SANTO VIVO - ESTUDOS BÍBLICOS
Estudo do Livro de Jeremias

ESTUDO DO LIVRO DO PROFETA JEREMIAS


J. DIAS

AUTOR E DATA

Jeremias é um dos poucos livros do Antigo Testamento que apresenta informações sobre sua composição. Ele mesmo registrou parte de suas profecias (36.1-3), como também se valeu de um amanuense, Baruque, para escrever suas palavras (36.4). Portanto, a autoria do livro de Jeremias é fato provado, tanto internamente (seu nome com o de Baruque são constantemente citados) como externamente, o livro é atribuído a Jeremias pelo profeta Daniel (Dn 9.2), como também por Esdras (Ed 1.1) e pela tradição judaica.

 

Esse livro conserva um relato do ministério profético de Jeremias, cuja vida e lutas são conhecidas em maior profundidade e com mais pormenores que as de qualquer profeta do Antigo Testamento. O ministério profético de Jeremias começou em 626 a.C. e terminou em algum momento após 586. Seu ministério foi imediatamente antecedido pelo de Sofonias. Habacuque era da mesma época, e talvez também Obadias. Ezequiel começou seu ministério na Babilônia em 593, viveu os últimos dias do grande profeta Jeremias. Não se sabe quando Jeremias morreu; segundo a tradição judaica, enquanto ele morava no Egito foi executado por apedrejamento (Hb 11.37).

 

Jeremias era sacerdote membro da família de Hílquias. Sua cidade natal era Anatote (1.1), de modo que era possível descendente de Abiatar, sacerdote dos dias do rei Salomão (1 Rs 2.26). O Senhor proibiu Jeremias de se casar e criar filhos, uma vez que o juízo divino iminente contra Judá aniquilaria a geração seguinte (16.1-4). Sendo, sobretudo profeta de juízo, atraia bem poucos amigos, entre os quais Aicam (26.24), Gedalias (filho de Aicam, 39.14) e Ebede-Meleque (38.7-13). O companheiro de Jeremias era seu fiel secretário, Baruque, que anotava suas palavras à medida que o profeta ditava (36.4-32). Baruque foi aconselhado por Jeremias a não sucumbir diante das tentações da ambição, mas ficar contente com sua condição de vida (Cap. 45). Recebeu ainda de Jeremias, uma escritura de compra de terreno que depositou em lugar seguro (32.11-16), e acompanhou o profeta no longo caminho para o exílio no Egito (43.6,7). É possível que Baruque também tenha sido o responsável pela compilação final do próprio livro de Jeremias.

 

Jeremias, era muito propenso a auto-análise e à autocrítica (10.24), revelou bastante a respeito de seu caráter e personalidade. Embora fosse temeroso por natureza (1.6), recebeu a garantia do Senhor de que seria forte e corajoso (1.18; 6.27; 15.20). Em suas confissões desvendou as profundas lutas do mais intimo do seu ser (11.18-23), e às vezes fez declarações assustadoramente sinceras no tocante aos seus sentimentos para com Deus: "JUSTO serias, ó SENHOR, ainda que eu entrasse contigo num pleito; contudo falarei contigo dos teus juízos. Por que prospera o caminho dos ímpios, e vivem em paz todos os que procedem aleivosamente? (12.1); "Por que dura a minha dor continuamente, e a minha ferida me dói, e já não admite cura? Serias tu para mim como coisa mentirosa e como águas inconstantes? (15.18).

CONTEXTO DA ÉPOCA

O chamado de Jeremias ocorreu em um momento estratégico. Josias subira ao trono de Judá quando contava com 8 anos de idade, mas em 628 ao completar 20 anos, ele começou a purificar Judá e Jerusalém do culto pagão (2 Cr 34.1-8). O chamado de Jeremias ocorreu logo depois, em 627 a.C., que também foi o ano da morte do rei assírio, Assurbanipal, o último grande líder do Império Assírio. Isso resultou na criação de um Estado babilônico que ficaria independente um ano depois, em 626. Esse Estado se tornaria o império que futuramente engoliria Judá e Jerusalém, como declarava a Palavra do Senhor por intermédio de Jeremias. Como resultado, o momento do chamado de Jeremias foi de esperança, por causa da reforma espiritual em andamento e de perigo, pois o povo inimigo surgia no horizonte.

