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Cruz e Crucificação - Como Era A Cruz de Cristo

CRUZ E CRUCIFICAÇÃO - COMO ERA A CRUZ DE CRISTO?


INSTRUMENTO DE TORTURA E EXECUÇÃO

A cruz era um instrumento de tortura e execução. Obteve significado especial pela sua conexão com a morte de Jesus. Duas palavras gregas se empregam para o instrumento de execução no qual Jesus morreu: Xylon (madeira, árvore) e staurus (estaca, cruz).


Rafael Bluteau, em seu “Vocabulário Português e Latino”, diz que a cruz era o: “Antigo Patíbulo dos malfeitores, em várias nações do mundo e de diferentes figuras segundo a variedade dos tempos”.


TIPOS DE CRUZ

As cruzes de dois paus eram feitas de três maneiras:

1- De um pau atravessado pelo meio do outro, como a letra “X” (Cruz de Santo André).

2- De um pau atravessado pela extremidade superior de outro pau, como a letra “T” (Latim Crux comissa, Cruz de Santo Antonio ou Cruz Egípcia).

3- De um pau direto, e atravessado por outro, não totalmente por cima dele, mas deixando um pedaço livre, e mais alto que os braços da cruz “+” (Cruz immissa ou cruz latina).


Existiam cruzes altas e baixas. A “cruz sublimis” era alta. Todas as citações históricas sobre essa cruz mostram claramente que ela era reservada a personagens que os crucificadores queriam colocar em evidência. Porém a maioria das cruzes era baixa, “humilis”. Isso permitia aos animais ferozes despedaçarem à vontade os crucificados. Consideremos também que usava-se cruzes baixas (humilis) na intenção de simplificar a crucificação para os carrascos, principalmente quando havia grande número de condenados.


O “stipes crucis”, em português: o tronco da cruz, porque “stipes” quer dizer tronco de árvore, estaca pontiaguda. Era a parte que primitivamente, se dava o nome de “cruz”. A “crux” (“cruz” em latim, “stauros” em grego), não é outra coisa senão uma estaca fixada verticalmente no chão. O significado da palavra “crux” estende-se em seguida ao conjunto dos dois paus ajustados um ao outro, tal como o concebemos hoje em dia, na forma de um pau direto, e atravessado por outro, não realmente por cima dele, mas deixando um pedaço livre e mais alto que os braços da cruz (Cruz Latina).


VÁRIOS POVOS USAVAM A CRUCIFICAÇÃO

Nas mais célebres nações do mundo foi usado o suplício da cruz. Entre os assírios, antes do nascimento de Abraão, Pharmo, rei da Média, foi crucificado por mandado de Nino, seu vencedor. Entre os hebreus, o rei Janneo (Janeu), filho de Hircano, mandou crucificar oitocentos deles. Entre os gregos, Xantippe, general dos atenienses, condenou ao suplício da cruz a Artayete, governador da Etólia. Os gregos demonstravam verdadeiro pavor à crucificação, e por isso não a adotaram como forma de execução de seus criminosos. Ela só passou a fazer parte dos costumes gregos no tempo de Alexandre, o Grande, que a imitou dos persas. Foi praticada na Síria sob os selêucidas, e no Egito sob o governo dos ptolomeus. Em Siracusa, cidade grega, Dionísio, o tirano, praticou-a inspirado pelos cartagineses.


Os romanos também a adotaram observando o exemplo dos cartagineses. Essa prática, que começou a ser usada em Roma como punição aos escravos, passou a ser aplicada também aos prisioneiros de guerra, aos desertores, aos ladrões, e, sobretudo aos revoltosos vencidos. Tempos depois passou a ser utilizada em Israel. Herodes, o Grande, mandou crucificar mais de 2.000 judeus que se rebelaram contra ele. Durante o cerco de Jerusalém em 70 d.C., os romanos chegaram a crucificar 500 judeus por dia, segundo testemunho do historiador e comandante das tropas judaicas rebeladas, Flávio Josefo.


Em tempos de paz, a crucificação era primordialmente o suplício usado contra os escravos. São numerosos os autores romanos que dão testemunho disto, como Tito Lívio*, Cícero*, Tácito* e outros. As comédias de Plauto* em que aparecem muitas histórias de escravos estão cheias de alusões bem diretas ao que os escravos consideravam seu fim natural: “Meu pai, meu avô, meu bisavô, meu tataravô, meu trisavô, terminaram suas vidas crucificados”. De acordo com um antigo e detestável costume, quando um senhor de escravos era assassinado e não se conseguia descobrir o criminoso, todos os escravos da casa eram crucificados.


CARREGAR A CRUZ

O condenado devidamente flagelado percorria a pé, despojado de todas ou de quase todas as suas roupas, carregava o seu patíbulo do tribunal ao local do suplício, onde estava esperando seu “stipes” (haste vertical da cruz) no meio de verdadeira floresta de outros semelhantes.


