SANTO VIVO - ESTUDOS BÍBLICOS
Batalhas do Armagedom e Gogue Magogue

BATALHAS DO ARMAGEDOM E GOGUE MAGOGUE


BATALHA DO ARMAGEDOM

Essa grande batalha ocorrerá nos últimos dias da grande tribulação, conforme escreveu o apóstolo João: “E da boca do dragão, e da boca da besta, e da boca do falso profeta vi sair três espíritos imundos, semelhantes a rãs. Porque são espíritos de demônios, que fazem prodígios; os quais vão ao encontro dos reis da terra e de todo o mundo, para congregá-los para a batalha, naquele grande dia do Deus Todo-Poderoso. E os congregaram no lugar que em hebreu se chama Armagedom” (Ap 16.13,14,16)

 

O nome Armagedom significa “cidade de Megido” ou "Monte Megido".
O termo nos leva ao vasto território de Israel chamado Jeezreel, uma planície que vai da Galiléia ao Jordão, incluindo o imenso vale de  6 por 8 km e ficava numa bacia de 10 por 28 km. Os judeus drenaram o pântano, o Merom desapareceu e hoje é o vale de Hula.

Este local não é o local da batalha final, mas o lugar onde as forças se reunirão para ir em direção ao Vale de Josafá, como se pode observar no livro do profeta Joel: “Congregarei todas as nações, e as farei descer ao vale de Josafá; e ali com elas entrarei em juízo, por causa do meu povo, e da minha herança, Israel, a quem elas espalharam entre as nações e repartiram a minha terra” (Joel 3.2).

 

É nessa extensa faixa de terra que o anticristo mobilizará as nações em um grande ataque contra Israel e contra seu Deus. Acampados nesse vale, as tropas caminharão em direção à cidade santa. 

Talvez coincida com a batalha descrita em Ezequiel 38 e 39 que é Gogue e Magogue. Não confundir Gogue e Magogue de Ezequiel com o de Apocalipse 20.8. Aquela ocorrerá no fim da Grande Tribulação.

Não existe um único versículo na Bíblia que nos forneça a sequencia cronológica concernente à batalha de Armagedom. De acordo com Thomas Ice e Timothy Demy, baseados nos estudos do Dr. Arnold Fruchtenbaum, a campanha passará por oito estágios, como segue:

 

PRIMEIRO ESTÁGIO – os aliados do anticristo se reúnem para a batalha, naquele grande dia do Deus Todo-Poderoso, conforme o texto: “E os congregaram no lugar que em hebreu se chama Armagedom” (Ap 16.16);

 

SEGUNDO ESTÁGIO – a Babilônia é destruída. Mesmo o anticristo sendo uma corporificação de Satanás, este não sabe de todas as coisas nem possui todo poder, pois as Escrituras nos dizem que uma aliança do Norte destruirá a Babilônia: “Porque eis que eu suscitarei e farei subir contra a Babilônia uma congregação de grandes nações da terra do norte, e se prepararão contra ela; dali será tomada; as suas flechas serão como as de valente herói, nenhuma tornará sem efeito” (Jr 50.9);

 

Eis que um povo vem do norte; uma grande nação e muitos reis se levantarão dos extremos da terra. Armam-se de arco e lança; eles são cruéis, e não têm piedade; a sua voz bramará como o mar, e sobre cavalos cavalgarão, todos postos em ordem como um homem para a batalha, contra ti, ó filha de Babilônia” (Jr 50.41-42).

 

É o fim definitivo da grande prostituta das nações. João diz que: “E depois destas coisas vi descer do céu outro anjo, que tinha grande poder, e a terra foi iluminada com a sua glória. E clamou fortemente com grande voz, dizendo: Caiu, caiu a grande Babilônia, e se tornou morada de demônios, e covil de todo espírito imundo, e esconderijo de toda ave imunda e odiável. Porque todas as nações beberam do vinho da ira da sua prostituição, e os reis da terra se prostituíram com ela; e os mercadores da terra se enriqueceram com a abundância de suas delícias” (Ap 18.1-3).