 

No final, a esperança durou pouco, pois a reforma de Josias morreu com ele na batalha contra os egípcios na planície próxima a Megido. Durante os 25 anos restantes do estado independente de Judá, os filhos de Josias presidiram apenas sobre o colapso do reino. O rei Jeoaquim, filho de Josias foi implacavelmente hostil para com Jeremias. Em certa ocasião, quando um primeiro esboço dos escritos do profeta estava sendo lido diante de Jeoaquim (36.21), o rei usou uma faca de escrivão para cortar o rolo em fatias de três ou quatro colunas por vez, e o jogou, pedaço por pedaço, no braseiro do seu apartamento de inverno (36.22-23). Por ordem divina, no entanto, Jeremias simplesmente ditou as profecias a Baruque pela segunda vez, e lhes acrescentou “muitas outras palavras semelhantes” (36.32).

 

Em 605 a.C., os egípcios comandados pelo faraó Neco foram derrotados em Carquemis, no rio Eufrates, por Nabucodonosor (46.2), o talentoso general que sucedeu ao pai, Nabopolassar, como governante da Babilônia naquele mesmo ano. Neco voltou ao Egito depois de sofrer pesadas baixas, e a Babilônia praticamente passou a ter liberdade de ação na Ásia Ocidental nos 70 anos que se seguiram. Nabucodonosor cercou Jerusalém em 605, humilhou Jeoaquim (Dn 1.1-2) e levou Daniel e seus três companheiros Ananias, Misael e Azarias cativos para a Babilônia (Dn 1.6). Posteriormente, em 598-597, Nabucodonosor atacou Jerusalém de novo, e nada mais se soube a respeito do rebelde Jeoaquim. Seu filho, Joaquim, reinou sobre Judá Três meses apenas (2 Cr 36.9). Jeremias predisse o cativeiro de Joaquim e de seus seguidores (22.24-30), predição cumprida posteriormente (24.1; 29.1-2).

 

Matatias, tio de Joaquim é um dos filhos de Josias, recebeu o nome de Zedequias e foi colocado no trono de Judá em 597 a.C. (2 Rs 24.17). Zedequias fraco e vacilante, às vezes agia amigavelmente com Jeremias e buscava os seus conselhos, mas em outras ocasiões deixava que os inimigos do profeta o maltratassem e o lançassem no cárcere. Perto do fim do reinado de Zedequias, Jeremias faz um acordo com ele de revelar a vontade de Deus ao rei em troca da própria segurança (38.15-16). Mesmo assim o profeta foi praticamente colocado em prisão domiciliar até a conquista de Jerusalém, em 586 (38.28).

 

Depois de os babilônios derrotarem os assírios, Judá ficou sob o controle firme do Império Oriental. Insatisfeito com a condição de vassalo, Judá envolveu-se várias vezes em conspirações destinadas a fracassar, levando em 586 a.C., a destruição final de Jerusalém por Nabucodonosor, que deixou a cidade politicamente irrecuperável. Judá já provara ser espiritualmente irrecuperável. Durante todo esse período trágico, Jeremias continua a proclamar a Palavra do Senhor.

 

Além da destruição da cidade e do templo, o Estado de Judá foi desestruturado com a deportação do povo. A primeira fase da deportação ocorreu em 597 a.C., quando Jeoaquim se rebelou. Seu filho, Joaquim, foi levado à Babilônia, como também o profeta Ezequiel. Apesar da afirmação de alguns profetas judeus de que essa destruição de Judá era o limite do castigo do Senhor, e que daí em diante, a situação melhoraria, Jeremias afirmou que o pior estava por vir. Infelizmente isso se confirmou quando a rebelião de Zedequias, em 589, trouxe os babilônios de volta a Jerusalém com a intenção de destruí-la.

