SANTO VIVO - ESTUDOS BÍBLICOS
Ordenanças da Igreja - Batismo e Ceia

ORDENANÇAS DA IGREJA CRISTÃ – BATISMO E CEIA
 



As ordenanças da Igreja local são ritos externos ou observâncias simbólicas ordenadas por Jesus, que estabelecem verdades cristãs essenciais. O termo “ordenança” vem do latim ordo, que significa “fila” ou “ordem”, ou por extensão, “algo imposto e tornado obrigatório pela autoridade apropriada”. As ordenanças são às vezes chamadas de sacramentos. A palavra “sacramento” significava originalmente “o sinal externo de uma obra interna” ou “o sinal visível de uma obra invisível da graça”. As ordenanças observadas pelas igrejas protestantes são duas, a saber: o batismo nas águas e a ceia do Senhor.

 

Embora apenas duas ordenanças sejam clara e indiscutivelmente ordenadas por Jesus, é interessante notar que, durante a história da Igreja, cerca de doze observâncias externas foram referidas como sacramentos. A igreja Católica romana observa sete sacramentos, ou seja: batismo, crisma, eucaristia (missa), penitencias, extrema-unção, casamento, ordenação de padres e consagração de freiras. Todavia, os primeiros Pais da Igreja geralmente reconheciam o batismo e a ceia do Senhor como os principais sacramentos. Foi no século XII que Peter Lombard (1100-1164), em seu Book of Sentences (Livro de Sentenças), definiu como sete o número de sacramentos; depois do Concílio de Florença, no ano de 1439 é que os sete sacramentos foram formalmente decretados pela igreja romana. É importante observar que durante mais de mil anos depois de Cristo, nenhum autor cristão reconhecido afirmara que eram sete as ordenanças.

 

O batismo nas águas é o rito de ingresso na igreja cristã e simboliza o começo da vida espiritual. A ceia do Senhor é o rito de comunhão e significa a continuação da vida espiritual. O primeiro sugere a fé em Cristo, e o segundo sugere a comunhão com Cristo. O primeiro é administrado somente uma vez, porque pode haver apenas um começo na vida espiritual; o segundo é administrado habitualmente, para ensinar que a vida espiritual deve ser alimentada.

 

O BATISMO NAS ÁGUAS

O fato de Jesus ter estabelecido o batismo nas águas como uma ordenança fica claro na Grande Comissão (Mt 28.19; Mc 16.16). O próprio Jesus deixou o exemplo para sua igreja, sujeitando-se a ser batizado por João Batista.

BATISMO POR IMERSÃO
A palavra “batizar”, usada na fórmula de Mateus 28.19,20, significa literalmente “mergulhar” ou “imergir”. Essa interpretação é confirmada por estudiosos da língua grega e pelos historiadores da Igreja. Mesmo estudiosos pertencentes às igrejas que batizam por aspersão admitem que a imersão era o método pelo qual a Igreja Primitiva batizava. Além disso, há razões para crer que para os judeus dos tempos apostólicos, o mandamento de ser “batizado” sugeriria imersão. Eles conheciam o “batismo do prosélito”, que significava a conversão de um gentio ao judaísmo. O convertido ficava de pé na água, até o pescoço, enquanto era lida a Lei, e depois disso ele mesmo submergia na água, como sinal de que fora purificado das contaminações do paganismo e que começara uma nova vida como membro do povo da Aliança com Deus.


BATISMO POR ASPERSÃO 

De onde veio, portanto, a prática da aspersão e de derramar a água? Da época em que a Igreja abandonou a simplicidade do Novo Testamento e foi influenciada pelas práticas pagãs, passando a considerar o batismo nas águas, essencial para a regeneração da alma. Por isso era administrado aos enfermos e moribundos. Visto que a imersão não era possível em tais casos, o batismo era administrado por aspersão. Mais tarde, por causa da conveniência do método, ele se generalizou. Além disso, por causa da importância da ordenação, era permitido derramar a água quando não havia quantidade suficiente para praticar a imersão.

