SANTO VIVO - ESTUDOS BÍBLICOS
Estudo de 2 Samuel

ESTUDO DO SEGUNDO LIVRO DE SAMUEL


TÍTULO

O Primeiro e o Segundo livro de Samuel, formavam primitivamente um só livro. Foi dividido em duas partes pelos tradutores da Septuaginta. Essa divisão foi seguida por Jerônimo na Vulgata Latina e pelas versões atuais. O nome do livro tem variado de tempos em tempos, tendo sido designado: Primeiro e Segundo Livro dos Reinos (na Septuaginta), Primeiro e Segundo Reis (vulgata) e Primeiro e Segundo Samuel (Tradução Hebraica e maioria das versões atuais).

 

Os dois livros abrangem o período de transição dos juízes para a instituição da monarquia, incluindo o reinado de Saul e Davi.

 

AUTOR

O autor de Segundo Samuel é desconhecido. Embora parte da matéria apresentada em Primeiro Samuel possa ter sido extraída de escritos de Samuel (1Cr 29.29), todos os eventos relatados em 2Samuel ocorreram depois da morte do profeta.

 

CONTEXTO INTERNO DO LIVRO

O livro enfoca a ascendência de Davi ao trono e dos quarenta anos de seu reinado. Inicia-se com a morte de Saul e Jônatas na batalha do monte Gilboa. Davi é então ungido rei sobre Judá, sua tribo. Há uma disputa pelo poder entre a casa de Saul representada por Is-Bosete, filho de Saul em maquinação com Abner comandante dos exércitos de Saul (2.8). O reino de Israel fica com Is-Bosete, mas, aparentemente quem governa é Abner.

 

Abner decide entregar o reino a Davi. Infelizmente durante essa missão Abner foi assassinado. O narrador teve a cautela de afirmar que havia inimizade entre Abner e Joabe (cap. 2) de forma que o leitor entenda que quando Joabe matou Abner, ele o fez por motivos pessoais, não por ordem de Davi (3.28-39). Da mesma maneira o narrador queria mostrar que Davi não matou nem mandou matar o rei de Israel, Is-Bosete (cap. 4).

 

Davi executou o amalequita que afirmou ter matado Saul (1.1-16), executou também os assassinos de Is-Bosete (cap. 4). Ele censurou e condenou a atitude de Joabe pelo assassinato de Abner (3.28-39). Também deve ser observado o lamento de Davi por Saul (1.17-27) e a bondade para com o filho de Jônatas, Mefibosete. Tudo isso foi usado pelo narrador para demonstrar a ausência de agressão de Davi com respeito à casa de Saul.

 

DAVI REI DE ISRAEL

Após a morte de Is-Bosete, os representantes das tribos de Israel vieram e Hebrom e ungiram Davi como rei de toda a nação. Davi reinou durante sete anos e seis meses em Hebrom, e reinou trinta e três anos sobre toda nação em Jerusalém (5.1-5).

 

Davi unificou tanto a vida religiosa quanto política da nação ao trazer a Arca do Testemunho da casa de Abinadabe, onde havia estado desde que fora recuperada das mãos dos filisteus (6.1-7). Davi derrotou com sucesso os inimigos de Israel, e iniciou um período de estabilidade e prosperidade. Tristemente porém a sua vulnerabilidade e fraqueza o levam ao pecado com Bate-Seba e ao assassinato de Urias, esposo dela. Apesar do arrependimento de Davi depois de confrontado pelo profeta Natã, as consequências da sua ação são declaradas com todas as letras: “Agora, pois, não se apartará a espada jamais de tua casa” (12.10).

 

TEMA

O autor deixa evidente o estabelecimento da aliança davídica por Deus. Davi ao ser coroado como rei, não usurpou o trono, antes preferiu sofrer a ser considerado usurpador. Da unção em 1 Samuel 16 à entronização em 2 Samuel 5, a preocupação do narrador era demonstrar que mesmo destinado pelo Senhor para governar Israel, Davi soube esperar com paciência.

 

Davi foi inicialmente aclamado rei em Hebrom pela tribo de Judá (1 – 4) e depois foi aceito pelas demais tribos após o assassinato de Is-Bosete (5.1-5). A liderança de Davi foi decisiva e eficaz para o fortalecimento da nação. Conquistou Jerusalém, que pertencia aos jebuseus e fez dela sua capital e residência (5.6-14).

 

Embora a sua ascendência sobre Judá tenha se concretizado sem atritos, há derramamento de sangue antes dele tornar-se rei sobre toda a nação. As narrativas enfatizam que Davi é inocente das mortes de Abner e de Is-Bosete, assim como era inocente da morte de Saul e Jônatas.

 

No reinado de Davi, o Senhor fez Israel prosperar, derrotar seus inimigos e em cumprimento das promessas divinas ampliar suas fronteiras do Egito até o Eufrates (cap. 8).

 

Então o Senhor após ter recusado a oferta de Davi de construir-lhe uma casa, faz uma aliança de que a dinastia davídica permaneceria para sempre. Essa promessa é a continuação e especificação da aliança divina feita com os patriarcas e trata-se de um desenvolvimento de grande importância na esperança messiânica que será cumprida em Cristo (7.4-17).