 

Enquanto tentava fugir da cidade, Zedequias foi alcançado pelos babilônios que o perseguiam. Os filhos do rei foram executados em sua presença, e depois ele mesmo teve seus olhos furados por Nabucodonosor (39.1-7). Nabuzaradã, comandante de guarda imperial aconselhou Jeremias a morar com Gedalias, a quem Nabucodonosor nomeara governador sobre Judá (40.6). Depois de um reinado breve, Gedalias foi assassinado pelos seus oponentes (cap. 41). Outros de Judá temiam as represálias dos babilônios e fugiram para o Egito, levando consigo Jeremias e Baruque (43,4-7). Já nessa ocasião, o profeta estava provavelmente com mais de 70 anos de idade. Suas últimas palavras registradas acham-se em 44.24-30, cujo último versículo é a única referencia explícita na Bíblia ao faraó Hofra, que reinou no Egito de 589 a 570 a.C.

 

PROPÓSITOS E MENSAGEM

Jeremias sempre teve consciência do chamado que o Senhor lhe fizera (1.5; 15.19) para ser profeta. Nessa condição, proclamou palavras do próprio Deus (19.2) e, portanto de cumprimento inevitável (28.9; 32.24). Jeremias tinha absoluto desprezo pelos falsos profetas, como Hananias e Semaías, que anunciavam livramento, paz e prosperidade para o povo judeu (14.11-16; 23.9-40; 28.1-7). Por ser minoria, Jeremias foi acusado de ser falso profeta e, às vezes, parecia suspeitar de que a acusação era verdadeira (20.7-10). Ele argumentou que seria um ato de dolo da parte de Deus deixar a profecia falsa ser transmitida em seu nome e não castigar o mentiroso, pois o povo não possuía meios de determinar o verdadeiro porta-voz. Em resposta, o Senhor repreendeu Jeremias, chamando-o ao arrependimento e ao serviço fiel e prometendo segurança contra os inimigos (15.15-21).

 

Ele esbravejava contra o pecado de seus compatriotas (44.23) e os repreendia severamente por causa da idolatria a qual às vezes até mesmo implicava em sacrifício dos próprios filhos a deuses estrangeiros (7.30-34). Mas Jeremias amava o povo de Judá, apesar de seus pecados, e orava por eles (14.7,20), mesmo quando Deus o proibia de orar (7.16; 11.14; 14.11). Mas devido à predição foi considerado traidor da sua nação, pelo povo, pelos nobres como também pelo monarca. Porém viveu para ver muitas de suas profecias se cumprirem, em especial as que referem à destruição do centro religioso – o Templo.

 

O propósito de Jeremias como profeta era, sem dúvida, transmitir a mensagem do Senhor. Ao fazer isso, ele queria reconciliar o povo com Deus e avisá-lo sobre as consequências de permanência nesta conduta. O objetivo do livro é registrar as profecias de Jeremias, mas também contar algo sobre o homem Jeremias e seu destino como profeta de Deus, em conflito com o povo e com o Senhor.

 

Apesar de os conflitos referentes à missão (11 – 20) revelarem muito sobre o profeta, eles se reportam mais sobre como o Senhor reagiu às murmurações do homem. Da mesma forma, os problemas de Jeremias com o povo de Judá são revelados para demonstrar a resposta de Judá e de seus reis a sua mensagem. A rejeição da palavra do Senhor e as ações contra Jeremias aumentaram a culpa do povo perante Deus.