 

TERCEIRO ESTÁGIO – a destruição de Jerusalém. Em vez de voltar para defender sua capital, o anticristo partirá contra Jerusalém, como disse o profeta Zacarias: “EIS que vem o dia do SENHOR, em que teus despojos se repartirão no meio de ti. Porque eu ajuntarei todas as nações para a peleja contra Jerusalém; e a cidade será tomada, e as casas serão saqueadas, e as mulheres forçadas; e metade da cidade sairá para o cativeiro, mas o restante do povo não será extirpado da cidade” (Zc 14.1-2).

 

QUARTO ESTÁGIO – o anticristo se volta contra o remanescente de Israel. O profeta Miquéias previu este dia e disse: “Certamente te ajuntarei todo, ó Jacó; certamente congregarei o restante de Israel; pô-los-ei todos juntos, como ovelhas de Bozra; como o rebanho no meio do seu pasto, farão estrondo por causa da multidão dos homens” (Mq 2.12).

 

QUINTO ESTÁGIO – a conversão de Israel. Zacarias previu esse dia: “Mas sobre a casa de Davi, e sobre os habitantes de Jerusalém, derramarei o Espírito de graça e de súplicas; e olharão para mim, a quem traspassaram; e pranteá-lo-ão sobre ele, como quem pranteia pelo filho unigênito; e chorarão amargamente por ele, como se chora amargamente pelo primogênito. Naquele dia será grande o pranto em Jerusalém, como o pranto de Hadade-Rimom no vale de Megido” (Zc 12.10-11).

 

SEXTO ESTÁGIO – a volta de Jesus Cristo: “E vi o céu aberto, e eis um cavalo branco; e o que estava assentado sobre ele chama-se Fiel e Verdadeiro; e julga e peleja com justiça. E os seus olhos eram como chama de fogo; e sobre a sua cabeça havia muitos diademas; e tinha um nome escrito, que ninguém sabia senão ele mesmo. E estava vestido de uma veste salpicada de sangue; e o nome pelo qual se chama é a Palavra de Deus. E seguiam-no os exércitos no céu em cavalos brancos, e vestidos de linho fino, branco e puro. E da sua boca saía uma aguda espada, para ferir com ela as nações; e ele as regerá com vara de ferro; e ele mesmo é o que pisa o lagar do vinho do furor e da ira do Deus Todo-Poderoso. E no manto e na sua coxa tem escrito este nome: REI DOS REIS E SENHOR DOS SENHORES” (Ap 16.11-16).

 

SÉTIMO ESTÁGIO – a batalha final, com a vitória de Jesus Cristo: “Ajuntai-vos, e vinde, todos os gentios em redor, e congregai-vos. Ó SENHOR, faze descer ali os teus fortes; Suscitem-se as nações, e subam ao vale de Jeosafá; pois ali me assentarei para julgar todas as nações em redor” (Joel 3.11-12).

 

OITAVO ESTÁGIO - a declaração do triunfo final no monte das Oliveiras: “E o SENHOR sairá, e pelejará contra estas nações, como pelejou, sim, no dia da batalha. E naquele dia estarão os seus pés sobre o monte das Oliveiras, que está defronte de Jerusalém para o oriente; e o monte das Oliveiras será fendido pelo meio, para o oriente e para o ocidente, e haverá um vale muito grande; e metade do monte se apartará para o norte, e a outra metade dele para o sul” (Zc 14.3-4);

 

E o sétimo anjo derramou a sua taça no ar, e saiu grande voz do templo do céu, do trono, dizendo: Está feito. E houve vozes, e trovões, e relâmpagos, e um grande terremoto, como nunca tinha havido desde que há homens sobre a terra; tal foi este tão grande terremoto. E a grande cidade fendeu-se em três partes, e as cidades das nações caíram; e da grande Babilônia se vingou Deus, para lhe dar o cálice do vinho da indignação da sua ira. E toda a ilha fugiu; e os montes não se acharam. E sobre os homens caiu do céu uma grande saraiva, pedras do peso de um talento; e os homens blasfemaram de Deus por causa da praga da saraiva; porque a sua praga era mui grande” (Ap 16.17-21).

 

OS PARTICIPANTES DA BATALHA

Haverá grandes poderes mundiais unidos nessa batalha:

 

1 – a federação de dez reinos sob a liderança da besta, que constitui a forma final do quarto grande Império Mundial;

2 – a federação do Norte, a Rússia e seus aliados;

3 – os reis do Leste, povos asiáticos de além do Eufrates;

4 – o rei do Sul, poder ou coligação de poderes do Norte da África. Deve ser acrescentado outro grande poder, em virtude de sua participação na batalha;

5 – O Senhor e seus exércitos celestiais.