A expressão “carregar a cruz” (em grego “stauron bastazein”) só se encontra nos textos gregos rabínicos e no Novo Testamento. Em latim, só é encontrada nas versões da Bíblia.


O condenado carregava a cruz geralmente sobre a nuca, tendo os dois membros superiores estendidos e amarrados sobre ela de modo a ficar impedido de atacar quem quer que fosse. Plauto, entre outros textos que poderíamos citar resume tudo isto com uma frase: “Que leve o patíbulo pela cidade, depois será cravado na cruz”. (Carbonária).


Outro detalhe confirma o fato de que o condenado só carregava o patíbulo. Apenas o patíbulo pesava cerca de 50 quilos, e a cruz inteira devia ultrapassar os 100 quilos. Carregar o patíbulo já era um castigo bem rude para quem acabara de sofrer severa flagelação de açoites e consequentemente perdera boa parte de seu sangue e de suas forças. Ele não teria condições de carregar a cruz inteira. Nunca se fala em arrastar a cruz, todos os textos trazem o termo “bastazein”, que significa carregar, e nunca “thahere”, que seria arrastar.


A frente do condenado que carregava a cruz ia sempre alguém carregando um pedaço de madeira sobre o qual estava escrito o nome do réu e o crime pelo qual ele fora condenado. Às vezes o próprio réu levava esse título pendurado no pescoço. Depois ele, era fixado no alto da cruz.


COMO ERA A CRUCIFICAÇÃO

Tudo que acabamos de escrever sobre o fato de o condenado carregar somente o patíbulo, e depois este ser fixado sobre a haste vertical no local do suplício, supõe ser o modo que com tanta concisão e clareza expressou Firmicus Maternus*: “O réu pregado ao patíbulo, é içado para cima da cruz”.


Quando a crucificação era feita com cordas, bastava enganchar o patíbulo sobre o qual o réu tinha sido amarrado e em seguida prender-lhe os pés à haste vertical com algumas laçadas de corda. Quando a crucificação era feita com cravos, era necessário desamarrar o condenado e deitá-lo por terra com as costas sobre o patíbulo, puxar-lhe as mãos e cravá-los sobre as extremidades do patíbulo. Depois então é que ele era levantado já pregado no patíbulo, e este era enganchado no alto do “stipes” (haste vertical). Isto feito, nada mais restava senão pregar-lhe os pés diretamente sobre o “stipes”.


Esse soerguimento era feito com certa facilidade, sobretudo quando a cruz não ultrapassava os dois metros. Quatro homens podiam facilmente soerguer nas mãos o patíbulo e o condenado. Podiam também fazer o condenado subir de costas uma pequena escada encostada no “stipes”.


Muitas vezes colocava-se no madeiro vertical da cruz um pequeno apoio para os pés chamado “sedile” (assento) para o condenado poder apoiar um pouco do peso do corpo para que não se rasgasse e caísse. Porém, ao estudarmos a causa mortis na crucificação, veremos que este apoio era destinado a prolongar consideravelmente a agonia do crucificado. Para respirar a pessoa tem de se firmar nos pés, para aliviar um pouco a tensão dos músculos, faz estes movimentos repetidas vezes, e ao subir e descer as costas nuas são machucadas pela madeira da cruz, e o prego rasga a carne até se prender contra os ossos do pé, mas consegue respirar dessa maneira por vários dias.


Ai ficava o crucificado pendurado, exposto a intensa dor física, ao ridículo do povo, ao calor do dia e ao frio da noite. A tortura, como mencionado, durava vários dias. Segundo informações do escritor romano Horácio*, nas encostas do monte Esquilino, em Roma, havia uma floresta permanente de cruzes onde os condenados eram crucificados. À noite os lobos saiam de seus esconderijos nesse monte para devorar as pessoas crucificadas.


Quando se queria acabar rapidamente com o sofrimento do crucificado, as pernas eram quebradas. Isso os impediria de empurrar-se para cima com as pernas para respirar, e a morte por asfixia ocorreria em questão de minutos.


Ao padecente, como gesto de misericórdia era-lhe oferecido vinho com mirra, a fim de mitigar-lhe a dor e o sofrimento.


O GOLPE COM A LANÇA

Esse golpe não se tratava de mais um suplício nem flagelação, uma vez que se estava tratando com um condenado à morte, e sabe-se que estes já tinham sido flagelados e crucificados. Tratava-se de um golpe especial, posterior a morte do condenado para se ter certeza de que realmente estava morto. Geralmente o carrasco só permitia a retirada de um condenado da cruz para sepultamento, após ser desferido esse golpe. Assim quando a família pedia o cadáver de um condenado, o carrasco devia antes de tudo ferir o coração do crucificado. Esse golpe no coração, dado pelo lado direito do peito, era conhecido como infalivelmente mortal pelos soldados dos exércitos romanos.