 

O juízo é um dos temas que permeia os escritos de Jeremias, embora ressaltem com todo cuidado que o arrependimento, desde que sincero, adiaria o inevitável. Seu conselho de submissão à Babilônia e sua mensagem de “continuar a vida normal”, dirigida aos primeiros exilados, fazem dele um traidor aos olhos de muitos. Na realidade é claro que seu conselho contra a rebeldia fazia dele um verdadeiro patriota, alguém que amava tanto seus compatriotas que não permaneceria em silencio vendo-os destruir-se. Ao adverti-los de que se submetessem e não se rebelassem, revelava-lhes a vontade de Deus – sempre a perspectiva mais sensata em quaisquer circunstâncias.

 

Mas o juízo divino contra seu povo (e as nações), embora fosse terrível, não seria a palavra final, a derradeira obra de Deus na história. A misericórdia e a fidelidade diante da aliança triunfariam sobre a ira. Depois do juízo, haveria restauração e a renovação. Israel seria restaurado, as nações que o tinham esmagado seriam por sua vez esmagadas, e as antigas alianças (com Israel com Davi e com os levitas) seriam cumpridas. Deus faria nova aliança com seu povo, pela qual escreveria sua lei no coração deles (31.31-34) e assim os consagraria ao seu serviço. A casa de Davi os governaria em retidão, e os sacerdotes fiéis o serviriam. O compromisso de Deus de redimir Israel era tão inabalável quanto à ordem segura da criação (cap. 33).

 

A mensagem de Jeremias iluminou o horizonte distante, e não apenas o mais próximo. Eram os falsos profetas que proclamavam a paz a uma nação rebelde, como se o Deus da paz de Israel estivesse indiferente diante da infidelidade da nação. Mas o próprio Deus que compeliu Jeremias a censurar o pecado e a decretar a sentença era o mesmo que o autorizava a proclamar que a ira divina tinha limites, o cativeiro seria de 70 anos. Depois viria o perdão, a purificação, e um novo dia em que todas as antigas expectativas, despertadas pelos atos de Deus no passado e por suas promessas e alianças, ainda seriam cumpridas de maneira transcendente em relação a todos as misericórdias de Deus na antiguidade.

 

Para Jeremias Deus era a realidade suprema. Jeremias atribuía a Deus, a quem servia as mais elevadas características (32.17-25), e o considerava Senhor não somente de Judá, mas também das nações (5.15; 18.7-10).

 

A mensagem de Jeremias pode ser resumida de acordo com o conteúdo das quatro categorias de oráculos: acusação, julgamento, instrução e consequências. Os oráculos de julgamento se concentram nos capítulos de 5 a 9. A acusação mais importante é que o povo rejeitara o Senhor e adorara outros deuses (2.5 – 3.5). Isso era violação intencional da aliança. Também estão incluídos a obstinação, a injustiça (5.20-31) e o uso inadequado do templo e dos sacrifícios (7.8-31).

 

Os oráculos de julgamento são mais predominantes no livro que qualquer outro tipo de oráculo. Eles se aplicam a toda nação e, em geral são de natureza política (exílio, destruição, pilhagem). Há grandes semelhanças entre eles e as maldições descritas em Deuteronômio 28.15-68 por causa da desobediência à aliança (Jr 11.8).

 

Há menos de uma dezena de oráculos de instrução no livro. Essa falta quase total de instrução é comum, pois o povo pertencia à aliança e sabia o que Deus exigia dele. O convite era para retornarem ao Senhor (3.12,13) e mudar de conduta (7.3-7). Jeremias também inclui instruções sobre a supremacia de Deus (10.2-16).

 

Os oráculos de consequências se encontram principalmente nos capítulos de 29 a 33. O propósito desses oráculos é resumido em 29.11; “Porque eu bem sei os pensamentos que tenho a vosso respeito, diz o SENHOR; pensamentos de paz, e não de mal, para vos dar o fim que esperais”.   Sua mensagem é que o Senhor traria o povo de Israel de volta do exílio (29.10) e faria uma nova aliança com ele (31.31-34). A cidade seria reconstruída (30.18), o povo retornaria a Deus (29.12-14) e um rei justo descendente de Davi, ascenderia ao trono (33.15-26).