 

Embora a hostilidade dos quatro primeiros seja de uns contra os outros e contra Israel (Zc 12.2,3; 14.2), é particularmente contra o Deus de Israel que eles lutam (Sl 2.2; Is 34.2; Zc 14.3; Ap 16.14; 17.14; 19.11,14,15,19,21).

 

TEORIAS SOBRE OS ACONTECIMENTOSO DE ARMAGEDOM

Existem inúmeras teorias a respeito dos acontecimentos da campanha de Armagedom:

 

1 – Armagedom será um conflito entre o Império Romano e a confederação do Norte;

 

2 – Será um conflito entre o Império Romano e os reis do Leste, ou poderes asiáticos;

 

3 – Armagedom será um conflito entre as nações e Deus;

 

4 – Será um conflito entre os quatro grandes poderes mundiais;

 

5 – Será um conflito entre o Império Romano, a Rússia e os poderes asiáticos;

 

6 – Excluirá a Rússia, mas ocorrerá entre os poderes romano, oriental e setentrional, com base na teoria de que Ezequiel 38 e 39 ocorram no milênio;

 

7 – A Rússia será a única agressora em Armagedom, com base na teoria de que não haverá uma forma avivada no Império Romano.

 

A grande mobilização de exércitos no conflito de Armagedom começará com a invasão da Palestina pelos reis do Norte e do Sul (Dn 11.40). O líder do Império Romano e o líder do estado israelita estão de tal modo unidos em aliança (Dn 9.27) que um ataque contra um significa um ataque contra o outro. Com essa invasão se iniciam os acontecimentos da campanha, que abalarão o mundo inteiro.

 

A SEPTUAGÉSIMA SEMANA DE DANIEL

Finalmente, há os que acreditam que a invasão acontecerá no meio da septuagésima semana. Parece haver várias indicações de que essa é a invasão da Palestina pelo reino do Norte no meio da semana que dispara o ataque satânico contra o povo com quem Deus está tratando, a nação de Israel, como relatada em Apocalipse 12.14-17:

 

 1 - Muitos comentaristas interpretam Daniel 11.41 em referencia à ocupação da terra da Palestina pela besta. O acontecimento que leva à besta a entrar na Palestina é a invasão da Palestina pelo rei do Norte (Dn 11.40). A aliança feita pela besta (Dn 9.27) evidentemente garante a Israel o direito à terra. É necessário algum acontecimento que provoque a abolição da aliança pela besta. Visto que a aliança é quebrada no meio da semana (Dn 9.27), e a invasão do norte é vista como a causa desse rompimento (Dn 11.41), podemos concluir que essa invasão ocorre no meio da semana;

 

2 - É reconhecido que os acontecimentos da última metade da semana são ocasionados pela expulsão de Satanás dos céus (Ap 12.7-13). Evidentemente a primeira ação de Satanás em oposição a Israel é motivar sua invasão pelo rei do Norte. Esse é o início de uma grande campanha que começa no meio da semana e continua até a destruição dos poderes gentílicos no retorno do Senhor;

 

3 – Em Isaías 30.31-33; 31.8-9 e Miquéias 5.5 o invasor do norte é chamado de “Assíria”. Como a Assíria foi um instrumento de Deus para punir a iniquidade de Israel, então o Senhor usará novamente o mesmo instrumento para o mesmo propósito. Esse castigo terá o mesmo nome por causa da identidade de sua missão, a de punir Israel. Isaías 28.18 fala da “aliança com a morte” e o “acordo com o além” pelo qual Deus castigará Israel. Isso deve referir-se a Daniel 9.27, quando Israel busca a paz pelas mãos humanas e não pelas mãos do Senhor. Isso nos faz acreditar que tal invasão acontecerá em algum momento no meio da semana;

 