 

O método bíblico original é imersão, o qual corresponde ao significado simbólico do batismo, a saber, morte, sepultamento e ressurreição (Rm 6.1-4).

 

A FÓRMULA

Durante muitos séculos não houve dúvidas sobre a fórmula de batismo em nome da Trindade no seio da Igreja. Porém a partir do século 19 ressurgiu com ímpeto uma corrente do unitarianismo, pondo alguns em dúvida quanto à fórmula batismal, afirmando que o batismo correto seria aquele que batizasse somente “em nome de Jesus”.

 

A fórmula para o batismo é claramente estabelecida por Jesus na Grande Comissão como: “em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo”. Como conciliar isso com o mandamento de Pedro em Atos 2.38 “... Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para perdão dos pecados; e recebereis o dom do Espírito Santo”. As palavras de Pedro não representam uma fórmula batismal; eram uma simples declaração para afirmar que recebiam o batismo apenas pessoas que reconheciam Jesus como Senhor e Salvador. O Didaquê, um documento cristão escrito em cerca de 100 d.C., fala do batismo cristão ministrado em nome do Senhor Jesus, mas o mesmo documento, quando descreve o rito detalhadamente, usa a fórmula ensinada por Jesus: "em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo".

 

Muito razoável afirmar que a narrativa de Atos 2.38 indicada como batismo em nome de Jesus Cristo esteja se referindo a autoridade do nome de Jesus, como se lê em Atos 16.18, onde a autoridade do nome de Jesus é invocada.

 

PARA QUEM É O BATISMO

Todos que sinceramente se arrependem de seus pecados e exercitam uma fé viva no Senhor Jesus, devem ser batizados. As Escrituras Sagradas mostram que somente eram batizados aqueles que previamente se fizeram discípulos: “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-as em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo...” (Mt 28.19), ou seja, demonstravam arrependimento e fé para poder participar de tal ato.

 

Por isso o batismo infantil é expressamente negado pelos elementos que acabamos de mencionar, pois em Mateus fala em batizar discípulos e Marcos 16.16 em batizar quem crer; as crianças não fazem parte desses grupos.

 

A EFICÁCIA

O batismo nas águas não tem por si poder para salvar; as pessoas são batizadas não para serem salvas, mas porque já são salvas. Portanto, não podemos dizer que o rito seja essencial para a salvação. Mas podemos insistir que seja essencial para a integral obediência a Cristo.

 

O batismo em águas é a porta de entrada para agregar a pessoa a Igreja visível, terrena e local. Sendo assim, o batismo é uma identificação pública do crente com Cristo, o seu Salvador, em que:

 

1 – A descida do candidato às águas figura sua morte com Cristo: “Ou não sabeis que todos quantos fomos batizados em Jesus Cristo fomos batizados na sua morte?” (Rm 6.3).

 

2 – A imersão nas águas está relacionada com seu sepultamento com Cristo: “De sorte que fomos sepultados com ele pelo batismo na morte; para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos, pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida” (Rm 6.4).

 

3 – O emergir das águas representa sua ressurreição com Cristo em novidade de vida: “Porque, se fomos plantados juntamente com ele na semelhança da sua morte, também o seremos na da sua ressurreição” (Rm 6.5).

 

Dessa forma, a obediência ao batismo honra a morte e ressurreição de Cristo. Por meio do batismo conseguimos observar o simbolismo da perfeita união com Cristo, tanto na morte como na ressurreição. Na descida às águas o corpo do pecado foi destruído (não servindo mais ao pecado) e morremos com Cristo, sendo justificados do pecado; ao emergir das águas, fomos ressuscitados.

 

CEIA DO SENHOR

Esta ordenança estabelecida pelo Senhor Jesus na noite em que foi traído (Mt 26.26-30), pode ser chamada de comunhão ou Ceia do Senhor. É um rito exterior no qual todos que se arrependerem de seus pecados podem participar.