 

O propósito e a mensagem do livro são resumidos em um versículo, por ocasião do chamado de Jeremias: “Olha, ponho-te neste dia sobre as nações, e sobre os reinos, para arrancares, e para derrubares, e para destruíres, e para arruinares; e também para edificares e para plantares” (1.10).

 

No sermão de Jeremias na casa do oleiro, ele expõe a política do Senhor para lidar com as nações (18.7-11). Ela é vista na prática não só no livro de Jeremias, mas em todo o Antigo Testamento. Podemos ilustrá-la com uma balança para a nação, com pesos que representam boas obras de um lado e pesos que representam perversidades do outro. No lado perverso, também podemos imaginar um botão sob o prato. Quando a perversidade da nação era bem maior que a justiça, o pecado pressionava o botão, acionando um sinal de alerta que indicava a ordem de juízo divino. A operação desta metáfora pode ser vista em Gênesis 15.16, quando Abraão descobre que vários séculos passariam antes de ele conhecer a terra, pois a maldade dos amorreus ainda não atingira a medida completa para o juízo de Deus. Também é evidente nas promessas a Ezequias e Josias que o julgamento sobre a nação não aconteceria na sua época (2 Rs 20.16-19; 22.20). É importante para Jeremias e Ezequiel, por contradizer a parábola corrente de que aquela geração sofria pelos pecados de gerações anteriores (Jr 31.29,30; Ez 18).

 

A metáfora demonstra que somente as gerações que colocavam peso no lado da perversidade podiam criar a ordem de juízo. Mesmo a interrupção mais superficial do pecado podia persuadir Deus a adiar seu julgamento, conforme atesta Jonas no exemplo de Nínive (Jn 3 e 4), e Jeremias afirma isso explicitamente (18.7-11).

 

Em conclusão, deve-se observar que este sistema se aplica a nações, não a indivíduos, portanto, ele não pode e não deve ser confundido com a salvação por obras. A balança de obras jamais é usada para explicar o modo em que Deus lida com indivíduos, e as diferenças devem ser observadas. As nações não são “salvas” do pecado e não existem para sempre. São tratadas apenas em termos físicos e temporais, e o sistema não pode ser igualado ao destino individual eterno. A graça existe no sistema comprovado pelo caráter longânimo de Deus, e Ele continua a manifestar sua graça, pois não há nada nas Escrituras sugerindo uma mudança na política de Deus lidar com as nações.

 

A NOVA ALIANÇA

A proclamação da nova aliança, em Jeremias 31, geralmente, é considerada a maior contribuição do profeta à teologia. Para entender sua importância, devemos examinar os termos da nova aliança e como ela se relaciona às outras. No capítulo sobre Deuteronômio, percebemos o uso do formato de tratado da aliança. Esse formato inclui o prefácio, prólogo histórico, estipulações, cláusula do documento, lista de testemunhas e lista de maldições e bênçãos. Quando o comparamos com a nova aliança em Jeremias, descobrimos que sómente a cláusula do documento é discutida. Em vez de ser gravada em pedra, ela foi escrita no coração do homem. Por isso o povo de Deus não teria de aprender a lei, ele a conhecia intrinsecamente. Deve-se notar que os termos da aliança não são explicados, mas apenas o lugar de registro do documento. Deduzimos assim que os termos desta aliança não eram diferentes da aliança em vigor, isto é, a aliança de Abraão estendida e complementada no Sinai e para Davi. Isto se confirmou no contexto imediato, pois a lei foi escrita no coração do povo (31.33) e no contexto próximo pela confirmação da promessa da terra (32.36-44) e da promessa da dinastia estabelecida de Davi (33.15-26). Logo, o uso da palavra “nova” não deve ser considerada indício de uma aliança totalmente separada e distinta das anteriores, mas uma extensão delas com o acréscimo de novas características e dimensões. Essa nova configuração foi anunciada por Jeremias, mas foi sancionada e colocada em prática quando o meio para cumpri-la estava à mão. Os capítulos de 8 a 10 de Hebreus mostram que Jesus Cristo torna estas condições atingíveis e que a habitação do Espírito Santo realmente realiza o propósito.