4 - Apocalipse 7.4-17 descreve uma multidão de judeus e gentios que serão salvos durante a tribulação. Alguém pode imaginar, em vista da intensa perseguição contra qualquer cristão, como alguém conhecerá Deus nesse período? Em Ezequiel 38.23 é revelado que a destruição dos exércitos de Gogue é usado em sinal para as nações, e em 39.21 se faz nova referência a esse fato. Em 39.22 o mesmo acontecimento é um grande sinal para Israel. Visto que o livro de Apocalipse retrata a salvação de muitas pessoas durante a tribulação, e não só no seu final, e visto que esse acontecimento profetizado por Ezequiel é usado como sinal para levar muitos ao Senhor, ele deverá ocorrer antes do final da tribulação e em alguma hora nesse período;

 

5 – Em Apocalipse 13.7 a besta é retratada com poder mundial. Isso se tornará verdade na sua manifestação como líder mundial em meio à tribulação. Surge a questão: como a besta terá o poder mundial se o poder da confederação setentrional ainda não foi quebrado? O fato de que a besta terá autoridade sobre a terra no meio da semana apoia a tese de que o rei do Norte terá sido destruído. Tal destruição trará o caos às condições mundiais, o qual unirá as nações conforme se vê no salmo 2, quando será formado o governo liderado pela besta;

 

6 – Apocalipse 19.20 diz que o Senhor lidará especificamente com a besta e com o falso profeta na sua vinda. Por todo o Antigo e o Novo Testamento surgem três personagens que desempenharão papéis importantes no drama do “tempo dos gentios”: a besta, o falso profeta e o rei do Norte ou Assíria. Deus precisa lidar com cada um deles antes que possa manifestar sua autoridade mundial.

 

A cronologia de vários trechos importantes que tratam desses acontecimentos parece apoiar essa tese. Isaías 30 e 31 tratam da destruição do rei do Norte. Isso é seguido em Isaías 33 e 34, pela destruição de todas as nações, e em Isaías 35 pela descrição do milênio. No livro de Joel encontramos a mesma cronologia. Joel 2 trata da invasão pelo exercito setentrional (2.20), seguida da destruição das nações em Joel 3 e do milênio em 3.17-21. Em ambos os trechos a cronologia é a mesma. Os exércitos do Norte são destruídos num momento separado, num movimento distinto, antes da destruição dos exércitos das nações, que será seguida pelo milênio. Situar esses acontecimentos no meio da semana é a única posição coerente com a cronologia de acontecimentos:

 

1 – Israel faz uma falsa aliança com a besta e ocupa sua terra com uma falsa segurança (Dn 9.27; Ez 38.8,11);

 

2 – Desejoso de obter despojos atacando uma presa fácil e motivado por Satanás, o rei do Norte invade a Palestina (Ez 38.11; Jl 2.1-21; Is 10.12; 30.31-33; 31.8-9);

 

3 – A besta quebra a aliança com Israel e invade a terra (Dn 11.41-45);

 

4 - O rei do Norte é destruído nas montanhas de Israel (Ez 39.1-4);

 

5 – A Palestina é ocupada pelos exércitos da besta (Dn 11.45);

 

6 – Nessa ocasião ocorre a grande coligação que forma um governo único liderado pela besta (Sl 2.1-3; Ap 13.7);

 

7 – Os reis do Leste são apresentados contra o exercito da besta (Ap 16.12), evidentemente em consequência da dissolução do governo de Gogue;

 

8 – As nações que estiverem reunidas em torno de Jerusalém (Zc 14.1-3) e do vale de Josafá (Jl 3.2) serão destruídas pelo Senhor no Seu retorno, a fim de que possa reinar sobre as nações. Isso é representado em Zacarias 12.1-9; 14.1-4; Isaías 33.1-34; 63.1-6; 66.15,16; Jeremias 25.27-33; Apocalipse 20.7-10.

 

A PREPARAÇÃO DO ARMAGEDOM

 

A INVASÃO PELOS EXERCITOS DA BESTA

A invasão da Palestina pela confederação do norte trará a besta e seus exércitos em defesa de Israel. Essa invasão é apresentada por Daniel:

 

E, no fim do tempo, o rei do sul lutará com ele, e o rei do norte se levantará contra ele com carros, e com cavaleiros, e com muitos navios; e entrará nas suas terras e as inundará, e passará. E entrará na terra gloriosa, e muitos países cairão, mas da sua mão escaparão estes: Edom e Moabe, e os chefes dos filhos de Amom. E estenderá a sua mão contra os países, e a terra do Egito não escapará. E apoderar-se-á dos tesouros de ouro e de prata e de todas as coisas preciosas do Egito; e os líbios e os etíopes o seguirão. Mas os rumores do oriente e do norte o espantarão; e sairá com grande furor, para destruir e extirpar a muitos. E armará as tendas do seu palácio entre o mar grande e o monte santo e glorioso; mas chegará ao seu fim, e não haverá quem o socorra” (Dn 11.40-45).