A GUARDA MILITAR

Toda crucificação devia ser feita de forma legal, com um aparato inteiramente militar, sob as ordens de um centurião. O exército, que já se encarregava da flagelação fornecia a escolta para conduzir o condenado do tribunal ao lugar do suplício. Era ainda entre os membros dessa escolta que se recrutavam os carrascos para a crucificação. O exército regular também fornecia uma guarda para ficar velando ao pé da cruz. Esses guardas tinham a função de impedir que parentes ou amigos das vítimas viessem e os retirassem da cruz. A guarda permanecia ao pé da cruz até a confirmação da morte dos condenados.


O SEPULTAMENTO

Em geral não havia sepultamento de crucificados, os cadáveres ficavam na cruz para servir de alimento para as aves e animais selvagens. Porém os corpos podiam ser solicitados pelas famílias que quisessem assegurar uma sepultura para seu parente. Por outro lado, o juiz podia negar, uma vez que a autorização para sepultamento dependia dele. Isso acontecia em casos onde havia muito ódio pelo condenado.


CONCLUSÃO

Era a cruz o mais infame dos suplícios e o castigo ordinário de ladrões de estradas, assassinos, traidores e escravos. Cícero, escritor romano, chamava-lhe “a mais cruel e atroz das condenações à morte”. O próprio nome cruz era motivo de opróbrio, culpa e ignomínia.


Eram muito comuns as crueldades que precediam o ato da crucificação, o prisioneiro em primeiro lugar, era despido e humilhado publicamente a após açoitá-lo até dilacerar o seu corpo era forçado a carregar a sua cruz até o local da execução como prova incontestável de sua culpa. A execução macabra sempre tinha lugar fora dos muros da cidade onde o condenado era forçado a deitar-se de costas no chão, suas mãos eram pregadas ou atadas ao braço horizontal da cruz (o patíbulum) e seus pés ao poste vertical (stipes crucis). Então a cruz era erguida e jogada num buraco escavado para ela no chão. Afirma-se que os crucificados só morriam após vários dias na cruz. A morte usualmente demorava muito, raramente exigindo menos de trinta e seis horas, e ocasionalmente se prolongava por nada menos de nove dias. As dores eram intensas, e as artérias da cabeça e do estômago ficavam grossas de sangue. As vezes declarava-se febre traumática e tétano.


Sendo a cruz o mais infame dos suplícios e o castigo designado para ladrões de estrada, assassinos, traidores e escravos, foi escolhido para ser o castigo do Filho de Deus. Paulo explica porque Jesus aceitou morrer de maneira tão vil: “Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se maldição por nós; porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado no madeiro” (Gl 3.13). Mas também foi na cruz que Jesus venceu a morte e o inferno e nos reconciliou com Deus.


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FONTES:

Perguntas Difíceis de Responder – Elias Soares de Morais – Beit Shalom Editora.

Um Médico Descreve a Crucificação de Cristo – Pierre Barbet – Bálsamo de Gileade Edições.

Em Defesa de Cristo – Lee Strobel – Editora Vida.


AUTORES CITADOS:

Tito Lívio (em latim: Titus Livius; Pádua c. 59 a.C.), conhecido simplesmente como Lívio, é o autor da obra histórica intitulada Ab urbe condita ("Desde a fundação da cidade"), onde tenta relatar a história de Roma desde o momento tradicional da sua fundação 753 a.C. até ao início do século I da era comum, mencionando desde os reis de Roma, tanto os primeiros como os Tarquínios.


Marco Túlio Cícero
, em latim Marcus Tullius Cicero (Arpino, 3 de Janeiro de 106 a.C. — Formia, 7 de Dezembro de 43 a.C.), foi um filósofo, orador, escritor, advogado e político romano.


Públio (Caio) Cornélio Tácito
ou simplesmente Tácito, (55 - 120 d.C.), historiador romano, foi questor, pretor (88), cônsul (97), procônsul da Ásia (aproximadamente 110-113) e orador.


Tito Mácio Plauto
(cerca de 230 a.C. - 180 a.C.) foi um dramaturgo romano, que viveu durante o período republicano. As 21 peças suas que se preservaram até os dias atuais datam do período entre os anos de 205 a.C. e 184 a.C. Suas comédias estão estão entre as obras mais antigas em latim preservadas integralmente até os dias de hoje, são quase todas adaptações de modelos gregos para o público romano, tal como ocorria na mitologia e na arquitetura romanas. Seus trabalhos foram também fonte de inspiração para muitos renomados escritores, tais como Shakespeare, Molière e outros.


Julius Firmicus Maternus
era um cristão notável escritor e astrólogo, que viveu no reinado de Constantino I e seus sucessores.


Quinto Horácio Flaco
, (Venúsia, 8 de dezembro de 65 a.C. — Roma, 27 de novembro de 8 a.C.) foi um poeta lírico e satírico romano, além de filósofo. É conhecido por ser um dos maiores poetas da Roma Antiga.




 

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