 

CARCTERÍSTICAS LITERÁRIAS

Jeremias é o maior livro da Bíblia, por conter mais palavras que qualquer outro. Embora vários capítulos tenham sido escritos sobretudo em prosa (cap. 7; 11; 16; 19; 21; 24 – 29; 32 – 45), incluindo-se o apêndice (cap. 52), a maioria das seções tem forma predominante poética. Nenhuma parte das Escrituras é tão elevada e lírica quanto a que se acha na poesia de Jeremias.

 

A repetição poética era usada por Jeremias com habilidade ímpar (4.23-26; 51.20-23). Ele entendia a eficácia de repetir várias vezes uma expressão marcante. Um exemplo é “guerra, fome e peste”, que se acha em 15 versículos (14.12; 21.7,9; 24.10; 27.8,13; 29.17,18; 32.24,36; 34.17; 38.2; 42.17,22; 44.13).

 

Assim como Ezequiel, Jeremias muitas vezes recebeu de Deus a ordem de empregar o simbolismo para dramatizar sua mensagem: um cinto podre e inútil (13.1-11), um vaso de barro quebrado (19.1-12), um jugo feito de cordas e madeira (27), pedras grandes num pavimento de tijolos (43.8-9). Valor simbólico há também nas ordens dadas pelo Senhor para que Jeremias não se casasse nem criasse filhos (16.1-4), não entrasse numa casa em que houvesse refeição fúnebre ou festa (16.5-9) e comprasse um campo na sua cidade natal, Anatote (32.6-15). Semelhantemente, o Senhor empregava recursos visuais para transmitir a Jeremias a sua mensagem: o barro do oleiro (18.1-10), duas cestas de figos (24).

ESBOÇO DE JEREMIAS

I. O chamado de Jeremias 1.1-9
II. Coleção de discursos 2.1-33.26

Primeiro oráculos 2.1-6.30
Sermão do templo e abusos no culto 7.1-8.3
Assuntos diversos 8.4-10.25
Eventos na vida de Jeremias 11.1-13.27
Seca e outras catástrofes 14.1-15.21
Advertência e promessas 16.1-17.18
A santificação do sábado 17.19-27
Lições do oleiro 18.1-20.18
Oráculos contra leis, profetas e povo 21.1-24.10
O exílio babilônico 25.1-29.32
O livro de consolação 30.1-35.19

III. Apêndice histórico 34.1-35.19

Advertência a Zedequias 34.1-7
Revogada a libertação de escravos 34.8-22
O exemplo dos recabitas 35.1-19

IV. Julgamentos e sofrimentos de Jeremias 36.1-45.5

Jeoaquim e os rolos 36.1-32
Cerco e queda de Jerusalém 37.1-40.6
Gedalias e o seu assassinato 40.7-41.18
A fuga para o Egito 42.1-43.7
Jeremias no Egito 43.8-44.30
Oráculos para Baruque 45.1-5

V. Oráculos contra nações estrangeiras 46.1-51.64

Contra o Egito 46.1-28
Contra os filisteus 47.1-7
Contra Moabe 48.1-47
Contra os amonitas 49.1-6
Contra Edom 49.7-22
Contra Damasco 49.23-27
Contra Quedar e Hazor 49.28-33
Contra Helão 49.34-39
Contra a Babilônia 50.1-3

VI. Apêndice histórico 52.1-34

O reinado de Zedequias 52.1-3
Cerco e queda de Jerusalém 52.4-27
Sumário de três deportações 52.28-30
Libertação de Joaquim 52.31-34




FONTES DE PESQUISA:

Panorama do Antigo Testamento - Editora Vida

Bíblia NVI de Estudo - Editora Vida

Módulo I de Teologia Da FTB - Editora Betesda

Bíblia Plenitude - Editora SBB
 

www.santovivo.net

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