do Espírito Santo, tais como: curas e milagres. Esse dom só se manifesta quando surge uma necessidade. O dom da fé é visto na operação da cura do coxo na porta do Templo, registrada em Atos 3. Pedro teve a fé milagrosa para ordenar ao coxo que levantasse e andasse em nome de Jesus.

 

Profecia. “A outro profecia” (1Co 12.10).

Entre os dons citados por Paulo em 1 Coríntios, a profecia é do dom mais desejável (14.1,5,25.25.29).

 

É preciso distinguir a profecia aqui mencionada, como manifestação momentânea do Espírito, da profecia como dom ministerial na Igreja, mencionada em Efésios 4.11. Como dom de ministério, a profecia é concedida apenas a alguns crentes, os quais servem na igreja como ministros e profetas.

 

Quanto à profecia, como manifestação do Espírito, trata-se de um dom que capacita o crente a transmitir uma palavra ou revelação diretamente de Deus, sob o impulso do Espírito Santo (1 Co 14.24-25, 29-31).

 

Tanto no Antigo como no Novo Testamento, profetizar não é prever o futuro, mas proclamar a vontade de Deus, exortar e levar o povo à retidão, à fidelidade e à paciência. A mensagem profética pode desmascarar a condição do coração de uma pessoa, tornando manifesto os segredos do coração (1Co 14.25), ou prover edificação, exortação e consolo (1Co 14.3).

 

A inspiração manifestada no dom de profecia não está no mesmo patamar da inspiração das Escrituras. Isso está implícito pelo fato de que os crentes são instruídos a provar ou julgar as mensagens proféticas (1Co 14.29). Uma das razões porque deve haver o julgamento da profecia é que o espírito humano pode confundir sua mensagem com uma mensagem divina.

 

Discernimento de espíritos. “A outro, discernimento de espíritos” (1Co 12.10).

 

Pode haver inspiração falsa, obra de espíritos enganadores ou do espírito humano. Como é possível perceber a diferença? Pelo dom de discernimento que dá aquele que tem esse dom capacidade de determinar se o profeta está falando ou não pelo Espírito de Deus. Esse dom capacita a “enxergar” todas as aparências exteriores e conhecer a verdadeira natureza de uma inspiração. A operação do dom de discernimento pode ser examinada por duas outras provas: a doutrinária (1 Jo 4.1-6) e a prática (Mt 7.15-23).

 

Todos os crentes cheios do Espírito Santo são até certo ponto, capazes de julgar operações de dons vocais no sentido de serem ou não espiritualmente edificantes para a igreja.

 

DONS DE ADORAÇÃO

Variedade de línguas (Glossolalia).A outro variedade de línguas” (1Co 12.10).

 

Esse dom nada tem a ver com a facilidade de assimilar línguas estrangeiras, tampouco tem a ver com o intelecto.

 

Essas línguas podem ser humanas, como a que os discípulos falaram no dia de Pentecoste (At 2.4-6), ou outra língua desconhecida na terra, entendida somente por Deus, conforme declaração do apóstolo Paulo: “Porque o que fala em língua desconhecida não fala aos homens, senão a Deus; porque ninguém o entende, e em espírito fala mistérios” (1Co 14.2).

 

As mensagens em línguas estranhas nos cultos devem ser seguidas de sua interpretação, também pelo Espírito, para que a congregação conheça o conteúdo e o significado da mensagem. Paulo recomenda: “E, se alguém falar em língua desconhecida, faça-se isso por dois, ou quando muito três, e por sua vez, e haja intérprete. Mas, se não houver intérprete, esteja calado na igreja, e fale consigo mesmo, e com Deus” (1Co 14.27-28).

 

Interpretação de Línguas. “A outro interpretação de línguas” (1Co 12.10).

 

Trata-se da capacidade concedida pelo Espírito Santo ao portador desse dom interpretar a mensagem dada em línguas estranhas. Possuir o dom de interpretação não significa ter a capacidade linguística de traduzir. Não significa fazer um curso para aprender línguas.

 

É uma operação puramente espiritual. O mesmo Espírito que inspirou o falar em línguas, pelo qual as palavras pronunciadas procedem do Espírito e não do intelecto, pode inspirar também sua interpretação. A interpretação é, portanto, inspirada e espontânea.

 

A interpretação pode vir por meio de quem entregou a mensagem em línguas, ou de outra pessoa. Quem fala em línguas deve orar para que possa interpretá-las, conforme ensina o apóstolo Paulo (1Co 14.13).

 

O USO DOS DONS

Em 1 Coríntios 12, Paulo revelou os grandiosos recursos espirituais de poder disponíveis para a Igreja; no capítulo 14, ele expõe como os dons devem ser usados e controlados, para que sejam usados com o intuito de edificar a congregação e não destruí-la. A instrução era necessária pois uma leitura desse capítulo demonstra que a desordem havia reinado em algumas reuniões, por causa da falta de conhecimento das manifestações espirituais.

 

O capítulo 14 de 1 Coríntios expõe assim esse regulamento:

 

a)   Valor proporcional (14.5-19). A igreja de Corinto havia se inclinado muito para o dom de línguas. Paulo lembra que a interpretação e a profecia eram necessárias para que o povo pudesse ter conhecimento inteligente do que estava fazendo.

b)  Edificação. O propósito dos dons é a edificação da Igreja, para encorajar os crentes e converter os descrentes. Mas, segundo Paulo, se alguém de fora entra na igreja e tudo que ouve é o falar em línguas sem interpretação, dirá que todos estão loucos (14.12,23).

c)   Sabedoria (14.20). “irmãos, deixem de pensar como crianças.” Em outras palavras: Usem o bom senso.

d)  Autodomínio (14.32). Alguns podem dizer: “Não podemos silenciar, quando o Espírito Santo vem sobre nós, somos obrigados a falar”. Mas Paulo responderia: “O espírito dos profetas está sujeito aos profetas”. Isto é, aquele que tem o dom de línguas pode dominar sua expressão e falar unicamente para Deus, quando tal domínio seja necessário.

e)   Ordem (14.40). “Mas tudo deve ser feito com decência e ordem”. Quando e Espírito Santo está operando com poder, haverá uma comoção e um movimento, aqueles que aprenderem a render-se a ele não criarão cenas que escandalizem os visitantes ou que não sirvam de edificação.

 

CONCLUSÃO

Esses são apenas alguns dons, porém é bom saber que existem outros dons espalhados pelas Escrituras, como por exemplo, os dons ministeriais no Novo Testamento.

 


J. DIAS

 

FONTES:

 

Fundamentos da Teologia Pentecostal – Ed. Quadrangular.

Conhecendo as Doutrinas da Bíblia – Ed. Vida.

Apostilha de Teologia da FTB – Módulo 3 – Ed. Betesda.

Dicionário Bíblico – Ed. Didática Paulista.

 

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