 

É difícil saber as atividades das nações em tela nesse capítulo. Muitos acham que a invasão relatada acima é a do rei do Norte e do rei do Sul. Contudo, no versículo 36, é introduzido o “rei segundo a sua vontade”, anteriormente descrito como a besta, e suas atividades parecem ser esboçadas da seguinte maneira: os versículos 40-45 não podem estar referindo-se às atividades das forças combinadas dos reis do Norte e do Sul, pois o pronome “eles” teria sido usado. Já que “ele” é usado, o trecho deve dizer respeito às próximas atividades do “rei segundo sua vontade”.

 

A INVASÃO PELA CONFEDRAÇÃO DO NORTE

Segundo Daniel 9.26,27, o príncipe do Império Romano fará uma aliança com Israel por um período de sete anos. Essa aliança evidentemente restaura Israel a uma posição dentre as nações do mundo e sua integridade é garantida pelos poderes romanos. Essa não é apenas uma tentativa de resolver a longa disputa entre as nações com respeito à reivindicação de posse da terra palestina por Israel, mas também uma imitação satânica do cumprimento da aliança abraâmica que conferiu a Israel o título da terra. Essa ação é retratada por João (Ap 6.2) como um cavaleiro saindo para conquistar, a quem é dada soberania mediante negociações pacíficas. Essa condição persistirá por três anos e meio, após os quais a aliança será quebrada pelas autoridades romanas, e o período conhecido como Grande Tribulação (Mt 24.21) terá início.

 

Essa tribulação na terra é evidentemente provocada por Satanás, que será lançado dos céus para a terra no meio do período tribulacional (Ap 12.9). Ele sai em grande ira (Ap 12.12) para atacar o restante de Israel e os santos de Deus (Ap 12.17). A atividade satânica que move as nações naqueles dias é claramente descrita por João quando diz:

 

E da boca do dragão, e da boca da besta, e da boca do falso profeta vi sair três espíritos imundos, semelhantes a rãs. Porque são espíritos de demônios, que fazem prodígios; os quais vão ao encontro dos reis da terra e de todo o mundo, para os congregar para a batalha, naquele grande dia do Deus Todo-Poderoso”. (Ap 16.13-14).

 

A INVASÃO PELOS EXERCITOS DO LESTE

Apocalipse 16.12 revela que alguns acontecimentos sobrenaturais acabam por eliminar aquilo que evitava que os poderes asiáticos entrassem na Palestina para desafiar a autoridade da besta.

 

A identificação desses poderes, representados pelos reis do Leste, não pode ser confirmada com certeza. Mas sua vinda nos leva ao estágio final da campanha de Armagedom. Elas são levadas em direção às planícies de Esdrelom, a fim de travar combate com os exércitos da besta.

 

A INVASÃO DO SENHOR E SEUS EXERCITOS

Com a destruição do rei do Sul pelos exércitos da besta e com a federação do Norte destruída pelo Senhor nas montanhas de Israel, encontramos duas forças no campo de batalha, os exércitos da besta e os exércitos dos reis do Leste. Antes que essa batalha possa ser travada, aparece nos céus um sinal, o sinal do Filho do Homem (Mt 24.30). Seu sinal não é revelado, mas seu efeito é. Ele faz com que os exércitos abandonem a hostilidade mútua e unam-se contra o próprio Senhor. João diz: “E vi a besta, e os reis da terra, e os seus exércitos reunidos, para fazerem guerra àquele que estava assentado sobre o cavalo, e ao seu exército” (Ap 19.19). Tal é o cenário das hostilidades finais apresentadas em Zacarias 14.3; Apocalipse 16.14; 17.14; 19.11-21. Nessa ocasião os exércitos da besta e do Leste são destruídos pelo Senhor (Ap 19.21).

