SANTO VIVO - ESTUDOS BÍBLICOS
Estudo de 1 Samuel

ESTUDO DO PRIMEIRO LIVRO DE SAMUEL

J. DIAS


TÍTULO

O Primeiro e o Segundo livro de Samuel, formavam primitivamente um só livro. Foi dividido em duas partes pelos tradutores da Septuaginta. Essa divisão foi seguida por Jerônimo na Vulgata Latina e pelas versões atuais. O nome do livro tem variado de tempos em tempos, tendo sido designado: Primeiro e Segundo Livro dos Reinos (na Septuaginta), Primeiro e Segundo Reis (vulgata) e Primeiro e Segundo Samuel (Tradução Hebraica e maioria das versões atuais).

 

Os dois livros abrangem o período de transição dos juízes para a instituição da monarquia, incluindo o reinado de Saul e Davi.

 

AUTOR

Apesar de sua autoria ser desconhecida, segunda a tradição rabínica, o livro teria saído das mãos do profeta Samuel, sendo completado posteriormente pelos profetas Natã e Gade, por serem mencionados juntamente com Samuel em 1 Crônicas 29.29.

 

Samuel é descrito como um homem idoso em 8.1 e já falecido em 25.1, bem antes de muitos acontecimentos registrados em 1 e 2 Samuel. No entanto a citação de 1 Crônicas 29.29 relaciona os nomes de Samuel e dos profetas que o sucedem, Natã e Gade, com determinadas fontes escritas, partes das quais podem ter sido incorporadas na história registrada de Israel quando o livro tomou forma.

 

Alguns estudiosos creem que o autor pode ter sido o filho do profeta Natã, Zabude, apresentado em 1 Reis 4 e 5 como conselheiro pessoal do rei Salomão. Zabude deve ter tido por meio de seu pai, Natã, informações a respeito do reino de Davi, além de ter acesso a registros da corte.

 

DATA

Seja quem tenha sido o autor, deve ter vivido pouco depois da morte de Salomão (930 a.C.) e da divisão do reino, já que existem várias referências a Israel e a Judá (11.8; 17.52; 18.16), e a expressão reis de Judá em 1 Samuel 27.6. Além disso, deve ter tido acesso aos registros da vida e da época de Samuel, de Saul e de Davi. No próprio livro há referência explícita a somente uma fonte documentária, o livro de Jasar, descrito em 2 Samuel 1.18, mas o escritor de Crônicas refere-se a quatro outras fontes que fazem parte desse período: Registros históricos do rei Davi (1 Cr 27.24); Registros do vidente Samuel, do profeta Natã e do vidente Gade (1 Cr 29.29).

 

PERSONAGENS PRINCIPAIS DO PRIMEIRO LIVRO

- Ana, mãe de Samuel.

- Samuel, o último dos Juízes.

- Saul, o primeiro rei de Israel.

- Davi, o rei modelo de Israel.

 

CONTEXTO HISTÓRICO

As fontes desse período da história são escassas. Nem o Egito nem a Mesopotâmia estavam em condições de olhar para fora de suas fronteiras, deixando as nações menores da região siro-palestina combaterem ente si. Ameaças a Israel, vindas principalmente dos filisteus, exigiam maior cooperação entre as tribos que antes foram diretamente responsáveis pela decisão de mudar para a forma monárquica de governo. Saul obteve vitórias ocasionais contra os filisteus, mas foi morto na batalha do monte Gilboa, e os filisteus assolaram a parte central da Palestina. Portanto, coube a Davi expulsá-los. Ele também obteve sucesso na expansão e controle israelita sobre a maior parte da região siro-palestina em uma série de conquistas e tratados.

 

CONTEXTO RELIGIOSO

Israel havia sido governado por juízes que Deus levantou em momentos cruciais da história da nação; no entanto a nação havia degenerado moralmente e politicamente. Havia estado sob a investida violenta e desumana dos filisteus. O templo de Siló estava profanado e o sacerdócio se mostrava corrupto e imoral. Em meio a essa confusão política e religiosa surge Samuel. Da mesma forma que esse nascimento trouxe alegria para sua mãe Ana, traz também mudanças radicais para a nação.

 

Os filhos de Samuel não refletiam seu caráter piedoso. O povo não tinha confiança nos seus filhos; por isso a medida que Samuel envelhecia, o povo pressionava para que lhes desse um rei.

 

O TEMPLO DE SILÓ

Um lugar que fica 16 Km ao nordeste de Betel, sobre um escarpado outeiro, cercado de altos montes. Existiu para o oriente uma fonte abundante, sendo por isso esse um lugar um belo sítio para acampamento. Estava no principal caminho que vai de Betel a Siquém. No tempo de Josué era Siló o lugar de reunião e santuário dos israelitas. Permaneceram nessa mesma povoação a Arca da Aliança e o Tabernáculo até o tempo de Samuel.