 

Os elementos da Ceia, o pão e o vinho, ou suco de uva, são apenas símbolos, não existe nenhuma mística. O pão não se transforma no corpo de Cristo, nem o vinho se transforma no sangue, eles simbolizam o corpo e o sangue de Cristo.

 

A observância da Ceia do Senhor é simplesmente um ato memorial, que não propicia nenhum favor imerecido ao seu participante. Os elementos quando recebidos pela fé, conferem ao cristão os benefícios espirituais da morte de Cristo, geram uma verdadeira comunhão com o Senhor, como escreveu o apóstolo Paulo: “Porventura o cálice de bênção, que abençoamos, não é a comunhão do sangue de Cristo? O pão que partimos não é porventura a comunhão do corpo de Cristo?” (1 Co 10.16).

 

A doutrina da Igreja Católica Apostólica Romana, de que mediante a consagração que o sacerdote faz o pão e o vinho são transformados literalmente no corpo e no sangue de Cristo, conhecida como transubstanciação, não subsiste a um exame minucioso das Escrituras Sagradas, por vários motivos:

 

1 – Fazendo uma exegese do texto de Mateus 26.26, “isto é meu corpo”. Ao pronunciar esta frase, Jesus estava presente com seus discípulos em forma visível e palpável, sendo assim, Jesus jamais ensinou que o pão fosse literalmente seu corpo. Se Cristo tivesse dizendo que o pão e o vinho eram literalmente seu corpo e sangue, então deveria haver dois corpos de Cristo presentes naquela hora.

 

2 – Nenhum teste jamais demonstrou que os elementos da ceia sejam outra coisa além de pão e vinho.

 

3 – Nega a plenitude do sacrifício de Cristo, pois na consagração o sacerdote diz categoricamente que é uma “nova oferta do sacrifício de Cristo”. O escritor aos Hebreus declarou: “Assim também Cristo, oferecendo-se uma vez...” (Hb 9.28).

 

As igrejas Luterana e Anglicana tem uma doutrina similar, um pouco modificada chamada de consubstanciação. Segundo essas denominações, os elementos permanecem materiais, mas Cristo está presente espiritualmente.

 

A NATUREZA DA CEIA DO SENHOR

O apóstolo Paulo apresenta o glorioso propósito da instituição da Ceia ao escrever sua carta a Igreja de Corinto. Assim por meio desta epístola ficamos sabendo que a ceia não foi instituída para comemorar o nascimento de Cristo, nem sua ressurreição, nem o seu poder ou milagres, mas sua morte, como está escrito: “Porque todas as vezes que comerdes este pão e beberdes este cálice anunciais a morte do Senhor, até que venha” (1 Co 11.26). Portanto, com relação à natureza da Ceia do Senhor podemos afirmar:

 

1 – É um ato de obediência ao mandamento do Senhor: “Porque eu recebi do SENHOR o que também vos ensinei: que o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão; E, tendo dado graças, o partiu e disse: Tomai, comei; isto é o meu corpo que é partido por vós; fazei isto em memória de mim. Semelhantemente também, depois de cear, tomou o cálice, dizendo: Este cálice é o novo testamento no meu sangue; fazei isto, todas as vezes que beberdes, em memória de mim” (1 Co 11.23-25);

 

2 – É um memorial à morte expiatória de Jesus: “... fazei isso em memória de mim” (1 Co 11.24);

 

3 – É uma proclamação: “Porque todas as vezes que comerdes este pão e beberdes este cálice anunciais a morte do Senhor, até que venha” (1 Co 11.26).

 

 


J. DIAS

FONTES:

Conhecendo as Doutrinas da Bíblia – Editora Vida

Fundamentos da Teologia Pentecostal – Editora Quadrangular

A Doutrina da Igreja – Módulo de Teologia da FTB - Editora Betesda

www.santovivo.net


 
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