 

A ÚLTIMA SEMANA DE DANIEL

Com o fim da batalha de Armagedom, estará concluída a última semana de Daniel, ou seja, o período de sete anos da tribulação. O anticristo e o falso profeta serão lançados no lago de fogo nessa oportunidade.

 

A INVASÃO DE GOGUE E A RELAÇÃO COM A BATALHA DO ARMAGEDOM

Segundo Ezequiel, capítulos 38 e 39 havaerá uma grande batalha que ocorrerá no início da tribulação ou um pouco antes. Existem várias considerações que deixam claro que a invasão por Gogue narrada em Ezequiel 38 não é a mesma batalha de Armagedom (Ap 16.16):

 

- Na batalha de Gogue, são mencionados aliados definidos, enquanto em Armagedom todas as nações estão unidas (Jl 3.2; Sf 3.8; Zc 12.3);

 

- Gogue vem do Norte (Ez 38.6,15; 39.2), enquanto em Armagedom os exércitos veem do mundo inteiro;

 

- Gogue vem para saquear (Ez 38-11,12), enquanto em Armagedom as nações se unem para destruir o povo de Deus;

 

- Há um protesto contra a invasão de Gogue (EZ 38.13), mas em Armagedom ele não ocorre, pois todas as nações estão unidas contra Jerusalém;

 

- Gogue é o líder dos exércitos em sua invasão (Ez 38.7), mas em Armagedom é a besta quem lidera (Ap 19.19);

 

- Gogue é derrotado pelas convulsões da natureza (Ez 38.22), mas os exércitos em Armagedom são destruídos pela espada que sai da boca de Cristo (Ap 19.15);

 

- Os exércitos de Gogue são colocados em ordem no campo aberto (Ez 39.5), enquanto em Armagedom são vistos na cidade de Jerusalém (Zc 14.2-4);

 

- O Senhor pede ajuda na execução de julgamento sobre Gogue (Ez 38.21), em Armagedom Ele é retratado pisando sozinho o lagar (grande tanque), onde estarão reunidos os povos e os esmagará na Sua ira (Is 63.3-6).

 

A INVASÃO DE GOGUE AINDA NÃO ACONTECEU

A profecia sobre a invasão de Gogue não se refere a um acontecimento passado na história de Israel. A partir dos detalhes fornecidos nas citações bíblicas, é obvio que nenhuma invasão experimentada na história de Israel cumpre de forma completa essa profecia. No passado ocorreram invasões que trouxeram dificuldades para o povo e para a terra, mas nenhuma corresponde aos detalhes dessa batalha.

 

Concluímos, então, que esses acontecimentos devem ocorrer no futuro, numa ocasião em que Deus estiver tratando com Israel como nação.

 

O TEMPO EM RELAÇÃO A ACONTECIMENTOS ESPECÍFICOS

A invasão apresentada em Ezequiel tem sido relacionada com quase todos os grandes acontecimentos proféticos. Algumas dessas posições devem ser examinadas a fim de apurarmos, o mais cuidadoso possível, quando que esse acontecimentos ocorrerão:

 

A - Alguns estudiosos defendem, primeiramente, que a invasão ocorre antes do arrebatamento da Igreja. Tal é a posição de David L. Cooper, que diz:

 

“è absolutamente impossível alguém localizar o cumprimento dessa previsão após a era milenar. Ela não pode ser colocada no início do milênio nem no fim da tribulação. Deve estar consequentemente antes da tribulação, porque não há outro lugar em que ele possa ocorrer, visto que as outras datas sugeridas são impossíveis”;

 

B - Outros ensinam, em segundo lugar, que a invasão acontecerá no final da tribulação. Muitos estudiosos da Bíblia adotam essa interpretação. Contudo parece haver dificuldades que impossibilitam a aceitação dessa posição:

 

1 – O trecho de Ezequiel não menciona uma batalha. A destruição vem pelas mãos do Senhor, mediante uma convulsão da natureza (Ez 38.20-23). Mesmo que se provasse que a espada no versículo 21 é uma nação, é o Senhor que aparece como agente dessa destruição, em lugar de uma deflagração bélica. Na conflagração do Armagedom haverá uma grande batalha entre o Senhor e suas tropas e as nações reunidas, da qual o Rei dos Reis surge como vencedor;