 

Em 1.9 de 1 Samuel há menção de pilares e portas em 3.15, bem como lugares de dormir em 3.2-3, talvez sugira uma estrutura mais permanente do que a tenda dos tempos de Moisés. Outras designações para a estrutura em Samuel são “A Casa do Senhor” (3.15) e “A Tenda da Congregação” (2.22). Tudo isso traz a impressão de que nesse tempo o Tabernáculo fazia parte de um complexo maior, inclusive com o uso do termo “templo”.

 

O PROFETA SAMUEL

Filho de Elcana e de Ana, gerado por milagre de Deus (cap. 1). Antes de nascer foi consagrado pela mãe ao Senhor como Nazireu, promessa que foi cumprida (1.24-28). Josué foi o último dos juízes, exerceu também os ministérios de profeta e sacerdote de Israel. Samuel foi o elo entre a teocracia e a monarquia. Como juiz, julgava em Betel, Gilgal e Mizpá (7.16). Como profeta fundou uma escola ou seminário em Ramá (19.18-20).

 

CARACTERÍSTICAS E TEMAS

Muitas perguntas têm sido feitas a respeito do caráter literário. Certas características literárias do livro levam a crer que seja uma compilação de várias fontes documentárias independentes a princípio, as quais o autor pode ter incorporado à sua composição, conservando a medida do possível, a forma original.

 

Os livros de 1 e 2 Samuel são obras primas de literatura. O seu propósito básico é oferecer um relato histórico do surgimento e do desenvolvimento inicial da monarquia israelita sob Saul e Davi. A história é seletiva e a natureza da seleção revela as preocupações teológicas dos livros. A monarquia veio a existir em Israel através da mediação de um profeta e a história registrada dessa mudança apresenta uma perspectiva profética.

 

O principal assunto de 1 Samuel é a ascensão de Saul ao poder e a sua subsequente rejeição. Os livros de Samuel focalizam uma importante inovação na vida religiosa de Israel, ter um rei terreno. A questão chave do livro é como um rei humano pode ser enquadrado numa estrutura de relacionamento baseado na aliança existente entre Deus e Israel. Como pode Israel ter um rei sem com isso comprometer o reinado de Deus? Embora o povo tenha escolhido o primeiro rei e Deus não tenha aprovado, a instituição da monarquia estava nos planos de Deus para Israel (Dt 17.14-20).

 

O primeiro rei de Israel decepcionou. Saul é apresentado em 9.2 como uma pessoa impressionante de notável aparência, presumivelmente como o povo queria. O profeta Samuel falou a Saul que ele governaria Israel e então o ungiu em nome do Senhor (9.26 – 10.11). Logo depois o Espírito Santo veio sobre Saul e ele profetizou com um grupo de profetas. O ego de Saul era tão grande quanto sua estatura. Em duas importantes ocasiões Saul falhou com relação às exigências de Deus. Instruído a esperar Samuel, ele impacientou-se e ofereceu um sacrifício que o profeta deveria ter realizado (13.8-14). Depois quando Deus ordenou a destruição total do amalequitas, Saul cumpriu apenas uma parte da ordem (cap. 15). Ele preservou a vida do rei e a de muitos animais. Nessa ocasião Samuel profetizou que Saul havia sido rejeitado por Deus, que já havia dado seu reino para outro (15.28).

 

Depois dessa rejeição, Saul tornou-se uma figura trágica, consumida por seu ciúme e medo, perdendo gradativamente sua sanidade mental. Gastou os seus últimos anos numa incansável perseguição a Davi através das regiões montanhosas e desérticas de seu reino, num desesperado esforço para eliminá-lo. Davi, no entanto encontrou um aliado no filho do rei, Jônatas. Ele advertiu Davi sobre os planos do pai para matá-lo. Finalmente, depois que Saul e Jônatas são mortos em batalha, o cenário está pronto para que Davi se torne o segundo rei de Israel.

 

Uma preocupação do narrador era demonstrar que Davi não usurpou o trono, mas evitou a duras penas agir contra a casa de Saul. Toma-se tal cuidado para deixar claro que Deus colocou Davi no trono; assim ele não seria considerado um traidor que teria planejado tomar o trono, assassinar o rei e seus herdeiros e, depois explicar as atrocidades alegando aprovação e ajuda divina. Isso, contudo não encobre os defeitos de Davi. A narrativa descreve sua natureza humana e não esconde suas fraquezas ou os castigos e consequências de seus atos errôneos.

