SANTO VIVO - ESTUDOS BÍBLICOS
A Justiça de Deus no Antigo Testamento

A JUSTIÇA DE DEUS NO ANTIGO TESTAMENTO


Quando as Escrituras dizem que Deus, ou uma das Pessoas da Divindade, é “Santo”, essa palavra significa tudo a respeito de Deus, e o torna objeto de admiração, de adoração e de temor para nós. Essa palavra, “santo” cobre todos os aspectos de grandeza transcendente e da perfeição moral de Deus e é característica de todos os seus atributos, apontando para a Divindade de Deus em todos os aspectos. A essência dessa verdade, contudo, é a pureza de Deus, que não pode tolerar qualquer forma de pecado (Hc 1.13), e chama os pecadores a humilhar-se constantemente em sua presença (Is 6.5).

Justiça, que significa agir corretamente em todas as circunstancias, é uma expressão da santidade de Deus. Ele mostra a sua justiça como legislador e juiz e, também como cumpridor de promessas e perdoador de pecados. Sua lei moral, que exige do homem comportamento semelhante ao seu, é “santa e justa e boa” (Rm 7.12). Sua ira, sua hostilidade judicial ativa contra o pecado é totalmente justa em suas manifestações, e seus julgamentos particulares são gloriosos e louváveis (Ap 16.5,7; 19.1-14).

 

Deus é justo. Qual a diferença entre santidade e justiça? Uma das respostas é: “Justiça é santidade em ação”. Justiça é a santidade de Deus que se manifesta no tratamento correto com sua criaturas. Justiça é obediência a uma norma reta; é conduta reta em relação ao outro. Quando Deus manifesta esse atributo?

 

1 – Quando livra o inocente, condena o ímpio e exige que se faça justiça.

 

2 - Deus não julga como fazem os juízes modernos, que fundamentam seu julgamento por evidencias apresentada e eles por outras pessoas. O Messias, cheio do Espírito Divino, não “julgará pela aparência, nem decidirá com base no que ouviu, mas com justiça” (Is 11.3).

 

3 – Quando castiga seu povo (Is 8.17; Am 3.2). Quando salva seu povo (Is 46.13; 45.24,25).

 

Suas atitudes derivam de seu amor, santidade, misericórdia e justiça, ou seja, sua natureza é singular. Devemos reconhecer que os valores morais humanos encontram um ponto de contato no caráter de Deus e, no entanto devemos ser capazes de compreender parte ou toda a dimensão moral e implicações de Suas ações. Portanto devemos sempre buscar compreender os motivos de Deus agir.

 

O problema é que em alguns casos nossa compreensão do que é bom ou mau parece entrar em contradição com o que lemos nas Escrituras.

 

O texto bíblico deixa muito claro que o Deus do Antigo Testamento é o mesmo do Novo Testamento. No entanto não podemos confrontar um com o outro, sugerindo que no Antigo Testamento Deus é mais irado e que no Novo Testamento é um Deus de amor. O Deus das Escrituras é um Deus de misericórdia, cujo amor é eterno. A ira não é um dos atributos divinos, mas é sua reação ao pecado e rebelião humana enquanto busca salvar os pecadores (Êx 34.6,7).

 

Há um número de casos, principalmente no Pentateuco, em que a ira divina parece ser implacável, e algumas punições à violação de certas leis parecem muito severas (exemplo, ÊX 21.12-17). Apenas uma explicação é insuficiente para esclarecer todas elas; é necessário estudar cada uma dentro de seu contexto. Na maioria dos casos, encontramos uma lógica moral adequada para a ação ou legislação.

 

Alguns casos são incompreensíveis para nós, mas devemos entender a soberania e justiça de Deus em seu modo de agir. Porém se comparamos a legislação bíblica com as práticas do Antigo Oriente Médio, concluiremos que as leis bíblicas eram muito humanas. Isso indica que Deus desejava elevar os valores morais de seu povo. Deus abordava seu povo dentro do contexto cultural e jurídico em que viviam, a fim de elevá-los a um novo de padrão moral e espiritual. Esse era um processo lento e muitas vezes doloroso, por meio do qual Deus se aproximava o máximo possível da condição humana sem sacrificar sua integridade moral.

 

Deus não escolheu uma das nações da terra para ser seu povo; Ele decidiu criar uma nação para Si. Ele chamou Abraão e dele surgiram as doze tribos.

 

A lei das clãs e tribos naquela época era muito rigorosa, e no caso de violação a pena era execução. A união dessas tribos em uma nação não foi uma tarefa fácil, mesmo para o Senhor. As leis das tribos eram sancionadas e modificadas pelo Senhor, que era também quem cobrava sua execução. Nas mãos dele, a intenção da lei era proteger os interesses não de uma tribo ou clã, mas da nação como um todo. Deus era responsável pela preservação e restauração da ordem dentro da comunidade. Insubordinação e rebelião que colocava em risco a própria existência da comunidade não eram toleradas dentro da teocracia (governo de Deus). A severidade da punição revelava a seriedade com a qual Deus tratava o pecado e a rebelião e serve como uma intimidação social. Nações que colocavam ou poderiam colocar em risco as comunidades de Israel, eram por ordem de Deus destruídas, sem deixar remanescente que pudessem no futuro se vingar. Isso tudo revela o zelo de Deus na proteção de seu povo. Mas Deus também puniu seu povo sempre que não se arrependeram do pecado.

 

A inescrutabilidade da vontade e das ações divinas permanece conosco. Há maneiras de ler o texto revelando seu significado moral e ético, mas reconhecendo que nem tudo é bastante claro. No entanto, os atos e as leis de Deus no Antigo Testamento eram manifestações de Seu caráter, que foi plenamente expresso na Pessoa de Seu Filho, Jesus. A resposta final expressa na Bíblia é a cruz de Jesus e Seu papel no Juízo Final. O julgamento do mundo deixará claro que Deus era justo e correto no modo como lidou com o problema do pecado ao responder a pergunta: “Não agirá com justiça o Juiz de toda a Terra” (Gn 18.25). A resposta será a mesma de agora: Sim, Ele agiu com justiça!

 

 


 

J. DIAS

www.santovivo.net

 

FONTES:

Conhecendo as Doutrinas da Bíblia – Ed Vida

Bíblia de Estudo de Genebra – Soc. Bíblica do Brasil

 

 


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