 

2 – Em Ezequiel a invasão é comandada pelo rei do Norte, com seus aliados, que possuem número limitado. Em Zacarias 14 e Apocalipse 19 todas as nações da terra estão reunidas para a conflagração;

 

3 – Em Ezequiel a destruição ocorre nas montanhas de Israel (Ez 39.2-4). Os acontecimentos do Armagedom ocorrerão em Jerusalém (Zc 12.2; 14.2), no vale de Josafá (Jl 3.12) e em Edom (Is 63.1);

 

4 – Em Ezequiel, Israel estará habitando sua terra em paz e segurança (Ez 38.11). Sabemos que em Apocalipse 12.14-17, Israel não habitará a terra em paz e segurança durante a última metade da septuagésima semana, mas será o principal alvo do ataque de Satanás.

 

Desse modo podemos concluir que a invasão não pode ser identificada com os acontecimentos de Zacarias 14 e de Apocalipse 19 no final da tribulação.

 

C - Existem os que defendem ainda que a invasão acontecerá no início do milênio.

 

Existem argumentos que provam que essa é uma tese impossível:

 

1 – Ezequiel nos diz que a terra será poluída por cadáveres durante sete meses (Ez 39.12). Tal cena parece impossível em vista da purificação que será realizada no retorno do Messias;

 

2 – Jeremias 25.32,33 afirma que o Senhor destruirá todos os ímpios da terra no Seu retorno. Isso é ampliado em Apocalipse 19.15-18.  Parece impossível imaginar que tamanha multidão como a descrita em Ezequiel escape à destruição na vinda do Senhor Jesus e logo depois o enfrente;

 

3 – Em Mateus 25.31-46 todos os gentios são levados perante o juiz para saber quem entrará no milênio. Visto que nenhum descrente, quer judeu quer gentio, entrará nesse reino, é impossível imaginar tal apostasia dos salvos que pudesse cumprir a profecia de Ezequiel.

 

D – Outros ensinam que a invasão acontece no final do milênio. Os que defendem essa posição afirmam que Gogue e Magogue de Ezequiel e de Apocalipse são os mesmos. Isso parece impossível conforme as seguintes considerações:

 

1 – Ezequiel menciona apenas uma coligação do norte na invasão. Em Apocalipse as nações da terra estão reunidas para a batalha;

 

2 – Em Ezequiel não há menção específica à ação de Satanás nem a seu aprisionamento por mil anos antes da invasão, embora ambos estejam ressaltados em Apocalipse;

 

3 – O contexto de Ezequiel mostra que essa invasão ocorre antes da instituição do milênio. Em Apocalipse o milênio já está no final quando a rebelião acontece;

 

4 – Em Ezequiel os corpos dos mortos exigem sete meses para serem retirados (Ez 39.12). Em Apocalipse 20.9, é dito que os mortos serão “devorados” pelo fogo para não precisarem ser retirados;

 

5 – Em Ezequiel a invasão é seguida pelo milênio (caps. 40 – 48). Em Apocalipse esse acontecimento é seguido pelo novo céu e nova terra. Certamente a nova terra não pode ser concebivelmente corrompida por cadáveres insepultos durante semanas.

  

CONCLUSÃO

Ao examinar toda a batalha de Armagedom, observamos os seguintes resultados:

 

1 – Os exércitos do Sul são destruídos na batalha;

2 – Os exércitos da confederação do Norte são destruídos pelo Senhor;

3 – Os exércitos da besta e do leste são destruídos pelo Senhor na segunda vinda;

4 – A besta e o falso profeta são lançados no lago de fogo;

5 – Os incrédulos são eliminados de Israel (Zc 13.8), os crentes são purificados graças a essa invasão (Zc 13.9), Satanás é preso (Ap 20.2).

 

Dessa maneira o Senhor destrói todas as forças hostis que desafiaram Seu direito de reinar como Messias sobre a terra.

 


J. DIAS

FONTES:

Escatologia – Módulo 4 de Teologia da FTB - Editora Betesda

Manual de Escatologia – J. Dwight Pentecost – Editora Vida

Apocalipse Escatologia – Módulo de Teologia do ITQ - Ed. Quadrangular
O Plano de Deus e o Arrebatamento - Enéas Tognini - Editora Candeia

 

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