 

O FIM DA ERA DOS JUÍZES

As tradições de Siló (1.1 – 4.12) nos apresentam Samuel e informam que desde o nascimento, ele era especial. Isso faz sentido, pois ele exerceria a grande função transicional entre o período dos juízes e a monarquia. Depois de relatar as circunstâncias de seu nascimento e a chegada ao templo, a narrativa analisa Samuel, Eli e seus filhos rebeldes. A profecia do fim da casa de Eli veio a Samuel e firmou sua reputação de homem de Deus. A condição deplorável do sacerdócio é exemplificada pela casa de Eli e demonstra a extensão da apostasia do período dos juízes.

 

Esse período termina em exílio, exílio imposto pelo Senhor e representado pela captura da Arca da Aliança pelos filisteus, que a tiraram da terra de Israel. Acreditava-se que a vitória de um exército sobre outro indicava a vitória dos deuses daquela nação sobre a nação derrotada. A captura da Arca levou naturalmente à conclusão de que o deus filisteu, Dagon, era mais poderoso que Javé, o Deus de Israel. Os acontecimentos dos capítulos 5 e 6 são relatados para afastar qualquer idéia semelhante. Com a demonstração divina de poder sobre o ídolo Dagon e a praga sobre o povo filisteu, deixou claro que o Senhor não fora subjugado, mas que rejeitara os israelitas e por isso os filisteus os puderam subjugar.

 

Esse exílio marcou a separação entre o período dos juízes e a monarquia. O relato do retorno da Arca usa uma linguagem que lembra o Êxodo. É de interesse teológico que o alojamento temporário da Arca tenha permanecido durante todo o reinado de Saul, e que só foi restaurada oficialmente à sua posição de importância quando Davi à levou de volta a Jerusalém (2 Sm 6).

 

A INSTITUIÇÃO DA MONARQUIA EM ISRAEL

A parte sobre a instituição da monarquia começa no capítulo 7. No início Samuel atuava não só como profeta e sacerdote, mas também como juiz. Apesar de todo o poder político conferido a Samuel ele não era rei. Essa condição levou o povo pedir um rei.

 

A menção da frustração de Samuel pode sugerir que ele se considerasse o candidato para o cargo de rei. Na verdade, a NVI confirma essa interpretação na tradução do diálogo de Deus com Samuel, sobre a escolha do povo: “Não foi a você que rejeitaram; foi a mim que rejeitaram como rei” (8.7).

 

O capítulo 9 apresenta Saul. O plano do texto relativo á monarquia é relatar a designação do rei, descrever seu potencial e sucesso e, finalmente, narrar seus fracassos e conquistas. A entronização de Saul inclui vários passos que mostram Samuel, o Senhor e o povo em funções distintas de sua designação. É digno de nota que a terminologia usada pelo Senhor ao descrever a função de Saul (9.16-17) e o incidente em Jabes-Gileade (cap. 11) parecem descrevê-lo mais como juiz do que como rei. Além disso, como muitos dos juízes, Saul parecia bem intencionado, mas sem profundidade espiritual e conhecimento sólido do Senhor. Isso não é surpreendente, já que entrou em cena após quatrocentos anos de apostasia generalizada, característica do período dos juízes. O juiz deve ser um libertador, e o povo esperava isso também do rei. A princípio Saul conseguiu fazê-lo, mas Deus esperava muito mais de um rei, e Saul não foi capaz de cumprir as expectativas.

 

Podemos concluir no capítulo 12, que a insistência do povo em escolher um rei foi na verdade, a rejeição intencional do governo do Senhor. O erro principal foi presumir que sofriam opressão por não possuírem um rei para liderá-los nas batalhas como acontecia com as nações vizinhas. A monarquia não curaria o problema da opressão, somente o agravaria. Portanto o capítulo 12 também apresenta a importância de um profeta para dar orientação divina ao rei.

 

Pode-se questionar por que Deus apontou Saul como rei se sabia de suas falhas. Mas tal pergunta é errada. Deus usou Saul para livrar Israel temporariamente, como usara vários juízes. Todos cometeram erros, e Deus realizou sua vontade a despeito das pessoas usadas. Saul tinha o potencial de prosperar, mas não se transformou em um homem que conhecia o Senhor. Sua falta de discernimento espiritual e bom senso ficam claros à medida que o texto relata seus fracassos.

 

ACONTECIMENTOS NA ESCOLHA DE SAUL

1.     Escolha divina (9.3-20). Ele saiu para procurar jumentas e voltou rei.

2.     Escolha profética (10.1). Samuel foi seu tutor e amigo. Um privilégio que Saul jogou fora.

3.     Escolha espiritual. “O Espírito de Deus apossou-se de Saul” (10.10). Ele entristeceu esse Espírito; depois o apagou.