 

A aliança davídica estabelece que os propósitos de Deus para a casa de Davi são inabaláveis.

 

OS PECADOS DE DAVI E SUAS CONSEQUENCIAS

Depois de tratar do reinado de Davi na sua glória e sucesso, os capítulos de 10 a 20 retratam o lado mais sombrio do seu reinado, ocupando-se das fraquezas e dos fracassos de Davi. Embora Davi continuasse a ser um rei segundo o coração de Deus, por estar sempre disposto a se arrepender e reconhecer seus pecados, ele sofreu as consequências de suas desobediências (12.12,13). Seu pecado com Bate-Seba e sua tolerância com a iniquidade dos filhos, sua indulgencia com as insubordinações de seu comandante e sobrinho Joabe - Joabe era filho de Zeruia, irmã de Davi (1Cr 2.14-16) - levaram a intrigas, violência e derramamento de sangue dentro da própria família e da nação. Davi acabou sendo expulso de Jerusalém na rebelião de Absalão. Mesmo assim, o Senhor foi misericordioso para com Davi, e seu reinado veio a servir de padrão de medida para avaliar os reinados posteriores (2 Reis 18.3; 22.2).

 

FATOS QUE PROVAM A DEVOÇÃO DE DAVI AO SENHOR

1-    Sua busca pela direção divina (2.1);

2-    O castigo aos que buscaram ganhar seu favor assassinando seu rival (4.5-12);

3-    Seu discernimento, depois de haver sido exaltado como rei de Israel, ao reconhecer que sua escolha havia vindo do Senhor (5.1-12);

4-    Sua humildade ao atribuir seu êxito militar ao poder divino (5.20);

5-    Seu entusiasmo pela volta da Arca da Aliança a Jerusalém (6.1-5);

6-    Seu desejo de erigir um templo ao Senhor e a dedicação de grande parte de sua riqueza para a sua construção (caps. 7 e 8).

7-    Sua generosidade para com o filho de Jônatas, Mefibosete (cap. 9).

 

CONCLUSÃO

A conclusão, contida numa espécie de epílogo nos capítulos 21 a 24, dá aos livros de Samuel um encerramento temático. O esboço dos capítulos são simétricos e no centro se acham dois poemas que celebram as duas razões fundamentais para a benção de Davi. Primeiro o Senhor é seu libertador (22.2-51) e, segundo, o Senhor fez uma aliança eterna com ele (23.1-7). Emoldurando esse núcleo poético, encontram-se as listas dos campeões de Davi (21.15-22; 23.8-39), os agentes humanos de seu sucesso. Por fim, a primeira e últimas seções são relatos de como Davi fez expiação pelo pecado de Saul contra os gibeonitas (21.3-9) e, então pelo seu próprio pecado de haver levantado um censo do povo (cap. 24). No primeiro caso Davi afastou um período de fome entregando à morte sete pessoas da família de Saul. No segundo, ele aceitou o castigo duma praga contra a nação, mas suplicou a Deus para que a praga cessasse antes de Jerusalém ser atingida.

 

O livro termina com as palavras de Davi em louvor a Deus, que o livrara de todos os seus inimigos (22.31-51), e com as expectativas da promessa de Deus de que virá um rei da casa de Davi que “governa o povo com justiça” (23.3-5).

 

ESBOÇO DE SEGUNDO SAMUEL

I. Os triunfos de Davi 1.1-10.19

os triunfos políticos de Davi 1.1-5.25

1) O reino de Davi em Hebrom 1.1-4.12
2) O reino de Davi em Jerusalém 5.1-25

Os triunfos espirituais de Davi 6.1-7.29

1) Mudando a arca 6.1-23
2) Aliança de Deus com Davi 7.1-29

Os triunfos militares de Davi 8.1-10.19

1) Triunfos sobre os seus inimigos 8.1-12
2) O governo Justo de Davi 8.13– 9.13
3) Triunfos sobre Ámom é Síria 10.1-19

II. As transgressões de Davi 11.1-27

O pecado do adultério 11.1-5
O pecado do Assassinato 11.6-27

1) Lealdade de Urias a Davi 11.6-13
2) Ordem de Davi para assassinar Urias 11.14-25
3) Casamento de Davi com Bate-Seba 11.26,27

III. Os problemas de Davi 12.1-13.36

Problemas na casa de Davi 12.1-13.36

1) Profecia de Natã 12.1-14
2) Morte do filho de Davi 12.15-25
3) Lealdade de Joabe a Davi 12.26-31
4) Incesto na casa de Davi 13.1-20
5) Absalão mata Amom 13.21-36

Problemas no reino de Davi 13.37—24.25

1) Rebelião de Absalão 13.37—17.29
2) Joabe mata Absalão 18.1-33
3) Restauração de Davi como rei 19.1– 20.26
4) Comentários sobre o reino de Davi 21.1—24.25

J. DIAS

www.santovivo.net

 

FONTES:

Bíblia de Estudo de Genebra – Ed. SBB

Bíblia de Estudo NVI – Ed. Vida

Panorama da Antigo Testamento – Ed. Vida

Módulo de Teologia da FTB – Ed. Betesda

Bíblia Thompson – Ed. Vida

Bíblia de Estudo Plenitude – Ed. SBB


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