4.     Escolha popular. “Então todo o povo rompeu em gritos exclamando: Viva o Rei” (10.24).

Como isso vemos que Saul teve tudo para ter um ótimo e duradouro reinado, mas ele desperdiçou tudo, com suas atitudes:

 

1.     Tomar o lugar do sacerdote (13.9-15)

2.     A crueldade para com seu filho Jônatas (14.44)

3.     A desobediência na guerra contra Amaleque (15.3-23)

4.     O ciúme e o ódio contra Davi (18.29)

5.     O apelo pecaminoso à médium em En-Dor (28.7)

 

A ESCOLHA DE DAVI PARA REI

O capítulo 16 inicia com Deus repreendendo Samuel por este defender Saul. O Senhor manda que ele se levante e vá ungir um novo rei, já que Saul fora rejeitado (16.1).

 

Davi foi um dos maiores personagens da Bíblia. Contribui grandemente para enriquecer a história de Israel, tanto espiritual como politicamente. Ele aparece na história como jovem pastor e instrumentista. Ungido rei três vezes foi o fundador da linhagem real da qual nasceria Jesus, o Rei dos Reis. Davi, filho de Jessé e bisneto de Rute e Boaz, nasceu em Belém e era o mais novo de oito filhos. Adolescente ainda, Deus mandou que Samuel o ungisse para suceder a Saul.

 

Como harpista, a fama de Davi chegou ao palácio do rei. Foi chamado para tocar sua harpa e com isso trazer tranquilidade ao rei.

 

Após vencer o gigante Golias, Davi foi promovido a um alto posto no exercito de Saul, seu êxito nas batalhas despertou ciúmes no rei, mas Deus o guardou.

 

Foram anos de provação para o jovem Davi, escolhido por Deus para o oficio real. Ele não só aprendeu a lidar com os homens, mas também consigo mesmo. Tornou-se independente e corajoso. Durante suas fugas para não ser morto por Saul, aprendeu que deveria confiar mais em Deus do que em suas forças. Davi cresceu muito como pessoa, em vez de deixar que o ódio de Saul lhe endurecesse o coração, retribuiu o ódio com amor. Aprendeu também a ser guerreiro e comandar sua tropa. Tudo isso o preparou para ser dirigente da grande nação de Israel.

 

O final do livro é de tragédia e luto. Saul vendo que seria derrotado e preso pelos filisteus se mata. Morrem também os filhos de Saul inclusive Jônatas, grande amigo de Davi. O livro termina narrando o sepultamento de Saul e seus filhos.

 

ESBOÇO DE PRIMEIRO SAMUEL

I. Renovação sob Samuel 1.1-7.17

Nascimento e infância de Samuel 1.1-2.36

1) Nascimento e dedicação de Samuel 1.1-2.11
2) Crescimento de Samuel e a corrupção dos filhos de Eli 2.12-36

Começo do ministério profético de Samuel 3.1-4.1

1) Seu chamado por Deus 3.1-9
2) Sua palavra para Eli 3.10-18
3) Seu ministério a todo Israel 3.19-4.1

O ministério de Samuel como juiz 4.2-7.17

1) A captura da arca pelos filisteus 4.2-11
2) A morte de Eli 4.12-22
3) Recuperação da arca por Israel 5.1-7.1
4) Samuel exorta ao arrependimento 7.2-6
5) Derrota dos filisteus 8.1– 15.35

II. O reinado de Saul 8.1 –15.35

Estabelecimento de Israel por um rei 8.1-12.25

1) A Exigência de Israel por um rei 8.1-22
2) Saul é escolhido e ungido rei 9.1-12.25

As guerras de Saul 13.1-14.52
Saul é rejeitado por Deus 15.1-35

III. Declínio de Saul e ascensão de Davi 16.1-31.13

A crescente proeminência de Davi 16.1-17.58

1) Sua unção por Samuel 16.1-13
2) Sua música diante de Saul 16.14-23
3) O conflito de Davi com os filisteus e os amelequitas 29.1-30.31
4) A morte de Saul 31.1-13

 


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FONTES DE PESQUISA

Módulo de Teologia da FTB – Editora Betesda

Bíblia Thompson – Editora Vida

Panorama do Antigo Testamento – Editora Vida

Bíblia de Estudo NVI – Editora Vida

Bíblia de Estudo de Genebra – Editora SBB

Dicionário Bíblico – Editora Didática

Pequena Enciclopédia Bíblica – Editora CPAD

Estudo Panorâmico da Bíblia – Editora Vida

Bíblia Plenitude

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